Pesquisa aponta brasileiros menos eufóricos com rumos do país

Atualizado em  11 de dezembro, 2012 - 15:36 (Brasília) 17:36 GMT
Protesto / AFP

Caiu número de brasileiros que se diz confiante com as instituições do país

Um levantamento feito pela Universidade Vanderbilt, dos Estados Unidos, revelou que nos últimos dois anos os brasileiros ficaram menos eufóricos com os rumos do país, embora continuem otimistas com a economia e apoiem o sistema político democrático.

O chamado "Barômetro das Américas", que ouviu mais de 41 mil pessoas em 26 países do continente, também indicou que os brasileiros estão hoje mais preocupados com questões como saúde e corrupção do que em 2010.

A pesquisa foi feita em parceria com o órgão do governo americano para o desenvolvimento internacional, USAID, e entidades dentro dos países pesquisados. No Brasil, 1,5 mil pessoas foram entrevistadas.

Destas, quase 35% responderam que a economia brasileira se encontra em uma situação boa ou muito boa, praticamente o mesmo percentual que achava a mesma coisa quando a pesquisa foi realizada há dois anos.

Nove entre dez brasileiros – mesma proporção da pesquisa anterior – se disseram satisfeitos com a sua própria situação financeira.

Entretanto, em outra pergunta, 24% dos brasileiros ouvidos neste ano afirmaram que a economia do país está melhor do que um ano atrás, contra 38% que haviam escolhido essa resposta em 2010.

São resultados que vão em linha com os indicadores econômicos menos otimistas divulgados nos últimos meses, que mostram um crescimento positivo, mas mais brando no país.

No terceiro trimestre deste ano, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 0,6% na comparação com os três meses imediatamente anteriores. A expectativa dos analistas é de que, agora, o país cresça em torno de 1% neste ano, abaixo das previsões iniciais do governo.

Otimismo

Apesar de menos eufóricos, os brasileiros continuam entre os mais otimistas das Américas no que tange à economia. Eles ocuparam a 5ª posição no ranking continental, atrás apenas de uruguaios, equatorianos, guianenses e canadenses.

A pesquisa é feita desde 2004. Naquele ano, menos de 34% dos entrevistados no continente expressaram otimismo com a economia – neste ano, o índice bateu 45%.

"Os resultados mostram que o progresso econômico nas Américas está sendo sentido e distribuído de maneira ampla", disse o representante do USAID Mark Feierstein, durante um evento que apresentou os resultados da pesquisa, em Washington.

"Por muito tempo, houve um sentimento de que a região estava crescendo muito, mas poucas pessoas estavam se beneficiando disso."

Segundo o estudo, "embora mais gente descreva a economia em termos negativos do que positivos, os níveis de otimismo com as economias nacionais e as finanças pessoais dos entrevistados aumentaram, junto com a renda das famílias".

Por outro lado, entre os 26 países da pesquisa, chamou atenção a posição dos Estados Unidos no ranking do otimismo econômico: antepenúltimos, à frente somente de El Salvador e da República Dominicana.

Corrupção e democracia

A pesquisa também tocou em aspectos como o apoio à democracia, corrupção e confiança nos sistemas políticos.

Nesses pontos, os resultados também mostraram os brasileiros confiantes, mas menos eufóricos.

Em 2010, mais de 53% dos entrevistados no país deram notas altas (entre 5 e 7 em uma escala de 1 a 7) quando perguntados se tinham respeito pelas instituições brasileiras. Neste ano, esse conjunto de respostas caiu para 46%.

Usando a mesma escala, em 2010, mais de 93% haviam dito que tinham muito orgulho de ser brasileiros – neste ano, as respostas com notas mais altas somaram 85%.

Tanto agora como há dois anos, temas como saúde, corrupção, violência e desemprego aparecem como os que mais preocupam os brasileiros.

A diferença é que, agora, os dois primeiros temas preocupam mais – a falta de acesso à saúde, por exemplo, foi citada por um em cada cinco brasileiros como o problema mais grave que o país enfrenta. Os outros receberam cerca de 10% das menções.

Em ambas as edições da pesquisa, nove em cada dez brasileiros discordaram da insinuação de que pagar suborno de vez em quando é justificável.

Já em relação ao apoio à democracia, quase 70% dos brasileiros concordaram com a afirmação de que, apesar de suas falhas, o sistema democrático ainda é a melhor forma de governo. Em 2010, o percentual foi semelhante: 71,5%.

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