Indústria europeia do sexo aproveita Natal para crescer

Atualizado em  23 de dezembro, 2012 - 09:50 (Brasília) 11:50 GMT

A indústria do sexo é um dos poucos setores que florescem em meio à recessão europeia

Com a zona do euro em recessão, a economia britânica patina e luta contra a falta de confiança empresarial. Nesse cenário, poucos setores conseguem crescer, mas a indústria do sexo é uma das raras exceções.

O sucesso da trilogia erótica Cinquenta Tons de Cinza vem produzindo um boom de vendas de brinquedos eróticos, e as empresas tentam aproveitar a época de Natal para elevá-las ainda mais.

A empresa britânica Lovehoney lançou para o Natal deste ano uma nova linha de brinquedos sexuais, com todos os instrumentos usados no livro e a aprovação explícita da autora, E. L. James.

Segundo o co-fundador da empresa, Neal Slateford, os problemas econômicos favorecem as vendas do setor.

"Isso ocorre porque as pessoas se voltam para a intimidade e procuram dar a si mesmas prazeres privados. Um exemplo típico é o aumento de vendas de batom em momentos de dificuldades econômicas. Mas este ano o grande fator é o livro de E. L. James, que se converteu no fenômeno literário do ano e que definirá seguramente esta década", afirmou ele à BBC.

Mercado inesgotável

A trilogia de E. L. James se converteu da noite para o dia no romance mais vendido da história da Grã-Bretanha, estímulo mais que erótico para a indústria dos brinquedos sexuais, que fatura o equivalente a R$ 4 milhões ao ano.

Segundo Nick Hewson, diretor do Grupo Newson, que faz análises de mercado sobre produtos femininos, as vendas dos brinquedos eróticos, que vinham crescendo a um ritmo de 10% ao ano desde 2000, deram um salto qualitativo com o romance.

"O fenômeno de Cinquenta Tons pode ser entendido como uma autorização social, pelo sucesso do livro em explorar um terreno vedado da sexualidade. Isso se deu sobre um terreno já fértil, potencializado por uma crescente consciência da mulher sobre sua própria sexualidade e facilitado pela internet, que oferece um espaço privado, livre de censura social, para a exploração", afirma Hewson à BBC.

As empresas tomaram nota dessas tendências para descobrir ou criar novos nichos de mercado. E a julgar pelas cifras, a leitura que fizeram do mercado tem sido correta.

O sucesso da trilogia 'Cinquenta Tons de Cinza' alavancou as vendas de produtos eróticos

As ações da empresa alemã Beate Uhse, a única do setor negociada em bolsa de valores na Europa, já subiram 154% neste ano.

No último ano foram vendidos na Grã-Bretanha 5 milhões de brinquedos sexuais. Em 2000 haviam sido vendidos 1 milhão.

O suposto aumento de consumidoras do sexo feminino para esses produtos também vem tendo um impacto sobre a própria indústria.

"As mulheres são clientes muito mais exigentes quanto aos produtos. A qualidade do material melhorou muito. O desenho também é muito mais cuidado do que quando a indústria só se preocupava com o gosto masculino. Os produtos de hoje são muito mais sofisticados que no passado", observa Hewson.

Natal sexual

Não deixa de ser um paradoxo que esse mercado seja potencializado na época de Natal. Mas segundo o co-fundador da Lovehoney, o Natal é a melhor época para as vendas, até mesmo que o dia dos namorados.

"Não é o típico presente para colocar debaixo da árvore de Natal", admite com um sorriso Neal Slateford. "Mas as festas são também para os adultos que querem se presentear. Os homens costumam ter problemas na hora de escolher presentes para suas mulheres, e agora já sabem o que dar", diz.

Na Alemanha, a Beate Uhse está promovendo sua cadeia de lojas com atores vestidos de anjos (em uma variante supostamente transgressora) e vai abrir novas lojas no ano que vem na Alemanha, na Holanda e na Bélgica voltadas para casais e para mulheres.

"Se as pessoas não têm dinheiro para as férias ou para uma televisão, procuram coisas gratificantes que não impliquem grandes gastos", disse à agência Bloomberg o diretor da empresa, Serge Van Der Hooft.

Apesar da situação econômica por que passa a União Europeia - dependendo do país, entre a recessão, a depressão econômica ou o estancamento -, parece que a indústria dos apetrechos eróticos sairá ilesa da crise.

Segundo Renee Denyer, diretora da cadeia britânica de produtos eróticos para mulheres Sh!, o período pós-natalino também oferece um novo potencial para o crescimento da demanda de brinquedos sexuais, já que as pessoas procuram distrações leves após passarem tanto tempo junto à família.

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