UE iniciará testes 'imediatos' de DNA para identificar carne de cavalo

Atualizado em  15 de fevereiro, 2013 - 17:46 (Brasília) 19:46 GMT
Lasanha passa por teste para identificar se foi feita com carne equina ou bovina (Reuters)

Empresa francesa foi acusada de estar por trás do escândalo e teve licença suspensa

A União Europeia (UE) começará "imediatamente" e durante um mês testes de DNA em alimentos processados vendidos em todos os países do bloco para determinar a extensão da venda de produtos com carne de cavalo como se fosse bovina.

A informação foi dada nesta sexta-feira pelo comissário europeu de Política de Consumo, Tonio Borg.

A decisão foi tomada em uma reunião extraordinária do Comitê de Segurança Alimentar e Saúde Animal da UE depois que os países afetados pelo escândalo exigiram medidas em âmbito continental.

Os testes aleatórios de DNA serão realizados em pelo menos 2.250 amostras de carne utilizadas na fabricação de pratos processados em todos os países do bloco, e os resultados deverão estar prontos em meados de abril.

Em paralelo, os abatedouros europeus serão submetidos a testes para detectar na carne de cavalo a presença de fenilbutazona, um anti-inflamatório usado em equinos e proibido para consumo humano.

Cada país deverá realizar pelo menos cinco testes para fenilbutazona, em uma proporção de uma amostra para cada 50 toneladas de carne de cavalo.

O plano, cujo custo não foi revelado, será cofinanciado pela Comissão Europeia, o órgão Executivo da UE, e poderá ser prolongado por outros dois meses.

Origem

O escândalo, que começou com a descoberta da presença de carne de cavalo em hambúrgueres vendidos como carne bovina no Reino Unido, envolve uma longa lista de intermediários em diversos países europeus, entre produtores na Romênia, comerciantes na Holanda e em Chipre e empresas de processamento em Luxemburgo e na França.

A principal acusada no caso é a francesa Spanghero, cuja licença sanitária foi suspensa nesta quinta-feira ante suspeitas de que teria vendido 750 toneladas de carne etiquetada como bovina sabendo que era, na realidade, de cavalo.

Segundo o ministro francês de Consumo, Benoît Hamon, o produto teria sido vendido para a Spanghero por abatedouros da Romênia, corretamente anunciado como carne de cavalo.

A companhia teria revendido o produto como carne bovina para a também francesa Comigel, que o utilizou em lasanhas congeladas fabricadas em sua subsidiária Tavola, com sede em Luxemburgo.

A agência francesa antifraude estima que o produto tenha sido utilizado em mais de 4,5 milhões de pratos preparados pela Comigel vendidos como sendo à base de carne bovina a 28 companhias de 13 países europeus.

Crime

Se as suspeitas do governo francês forem confirmadas, os responsáveis de Spanghero, que negam as acusações, podem ser condenados a até dois anos de prisão por fraude, explicou Hamon.

A Comigel poderia ser acusada de negligência por não ter identificado a fraude.

"A etiqueta da carne recebida não estava de acordo com a legislação francesa" e, ao descongelar a carne, a empresa "deveria ter percebido que não apresentava a mesma cor e cheiro de carne bovina", afirmou o ministro.

A Spanghero também revendeu o produto como carne bovina moída às redes de supermercados Tesco e Aldi e à fabricante de congelados Findus, todos na Grã-Bretanha.

A carne de cavalo foi encontrada ainda em produtos da marca francesa Picard vendidos na França e na Suíça, em lasanhas da marca TiP vendidas na Alemanha pela rede de supermercados Real, e em lasanhas vendidas em Noruega pela rede de distribuição NorgesGruppen.

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