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Nova cúpula assume Segurança de SP após número de mortes dobrar

Atualizado em  22 de novembro, 2012 - 06:13 (Brasília) 08:13 GMT
Operação policial na favela de Brasilândia, em SP

Para promotores, policiais alimentaram um ciclo de vinganças

O governo de São Paulo decidiu substituir a cúpula de suas forças de segurança no momento em que a atual onda de violência deixou mais de 570 mortos em outubro no Estado - um aumento de 48% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Segundo dados mensais de criminalidade divulgados na quarta-feira pela Secretaria da Segurança Pública, a onda de violência foi ainda mais intensa na capital paulista. O aumento das mortes em outubro na região foi de 114% - de 82 vítimas em 2011 para 176 neste ano.

Segundo promotores públicos ouvidos pela BBC Brasil, a escalada da violência começou desde o ano passado com a execução de criminosos chave, ligados à facção PCC (Primeiro Comando da Capital) cometidas por unidades de elite da polícia militar.

No primeiro semestre de 2012, lideranças da facção teriam reagido, ordenando, de dentro do sistema prisional, o assassinato de policiais militares em represália. Até esta semana, 93 policiais e ao menos três agentes penitenciários haviam sido mortos.

Segundo os promotores, os ataques a policiais alimentaram ainda mais um ciclo de vinganças que resultou na explosão do número de homicídios.

Há suspeitas de que grupos de policiais militares tenham se organizado em esquadrões da morte para matar vítimas "suspeitas" sem usar a farda e equipamentos da PM.

Em ao menos uma chacina, ocorrida em julho em Osasco, na Grande São Paulo, a Polícia Civil tem indícios fortes da participação de ex-policiais militares.

Suspeita-se também que o aumento das mortes teria sido provocado por criminosos oportunistas, que teriam decidido fazer acertos de contas com rivais, para que os crimes fossem atribuídos a policiais.

O governo explica o aumento dos homicídios como fruto de disputas de poder entre traficantes de drogas.

Escalada

A mais recente escalada de mortes começou no dia 4 de outubro, deflagrada por mortes de policiais seguidas por chacinas cometidas por atiradores mascarados.

A ocorrência quase diária de homicídios múltiplos culminou em uma polêmica envolvendo o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo e o então secretário estadual da Segurança Pública, Antônio Ferreira Pinto.

Cardozo disse ter oferecido ajuda federal para combater a onda de crimes, mas Ferreira Pinto teria afirmado que São Paulo conseguiria resolver o problema sem ajuda federal.

Dias depois, a intensificação dos crimes fez o governador Geraldo Alckmin entrar no debate e aceitar a ajuda do governo Dilma Rousseff. Ações de vigilância de fronteira e transferências de detentos para presídios federais começaram a ser implementadas.

A polêmica desgastou Ferreira Pinto e resultou em sua substituição nesta quarta-feira pelo ex-procurador geral de Justiça Fernando Grella Vieira - que já afirmou que pretende fazer mudanças na política de segurança pública de São Paulo. Ele deve apontar nesta quinta-feira uma nova cúpula para as polícias.

Ferreira Pinto esteve por mais de três anos à frente da Secretaria da Segurança Pública. Antes havia comandado por quase três anos a pasta da Administração Penitenciária.

"A queda do secretário é possivelmente uma consequência da ineficácia da política de segurança", disse Camila Nunes Dias, pesquisadora do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo e da Universidade Federal do ABC.

Segundo ela, a gestão de Ferreira Pinto foi responsável por um endurecimento das ações da polícia e do aprofundamento da divisão entre a Polícia Civil e a Polícia Militar.

Ela afirmou que a solução da atual crise de segurança exige uma concepção de política de segurança de médio e longo prazo.

A atual política, afirmou, dá prioridade a soluções de curto prazo, que envolvem policiamento ostensivo, enfrentamento direto e encarceramento. "Isso é ficar sempre apagando incêndios. Vamos ser se a troca do secretário trará alguma mudança".

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