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Obama aposta em nomes polêmicos na nova equipe de Defesa dos EUA

Atualizado em  7 de janeiro, 2013 - 17:06 (Brasília) 19:06 GMT
John Brennan (esq.) e Chuck Hagel (Foto: Reuters)

John Brennan (esq.) e Chuck Hagel formarão a cúpula da defesa dos EUA

O presidente dos EUA, Barack Obama, anunciou nesta segunda-feira dois nomes polêmicos para os principais cargos de sua nova equipe de Defesa. O ex-senador republicano Chuck Hagel será o novo secretário da pasta. Para o comando da CIA (a agência de inteligência americana), o escolhido foi o conselheiro de contraterrorismo da Casa Branca, John Brennan.

Ambos poderão enfrentar resistência da oposição. "Obama comprou outra briga de peso com o Congresso", diz o editor de América do Norte da BBC, Mark Mardell.

Hagel, que irá substituir Leon Panetta como secretário de Defesa, está no alvo do forte lobby judeu americano por ter feito declarações contrárias às políticas do Estado de Israel no Oriente Médio. Ele também é criticado por declarações consideradas preconceituosas contra um diplomata gay.

Brennan, por sua parte, não ficará imune às desconfianças de alguns democratas por sua ligação com o governo de George W. Bush, sobretudo durante a invasão do Iraque, em 2003.

Ele substitui o general David Petraeus, que pediu demissão em meio a um escândalo de adultério.

Ao lado do senador John Kerry, nomeado por Obama no mês passado para substituir Hillary Clinton como secretário de Estado, Hagel e Brennan deverão ajudar a reformular a agenda de segurança nacional no segundo mandato do presidente.

Batalha

Os nomeados só serão confirmados no cargo após aprovação do Senado. Segundo analistas, a escolha de Hagel, um condecorado veterano da Guerra do Vietnã, pode levar a uma batalha no Senado.

Hagel, 66 anos, entrou na mira dos judeus americanos após a publicação de um livro do ex-integrante do Departamento de Estado Aaron David Miller, em 2008.

O livro citava uma frase atribuída ao então senador republicano pelo Estado de Nebraska criticando as posições americanas por serem sempre a favor de Israel.

"O lobby judeu intimida muito as pessoas por aqui", teria dito Hagel. "Eu sou um senador dos Estados Unidos, não um senador israelense."

Soma-se a isso a relutância do novo secretário de Defesa de classificar o movimento palestino Hamas como terrorista.

Para Mardell, ele pode ser taxado também como líder de guerra relutante, por dizer, em 2006, que executar ações militares contra o Irã não seria "uma opção viável".

Antes mesmo de Obama nomear Hagel oficialmente, um dos senadores do primeiro escalão do partido republicano, Lindsey Graham, disse que Hagel seria "o mais antagônico secretário de Defesa no que concerne Israel em toda a história".

Membros do governo se apressaram em fazer a defesa de Hagel, dizendo que o senador votou a favor do envio de bilhões de dólares em ajuda a Israel e a favor da imposição de sanções contra o Irã.

A lista de controvérsias de Hagel não se reduz à geopolítica. Grupos de defesa dos direitos gays já estariam fazendo lobby no Congresso contra sua indicação, inclusive com apoio de militantes democratas.

Em 1998, Hagel criticou a indicação de um diplomata homossexual, questionando se um indivíduo "abertamente e agressivamente gay" poderia representar bem o país. Apesar de pedir desculpas pelo comentário, Hagel continua na mira dos ativistas gays.

O novo chefe da CIA, John Brennan, também é alvo de críticas, mas de aliados liberais de Obama.

"Para os liberais, ele foi muito próximo à administração de George W. Bush, particularmente pela inteligência equivocada que levou à invasão do Iraque e à tortura de suspeitos de terrorismo", segundo Mardell.

Segundo uma fonte da Casa Branca, Brennan, que participou do planejamento das ações que resultaram na morte de Osama bin Laden, tem total confiança de Obama.

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