Mãe relata drama de filho que sofreu derrame aos 11 anos

Atualizado em  16 de janeiro, 2013 - 10:53 (Brasília) 12:53 GMT
Kray e a mãe, Soniya. Arquivo pessoal

Kray ainda tem sequelas; sua mãe, Soniya, criou uma fundação para alertar sobre o AVC infantil

O drama da britânica Soniya Mundy começou quando ela encontrou o filho Kray, de apenas 11 anos, caído no chão de casa, sem se mover. Levado às pressas para o pronto-socorro, o garoto não sentia a parte esquerda do corpo e tinha todos os sintomas de um Acidente Vascular Cerebral (AVC).

"Mas eles (enfermeiros) diziam que não poderia ser um AVC porque ele era uma criança", conta a mulher.

Era um AVC. Embora raros, os casos de AVC, popularmente conhecidos como derrame, também podem ocorrer na infância.

A cada ano, 350 crianças são vítimas de AVC na Grã-Bretanha (entre um total de 150 mil casos).

Entre adultos, o fumo, o sedentarismo e altas taxas de colesterol são as principais causas da doença. Já entre as crianças as causas são pouco conhecidas.

Uma pesquisa da Universidade de Bristol mostra que doenças cardíacas, infecções e má-formação no sistema vascular podem aumentar a chance de AVCs em crianças. Em 17% dos casos, no entanto, nenhuma causa foi identificada.

Sequelas

Os médicos de Kray descobriram que o menino tinha má-formação em veias na região abdominal e no cérebro.

Após quatro horas de cirurgia para conter a hemorragia e aliviar a pressão no cérebro, a condição de Kray continuava a se deteriorar. Os médicos induziram o garoto ao coma e fizeram uma incisão no crânio para drenar um coágulo.

Naquele momento, a mãe de Kray diz que pensou no pior.

"Ele estava jogando futebol no quintal de casa na noite anterior. Ai eu estava ao lado de sua cama, pensando... 'Pronto. Ele se foi'", contou Soniya.

Nove dias depois, o garoto começou a se recuperar.

"A gente não sabia qual era a extensão dos danos no cérebro. Eles disseram que ele poderia nunca mais andar. Sua fala estava comprometida e ela não sentia a mão e o braço esquerdo", conta.

Após intensa fisioterapia, o garoto voltou a andar, oito semanas depois. Mas era apenas o início de uma longa recuperação.

Hoje com 16 anos, ele se prepara para a universidade, onde quer estudar engenharia aeroespacial. Com dificuldade de usar a mão esquerda, ele diz que já está acostumado, mas teme outro AVC.

"Não faz sentido ficar pensando nisso", conta. "Às vezes acho que pode voltar a acontecer, mas já aprendi a como lidar com isso", diz.

Diagnóstico rápido

Kray Mundy. Arquivo pessoal

Quando Kray foi levado ao hospital, os médicos não trataram o caso como sendo um AVC

Para Sophie Scott, especialista em neurociência cognitiva da University College London, diz que o cérebro das crianças tem maior facilidade de se recuperar de um AVC.

"O cérebro ainda está se desenvolvendo, até os 20 anos", diz a professora. Ela afirma que é mais fácil tratar danos do cérebro nesta idade do que na fase adulta.

Andrew Mallick, pesquisador do tema na Universidade de Bristol, diz que o fundamental para a recuperação nesses casos é o diagnóstico rápido.

"Há uma necessidade de tratar as pessoas rapidamente. Descobrimos que o diagnóstico tende a demorar mais entre crianças, que geralmente recebem outros diagnósticos a princípio", diz .

A mãe de Kray, Soniya, criou uma fundação para alertar os pais sobre casos de AVC entre crianças. Mas ela diz que ainda é difícil lidar com a situação em casa.

"Eu só me dei conta recentemente que devo soltar as rédeas e deixá-lo sair com amigos e fazer outras coisas", diz.

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