Egípcio preso nu acusa polícia de agressão

Atualizado em  3 de fevereiro, 2013 - 22:33 (Brasília) 00:33 GMT
Agressão no Egito / AFP

Imagens de agressão a homem nu foram transmitidas pela emissora estatal do Egito

Um egípcio preso nu nas ruas do Cairo afirmou ter sido despido e agredido por policiais, que momentos antes teriam atacado outros manifestantes.

A agressão a Hamda Saber por policiais uniformizados foi filmada e transmitida pela emissora estatal na última sexta-feira, enquanto uma multidão furiosa protestava ao redor do palácio presidencial.

De sua cama no hospital, o pintor de 50 anos disse que, inicialmente, os manifestantes o haviam despido e espancado.

Nessa primeira versão, Saber afirmou que a polícia chegou para resgatá-lo.

Entretanto, mais tarde, ele culpou os policiais pela agressão.

Saber disse que havia sido coagido a dar um depoimento falso.

O filho do pintor disse à BBC que os policiais acusaram Saber de carregar bombas cheias de gasolina durante a manifestação.

Saber afirmou que, depois, os policiais se desculparam pelo "mal entendido".

O presidente do Egito, Mohammed Morsi, condenou o incidente e, em uma atitude rara, pediu a abertura de um inquérito para o caso.

No entanto, integrantes da oposição dizem que "crimes contra a humanidade" têm "consequências terríveis para a Justiça (do Egito)".

"O fato de ele ter sido forçado a mudar seu testemunho perante o Ministério Público é tirania", escreveu Nasser Amin, advogado e ativista pela isenção do Judiciário, em sua página no site de micro-blogging Twitter.

'Colapso do Estado'

Nos confrontos da última sexta-feira, os policiais usaram gás lacrimogêneo e canhões de água contra os manifestantes, depois de uma semana de violência em que dezenas de pessoas morreram.

Os manifestantes acusam Morsi de trair os objetivos da revolta de 2011 – uma acusação que ele nega.

Em uma declaração publicada em sua página no Facebook, o presidente alertou que as forças de segurança precisam "agir com decisão extrema" para proteger as instituições do Estado e que os grupos responsáveis por tais conflitos serão considerados "politicamente responsáveis".

A manifestação atual teve início no Cairo, no dia 24 de janeiro, véspera do segundo aniversário da revolução e se espalhou por diversas cidades.

Na última terça-feira, o chefe do exército egípcio, general Abdul Fattah al-Sisi, disse que a crise política poderá levar ao colapso do Estado.

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