Obama pressiona Congresso com plano de restrição a armas

Atualizado em  16 de janeiro, 2013 - 16:56 (Brasília) 18:56 GMT
O presidente dos EUA, Barack Obama, cercado por crianças, ao assinar ordens executivas para aumentar o controle de armas (Foto: Reuters)

Crianças que escreveram cartas a Obama após massacre estavam presentes ao anúncio

O presidente americano, Barack Obama, lançou nesta quarta-feira um ambicioso pacote de medidas para aumentar o controle de armas nos Estados Unidos, abrindo caminho para o que promete ser um longo confronto com ativistas pelo direito de portar armas.

Obama pede a proibição da venda de armas de combate e de pentes com grande capacidade de munição, assim como maior rigor na verificação de antecedentes de compradores de armas.

A Casa Branca também anunciou 23 ordens executivas, que não dependem de aprovação do Congresso.

O anúncio de Obama ocorre um mês após o massacre na escola Sandy Hook, em Newtown, no Estado de Connecticut, em que um homem armado matou 20 crianças e oito adultos.

Estavam presentes ao anúncio, na Casa Branca, crianças que escreveram cartas para Obama após o massacre.

Oposição

Obama reconheceu que as medidas anunciadas deverão enfrentar forte oposição no Congresso. "Vai ser difícil", disse.

As novas propostas são resultado do trabalho de uma força-tarefa coordenada pelo vice-presiente, Joe Biden.

Biden manteve reuniões com ativistas pró e contra o controle de armas, representantes da indústria de entretenimento e de videogames, pais de vítimas e policiais.

Propostas de Obama

O presidente Barack Obama pediu uma série de medidas ao Congresso, entre elas:

- proibição de armas de combate de estilo militar, como as usadas em massacres recentes;

- imposição de limite na capacidade de munição dos pentes;

- obrigatoriedade de verificação de antecedentes em todas as vendas de armas (atualmente, não é obrigatório em vendas particulares e em determinadas feiras de armas);

- introdução de novas leis sobre tráfico de armas;

- aprovação da nomeação do novo diretor do Departamento de Álcool, Tabaco, Armas de Fogo e Explosivos.

A força-tarefa também consultou o principal grupo de lobby pró-armas dos Estados Unidos, a Associação Nacional de Rifles (NRA, na sigla em inglês), que várias vezes prometeu lutar contra qualquer tentativa do governo de limitar o acesso a armas ou munição.

Após o massacre de Newtown, a NRA chegou a propor o envio de guardas armados a todas as escolas dos Estados Unidos.

Críticas

Nesta quarta-feira, pouco antes do anúncio de Obama, a NRA divulgou um anúncio na internet em que acusa o presidente de ser um "hipócrita elitista", porque suas filhas são protegidas por guardas armados na escola que frequentam em Washington, enquanto ele se opõe à presença de guardas armados em todas as escolas e favorece zonas "livre de armas" nos estabelecimentos de ensino.

A Casa Branca considerou o vídeo "repugnante e covarde".

Obama propôs a liberação de fundos para que as escolas contratem mil novos policiais armados, psicólogos, assistentes sociais e outros funcionários com treinamento para prevenção de violência.

Na terça-feira, o Estado de Nova York aprovou a primeira lei de controle de armas desde o massacre de dezembro. Segundo simpatizantes, as restrições em vigor no Estado são agora as mais rígidas do país.

Elas incluem uma proibição mais ampla a armas de combate, restrições a pentes de grande capacidade de munição e medidas para impedir que pessoas com doenças mentais que façam ameaças tenham acesso a armas.

A nova legislação nova-iorquina também exige que determinados proprietários de armas tenham de registrá-las com as autoridades.

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