Com ofensiva terrestre, Israel pode sofrer revés internacional

Atualizado em  20 de novembro, 2012 - 05:44 (Brasília) 07:44 GMT
Gaza / Getty

Caso Israel escolha uma invasão terrestre, pode perder apoio internacional

Israel recebeu de seus principais aliados nos Estados Unidos e na Europa - muitos dos quais culparam o Hamas pela escalada do conflito - uma janela pela qual o país pudesse agir.

Mas agora essa janela está se fechando.

Se Israel continuar com suas operações aéreas, o número de mortos vai aumentar e o apoio diplomático ao país vai desaparecer.

Um fim de semana de negociações diplomáticas intensas, envolvendo Egito, Turquia e Catar, não alcançou muita coisa até agora.

Mas, agora, o objetivo comum é tentar interromper o conflito antes que Israel lance uma ofensiva terrestre na Faixa de Gaza. Algo que vai apenas elevar ainda mais o número de palestinos mortos.

O chanceler britânico William Hague disse nesta segunda-feira que o apoio internacional às operações israelenses será avaliado se o país decidir usar suas tropas em solo.

"Uma invasão terrestre é algo muito mais difícil de obter a simpatia ou apoio da comunidade internacional, incluindo o Reino Unido", disse.

Na realidade, há pouca motivação em Israel – seja no governo ou entre os militares – para uma incursão na Faixa de Gaza.

Analistas israelenses acreditam que uma grande parte dos objetivos militares do país foram atingidos nos primeiros dois dias de conflitos.

O aumento no número de civis mortos na Faixa de Gaza, e a consequente mudança no apoio internacional ao país, provavelmente tem um peso maior do que qualquer avanço modesto em termos de destruição de foguetes ou de infraestrutura do Hamas.

É preciso lembrar que foi o atual ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, que em 2008-2009 quis impedir uma grande incursão terrestre em Gaza, após os primeiros dias de conflito.

Sua opinião foi suplantada pela decisão do então premiê Ehud Olmert.

Mas sem um acordo e com as forças israelenses prontas para agir, uma fase de ataque terrestre ainda não pode ser descartada.

Então, qual seria a melhor maneira de colocar um fim nesse conflito?

Qualquer acordo real teria de ser informal – Israel e Hamas não vão sentar em uma mesa de negociações e assinar um pedaço de papel.

Ambos querem sair do impasse com algo para exibir.

Para os israelenses, o objetivo é por fim aos ataques de foguetes e iniciar um longo período de calmaria. Isso significa que o Hamas também terá de se esforçar para controlar grupos mais radicais que querem manter os ataques contra Israel.

Já o Hamas também quer obter alguns benefícios tangíveis, seja a abertura dos pontos de controle ou outras medidas que reduzam o que muitos palestinos veem como um "estado de sítio" que caracteriza suas vidas.

Oportunidade

A visita à região do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pode fornecer alguns elementos diplomáticos para avançar as discussões.

Sua visita também vai fornecer um oportunidade para os israelenses recuarem e talvez suspenderam as ações terrestres.

Tudo depende do volume de foguetes disparados de Gaza e, principalmente, de que alvos eles acertarão.

Um ataque em uma área populosa de Tel Aviv ou Jerusalém certamente mudaria o jogo.

Mas uma das razões pelas quais a diplomacia foi até agora incapaz de por fim ao conflito está justamente no fato de que a comunicação diplomática na região mudou significativamente.

A falta de laços diplomáticos estreitos entre Israel e Turquia é um dos fatores. No entanto, a mudança mais importante é o novo governo do Egito, agora, de certa maneira, mais simpático aos palestinos e certamente mais suspeito em relação a Israel.

Canais experimentados e testados várias vezes que já mitigaram conflitos no passado agora não estão mais em operação do mesmo jeito.

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