Opositores se enfrentam no Cairo e crise política egípcia se agrava

Atualizado em  5 de dezembro, 2012 - 20:23 (Brasília) 22:23 GMT

Confrontos na Praça Tahir deixaram mais de 200 feridos

Atirando pedras e coquetéis molotovs, partidários e oponentes do presidente egípcio Mohammed Morsi entraram em conflito nesta quarta-feira diante do palácio presidencial no Cairo.

Os violentos confrontos na Praça Tahir, que deixaram mais de 200 feridos, tiveram início quando os partidários de Morsi invadiram uma área onde a oposição estava acampada, protestando contra o novo projeto de Constituição do país.

Opositores dizem que ela foi aprovada às pressas e que ela não protege a liberdade política e religiosa e nem defende os direitos das mulheres.

Partidários do presidente gritavam frases como "O povo quer limpar a praça", segundo a agência de notícias AFP.

Houve relatos de tiros e há informações não confirmadas de que pelo menos duas pessoas teriam morrido.

O correspondente da BBC no Cairo Jon Leyne disse que os confrontos são, possivelmente, o fato mais perigoso até agora na crescente crise política no Egito.

Leyne disse que o conflito, que segundo a oposição foi organizado pela Irmandade Muçulmana, teve reminiscências de táticas usadas pelo ex-presidente Hosni Mubarak durante a revolução.

Demissões

Juntamente com a violência na Praça Tahir, a crise política no governo também se intensificou nesta quarta-feira. Quatro dos conselheiros de Morsi pediram demissão, em um aparente protesto contra as últimas medidas do governo – três já haviam deixado seus cargos na semana passada.

Líderes da oposição acusaram Morsi de ser o responsável pela violência. Eles afirmam que estão dispostos para dialogar, assim que o presidente anular o polêmico decreto que assinou lhe concedendo mais poderes.

No início do dia, o vice-presidente Mahmoud Mekki afirmou que um referendo sobre a Constituição será realizado no dia 15 de dezembro e que a "porta para o diálogo" continua aberta, indicando que podem ser feitas mudanças no documento.

Durante uma entrevista em uma reunião da Otan, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, fez um apelo para que líderes egípcios iniciem um diálogo.

"O povo egípcio merece uma Constituição que proteja o direito de todos os egípcios, homens e mulheres, cristãos e muçulmanos – e que garanta que o país vá cumprir suas obrigações internacionais", disse Hillary.

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