Cientistas descobrem urna com sangue de Luís 16

Atualizado em  1 de janeiro, 2013 - 19:33 (Brasília) 21:33 GMT
Estátua de Luís XVI / BBC

Luís XVI e Maria Antonieta foram guilhotinados durante a Revolução Francesa

Uma equipe de cientistas anunciou ter descoberto uma pequena urna que conteria sangue do rei francês Luís 16, morto durante a Revolução Francesa.

O monarca e sua esposa, Maria Antonieta, foram guilhotinados em meio ao levante revolucionário ocorrido há mais de 200 anos.

Os cientistas disseram que o DNA encontrado no objeto é bastante similar ao material genético do que se supõe ser a cabeça mumificada de um parente próximo do déspota francês, segundo informações da agência de notícias AFP.

Após a morte de Luís 16, acredita-se que parte dos que assistiram à cena teria molhado seus lenços no sangue do monarca.

Dentro da urna descoberta pelos cientistas, foi achado um pedaço de tecido contendo manchas de sangue.

O objeto era decorado com imagens de heróis da revolução e as palavras: "No dia 21 de janeiro (em alusão ao dia 21 de janeiro de 1793, quando Luís 16 foi guilhotinado), Maximilien Bourdaloue molhou seu lenço no sangue de Luís 16 após sua decapitação".

O "souvenir revolucionário" permaneceu nas mãos de uma família italiana por mais de um século.

Ligação hereditária

Uma equipe composta por especialistas da Espanha e da França publicou o achado na revista científica internacional Forensic Science.

Análises do DNA dos vestígios de sangue descobertos dentro da urna já haviam sinalizado uma conexão com o monarca francês, apesar de os cientistas não terem conseguido provar que se tratava de Luís 16, uma vez que não tinham material genético de nenhum de seus familiares.

Entretanto, a equipe conseguiu uma pequena e rara amostra genética do DNA do rei da França, proveniente de uma cabeça mumificada que seria de seu antecessor, Henri 4º, morto em 1610.

Em 2010, cientistas afirmaram que a cabeça era de Henri IV, a partir de semelhanças físicas entre sua ossatura e as pinturas feitas desse rei francês.

O especialista em medicina forense Philippe Charlier disse à AFP que o estudo revelava que ambas as amostras "compartilhavam uma herança genética, a partir de uma ligação paternal".

Co-autor do estudo, Carles Lalueza Fox, do Instituto de Biologia Evolutiva de Barcelona, afirmou à agência de notícias que "havia 250 vezes mais chances de que a cabeça e o sangue tinham alguma ligação consanguínea".

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