Vice de Chávez pede 'mão dura' contra planos de 'atentado'

Atualizado em  23 de janeiro, 2013 - 20:37 (Brasília) 22:37 GMT
Partidário de Chávez em manifestação nesta quarta (AP)

Chavistas (acima, durante manifestação) citam suposto plano de atentado contra líderes interinos

O vice-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, ordenou às autoridades aplicarem "mão dura" contra aqueles que violarem as leis, em resposta a um suposto plano de atentado contra ele e o presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, o terceiro na hierarquia do poder na Venezuela, depois de Hugo Chávez e Maduro.

"Depois não venham chorando (dizendo) que são presos políticos. Mão dura contra a conspiração da direita, mão dura de todo o povo, do governo, de todos os poderes", afirmou Maduro, diante de uma multitudinária manifestação em apoio à Chávez, no bairro de 23 de Enero, bastião chavista em Caracas.

A reação de Maduro se refere a um suposto plano da "ultra-direita" para atentar contra ele e Cabello - os dois principais dirigentes da "revolução"- aproveitando a ausência de Chávez. O líder venezuelano permanece internado em Cuba após sofrer severas complicações em consequência de sua quarta cirurgia para combater um câncer na região pélvica.

De acordo com o governo, na comunicação que fora interceptada, o grupo que seria responsável pelo atentado afirmou que "é preciso tirar (do caminho) ao "autobusero" (motorista de ônibus)" Maduro e ao "tenentezinho" (Cabello).

'Triunvirato'

Maduro, ex-dirigente sindical do sistema de Metrobus de Caracas, Cabello, tenente, representante da ala militar, e o ministro de Energia e Petróleo Rafael Ramirez são vistos como os homens do "triunvirato" que podem governar o país, caso Chávez tenha que se afastar definitivamente do poder.

"Estamos denunciando porque há indícios de peso (para chegar a esta conclusão). Não se surpreendam com as ações a serem tomadas nas próximas horas e nos próximo dias", afirmou Maduro.

O anúncio foi minimizado pelo governador do estado de Miranda e ex-candidato presidencial Henrique Capriles, ao afirmar que "atentados ocorrem todos os dias" contra "mais de 50 venezuelanos que perdem a vida", em referência a um suposto índice de mortes violentas que ocorrem no país.

Minutos antes das declarações de Maduro, o ex-vice-presidente José Vicente Rangel leu, diante da multidão chavista, um documento atribuído à ala radical da oposição, no qual políticos convocam os militares a "restituir a Constituição e liberar-se da tutela cubana", em referência à suposta intervenção de Havana nas decisões políticos tomadas por Caracas.

Manifestação da oposição nesta quarta

De menor magnitude, protesto da oposição evidencia racha entre anti-chavistas

Entre os signatários do documento estariam a deputada opositora Maria Corina Machado e militares reformados.

Ala radical

Até mesmo analistas e observadores vinculados à oposição dizem que a ala radical da oposição voltou a "ganhar vida" nas últimas semanas, evidenciando um racha entre a coalizão opositora, depois que o Tribunal Supremo de Justiça decidiu adiar a posse (marcada para 10 de janeiro) do novo mandato de Chávez devido a seu estado de saúde.

A ala moderada opositora optou por um "respeito pragmático" à decisão do Supremo, de olho na disputa eleitoral pela Presidência que pode ocorrer a curto ou médio prazo caso Chávez tenha que ser afastado definitivamente da vida política.

Já os "radicais" consideram essa postura "branda" e têm convocado protestos para desconhecer a continuidade do governo, que é administrado por Nicolás Maduro.

Para o analista político Carlos Romero, é "evidente" que há um setor da oposição que pretende aproveitar a ausência de Chávez para insistir na via do golpe de Estado para derrocar o chavismo.

"Há uma tentação de alguns setores da oposição de irem por caminhos não-institucionais buscando uma rebelião militar", afirmou Romero. "Essa saída seria daninha para a democracia e daria argumento ao governo para mostrar que não há um exercicio democrático da oposição", acrescentou.

A fratura entre os opositores ficou à mostra também nesta quarta-feira, quando, de última hora, a coalizão oposição Mesa de Unidade Democrática (MUD) decidiu cancelar uma marcha e se limitar a uma concentração modesta num parque no leste da cidade.

A mudança de planos pode ser interpretada como mais um sintoma da crise interna que a MUD enfrenta.

Na manifestação, a MUD anunciou o que já vinha sendo aventado: que optará por um candidato de consenso caso novas eleições tenham de ser convocadas devido ao estado de saúde de Chávez. A tendência é que Capriles continue sendo o candidato presidenciável da coalizão opositora.

Queda da ditadura

Em meio a protestos chavistas e anti-chavistas, os venezuelanos lembram nesta quarta-feira a queda da ditadura de Marcos Pérez Jimenez, há 55 anos.

Com a mobilização desta quarta-feira no bairro de 23 de Enero, o Executivo venezuelano tenta dar nova demonstração de popularidade e governabilidade, em meio à incertezas sobre a volta de Chávez à Presidência.

"O presidente é Chávez, mas estamos preparados para defender esse projeto de vida que é a revolução de qualquer forma", disse à BBC Brasil o médico Hernan Pinango, morador do bairro. Ele opinou que caso haja novas eleições, Maduro contará com o apoio da maioria dos eleitores chavistas.

Maduro anunciou que deve viajar ainda nesta quarta a Havana para visitar a Chávez.

Na terça-feira, o governo disse que, apesar de Chávez ter mostrado "sinais encorajadores de recuperação", nenhuma data de retorno a Caracas pode ser prevista.

A informação contradiz uma declaração feita pelo presidente da Bolívia, Evo Morales, que afirmou que Chávez estaria realizando sessões de fisioterapia para preparar sua volta à Venezuela. Desde que foi operado, há seis semanas, Chávez não é visto ou ouvido em público.

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