Síria faz denúncia formal na ONU sobre ‘ataque' de Israel

Atualizado em  31 de janeiro, 2013 - 17:28 (Brasília) 19:28 GMT
Veículo da ONU nas Colinas de Golã

A síria convocou o comandante da ONU em Golã para fazer um protesto formal

O governo da Síria apresentou nesta quinta-feira uma reclamação formal à ONU sobre um ataque dentro de suas fronteiras que teria sido realizado por Israel.

Há informações desencontradas sobre qual era realmente o alvo do ataque. As autoridades israelenses não confirmaram nem negaram a ação, enquanto que o Exército sírio disse que jatos israelenses atacaram um centro de pesquisa militar a noroeste de Damasco na quarta-feira, matando duas pessoas e ferindo outras cinco.

Já fontes dos Estados Unidos, da área de segurança do Líbano, diplomatas ocidentais e rebeldes sírios afirmam que o ataque foi contra um comboio de caminhões com armas que se dirigia ao Líbano. O Exército sírio nega isso.

Autoridades sírias e iranianas sugeriram que pode haver uma retaliação.

O bombardeio ocorreu em um dos momentos mais turbulentos da história da Síria, que vive há 22 meses é palco de enfrentamentos entre forças leais ao presidente Bashar al-Assad e rebeldes que querem que ele deixe o poder. Até agora, cerca de 60 mil pessoas já morreram no conflito.

Irã

O Ministério de Relações Exteriores da Síria convocou o comandante da ONU na região das Colinas de Golã para fazer seu protesto formal, dizendo que a ação israelense violou o acordo de 1974 entre as partes, que tecnicamente continuam em guerra desde então.

Observadores da ONU estão presentes em Golã desde 1974 com a tarefa de fornecer uma área de separação e garantir forças e armamentos limitados em ambos os lados.

Um ataque israelense na Síria pode causar um grave incidente diplomático, segundo analistas, já que o Irã disse que iria tratar qualquer ataque israelense à sua aliada Síria como um ataque a seu próprio território.

O chanceler iraniano, Ali Akbar Salehi, condenou o suposto ataque aéreo e o qualificou de “uma ação deliberada baseada nas políticas ocidentais” para minar a estabilidade na Síria.

Os militares sírios disseram que "grupos de terroristas armados" – um termo para identificar grupos rebeldes – já haviam tentando diversas vezes capturar o centro de pesquisas em Jamraya nos últimos meses, mas sem sucesso.

Acredita-se que o local seja o abrigo do Centro Sírios de Pesquisa e Estudos Científicos (conhecido pela sigla em francês CERS), que seria responsável por desenvolver armas químicas e biológicas.

O Exército sírio já havia denunciado um aumento da atividades de aviões israelenses na região no decorrer da última semana.

Estados Unidos

No entanto, nesta quinta-feira um funcionário do governo americano disse que o ataque não visou o centro de pesquisas, mas um comboio de caminhões estavam carregando mísseis antiaéreos russos SA-17.

Os Estados Unidos fizeram um alerta à Síria para que não transfira armas à milícia xiita Hezbollah, que são aliados da Síria no Líbano, dizendo que ações nesse sentido iriam desestabilizar ainda mais a região.

Israel já havia expressado temores de que mísseis e armas químicas da Síria pudessem cair nas mãos de militantes como os do Hezbollah.

De acordo com Jonathan Marcus, correspondente da BBC para assuntos diplomáticos, a operação israelense pode ser vista como uma alerta para as autoridades sírias e para o Hezbollah.

"Exatamente como o Hezbollah vai reagir é algo que ainda não está claro. O ataque de julho a um ônibus com turistas israelenses na Bulgária sugere que se for ocorrer uma resposta, ela pode ser indireta, com maior probabilidade de ser contra alvos israelenses ou judaicos fora de Israel do que na fronteira com o Líbano", disse Marcus.

Clique Leia também: Analistas duvidam que ataque israelense na Síria gere conflito aberto

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