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Em caso polêmico, casal perde guarda de crianças por filiação partidária

Atualizado em  26 de novembro, 2012 - 11:38 (Brasília) 13:38 GMT
Campanha do UKIP em 2009 (Getty Image)

Cartaz de campanha do UKIP: propostas anti-imigração

Um caso em que um casal de pais adotivos britânicos perdeu a guarda de três crianças por causa de sua filiação partidária está causando polêmica no Reino Unido.

O casal, morador da localidade de Rotherham, havia adotado temporariamente as crianças em um esquema que permite ao governo britânico reduzir o número de menores em orfanatos do Estado dando subsídios para que particulares lhes forneçam um lar provisório.

As três crianças - todas com menos de 10 anos - seriam imigrantes de outros países da Europa e pertencentes a minorias étnicas.

Elas viveram com o casal por oito semanas até que assistentes sociais descobriram que ambos estavam filiados ao partido UK Independence Party (UKIP), um partido de direita que prega a saída da Grã-Bretanha da União Europeia (UE) e políticas imigratórias mais duras.

O entendimento dos assistentes sociais de Rotherham foi que o casal não podia manter a guarda das crianças por pertencer a um partido "racista".

No passado, os integrantes do UKIP também foram chamados de "racistas no armário" pelo primeiro-ministro conservador, David Cameron, mas logo em seguida Cameron se retratou. Agora, há alguns conservadores que defendem uma aliança com o partido.

Em seu website, o UKIP diz defender a saída da UE "não porque odeia a Europa, ou os estrangeiros, mas porque a UE se tornou antidemocrática, cara e mandona."

Apesar de a política britânica ser dominada por Conservadores e Trabalhistas, segundo o instituto de pesquisas YouGov, citado pela revista The Economist, o UKIP estaria em uma competição apertada com os Liberais Democratas pelo posto de terceira força política do país.

Críticas

A decisão de retirar a guarda das crianças do casal filiado ao UKIP foi criticada tanto por integrantes do governo quanto pela oposição, apesar de a última controlar a prefeitura de Rotherham.

O ministro da Educação britânico, Michael Gove qualificou a medida como "indefensável".

"Foi errado tratar esse casal assim. Por isso acredito que precisamos de uma explicação das autoridades locais sobre por que essa decisão foi tomada", disse.

"Dizer que alguém não pode ser um pai adotivo temporário porque integra certo partido político ou tem uma visão particular sobre multiculturalismo é totalmente errado. Trata-se de uma decisão arbitrária, ideológica e indefensável", completou.

Para o líder do Partido Trabalhista, Ed Miliband, a filiação partidária não é uma razão válida para barrar a participação de britânicos nesses esquemas de adoção temporária.

Segundo a comissão de Igualdade e Direitos Humanos britânica (EHRC na sigla em inglês), a decisão pode ter violado o direito dos pais adotivos à liberdade de opinião.

Retratação pública

Os pais adotivos disseram não terem sido consultados previamente sobre a retirada das crianças de sua guarda.

Ambos têm por volta de 50 anos e têm participado do esquema de adoção temporária há 7 anos.

Em entrevista ao jornal The Telegraph, eles contaram se sentiram estigmatizados quando assistentes sociais buscaram as crianças alegando que eles pertenciam a um grupo "racista" e pediram uma retratação pública.

"De um ponto de vista pessoal e egoísta, gostaríamos de ter as crianças de volta, mas estamos mais preocupados com seu bem-estar e não queremos traumatizá-las mais. Sabemos que não vai ser possível trazer essas crianças de volta. Elas são vítimas inocentes nisso tudo", disse a "mãe adotiva".

"Também sentimos que fomos caluniados e gostaríamos de uma retratação pública de Rotherham”, completou.

Em resposta às reclamações, o governo local abriu uma investigação para entender as particularidades do caso.

Justificativa

A diretora de assuntos ligados à infância e adolescência da prefeitura, Joyce Thacker, defendeu a decisão dizendo que ela foi influenciada pela política de imigração do UKIP que, segundo ela, são "muito claras" e não podiam ser ignoradas.

"Tenho de seguir instruções legais na distribuição das crianças para as famílias adotivas e já fui criticada no passado por não garantir que as suas necessidades culturais e éticas fossem atendidas. Se o mantra do partido é, por exemplo, acabar com a promoção ativa do multiculturalismo, tenho de considerar isso na hora de decidir."

Segundo Thacker, as três crianças haviam sido alocadas com o casal em um esquema emergencial, mas não estava previsto que ficassem com eles por muito tempo.

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