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Como troca de e-mails ajudou a derrubar diretor da CIA

Atualizado em  13 de novembro, 2012 - 19:43 (Brasília) 21:43 GMT
Petraeus em foto de arquivo (Getty)

Petraeus renunciou ao comando da CIA na sexta-feira

Mensagens de e-mail estão no centro da polêmica envolvendo o ex-diretor da CIA, David Petraeus, e sua amante e biógrafa, Paula Broadwell.

Petraeus renunciou na sexta-feira passada ao comando da agência americana de inteligência por causa do escândalo envolvendo o relacionamento extraconjugal.

Durante o caso, ele e Broadwell trocaram mensagens e usaram regularmente o Gmail. Agora, essa correspondência é considerada chave para a investigação do FBI (que apura, entre outras coisas, se houve quebra de segurança nacional na troca de mensagens).

A correspondência ofereceu ao FBI pistas digitais, mas os investigadores inicialmente não tinham ideia da magnitude do que estavam prestes a descobrir. Na verdade, a investigação começou quando Jill Kelley, uma socialite da Flórida, disse a um amigo no FBI que havia recebido e-mails ameaçadores advertindo-a para que parasse de confraternizar com líderes sêniores das Forças Armadas americanas.

Como favor a Kelley, esse amigo começou a investigar os e-mails, pensando se tratar de um caso de assédio cibernético, segundo informou a rede americana NBC.

A apuração logo cresceu, já que os e-mails ameaçadores frequentemente citavam informações de encontros privados de generais ligados aos Comandos Central e do Sul das Forças Armadas, cujo comando fica em Tampa (Flórida).

A investigação quase emperrou porque as contas de e-mails das mensagens haviam sido registradas anonimamente. No entanto, era possível identificar o endereço de IP (Protocolo de Internet) dos computadores de onde as mensagens foram mandadas.

Como quase todos os endereços de IP se relacionam a uma empresa, a um governo, a uma agência ou a um provedor de internet, é possível estabelecer de qual rede as mensagens partiram.

Acredita-se que, a partir disso, o FBI tenha feito uma lista levantando as possibilidades de quem estaria nos locais de origem no momento quando as mensagens foram enviadas.

Biógrafa

Jill Kelley (esq) recebeu e-mails ameaçadores atribuídos a Paula Broadwell (dir)

O nome de Paula Broadwell apareceu com frequência nessa lista. Ela é uma ex-militar e pesquisadora acadêmica que conheceu Petraeus em 2006, para escrever um projeto acadêmico sobre seu estilo de liderança. Sua pesquisa acabou servindo de base à biografia do general.

Logo as investigações apontaram que as mensagens foram mandadas de hotéis onde ela se hospedou durante a turnê promocional dessa biografia.

Quando o FBI estabeleceu que Broadwell era a autora das mensagens ameaçadoras a Kelley - amiga de Petraeus e de sua mulher, Holly -, os investigadores obtiveram um mandado de busca que lhes deu acesso à conta anônima de e-mail. Assim foram descobertos indícios do caso entre ela e Petraeus e da forma como esse relacionamento foi mantido em sigilo.

O truque usado era o de duas pessoas terem acesso ao login e à senha de uma conta de e-mail. Assim, em vez de mandar mensagens um ao outro, eles escreviam rascunhos de e-mails que nunca chegavam a ser enviados.

O uso de uma conta compartilhada de Gmail provavelmente parecia seguro o bastante, já que os dois não imaginaram que seriam alvo de uma investigação do FBI.

No primeiro semestre de 2012, segundo relatos, Broadwell começou a ter ciúmes de Jill Kelley, que ela acreditava estava competindo pelas atenções do general. Os e-mails anônimos enviados a Kelley aparentemente faziam advertências para que esta se mantivesse longe do general.

FBI

No final de outubro, o FBI tomou o depoimento de Broadwell, que admitiu o romance com Petraeus. Este foi interrogado na semana seguinte. Em seguida, no dia das eleições presidenciais, o FBI notificou James Clapper, diretor de inteligência nacional dos EUA que reporta diretamente à Casa Branca.

Clapper então pediu que Petraeus renunciasse e informou a Casa Branca no dia seguinte. Petraeus entregou sua renúncia ao presidente Barack Obama na quarta-feira passada, e este aceitou-a na sexta-feira.

A questão não deve resultar em acusações formais. Adultério é considerado crime sob a lei militar, mas acredita-se que o romance de Petraeus tenha começado depois de ele ter deixado o comando do Exército.

Não há nenhum indício de que Kelley, que trabalha voluntariamente como relações públicas de uma base militar em Tampa, tenha tido qualquer tipo de relacionamento amoroso com Petraeus.

Em comunicado, ela e seu marido confirmaram sua amizade com a família do general e pediram para que sua privacidade fosse respeitada.

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