Ingresso 'superfaturado' para shows dos Stones divide o mundo pop

Atualizado em  28 de outubro, 2012 - 14:21 (Brasília) 16:21 GMT
Mick Jagger, dos Rolling Stones (Getty Images)

Até Mick Jagger reconhece que ingressos são caros

O mais barato ingresso para assistir um dos shows que os Rolling Stones farão neste ano na Grã-Bretanha é de 106 libras (cerca de R$ 345) e o mais caro, para a área VIP à beira do palco, batizada de ''ponta da língua'', é de 1.140 libras (cerca de R$ 3.715).

A série de apresentações foi chamada pela mídia de ''o show mais superfaturado de todos os tempos''. Em sua conta de Twitter, o apresentador de rádio americano Richard Dixonon brincou dizendo que ''por esse preço, espero que eles deixem que eu toque bateria''.

''Será que eles já não tem dinheiro o suficiente'', indaga Tom Chaplin, do grupo Keane, cuja turnê atual tem ingressos que custam de 31 a 52 libras (cerca de R$ 101 a R$ 169).

''É algo exclusivo, esse é o problema. É algo que não aproxima a música deles aos jovens que estão vindo por aí, o que é uma pena. Vai ser uma coisa apenas para um grupo de engravatados'', acrescenta Chaplin.

'Mundo isolado'

Mas James Dean Bradfield, do grupo Manic Street Preachers, afirma que os Stones têm o direito de cobrar o quanto quiserem. ''Eles estão acima e além de qualquer repreensão. Eles existem em um mundo isolado de todos os demais. É impossível julgá-los. Eles realmente são uma uma instituição, nem mesmo no mau sentido da palavra. É apenas o que eles são.''

O cantor Alice Cooper concorda. ''Pelos Stones, eu pagaria qualquer coisa. Eles são os Stones''. Cooper está trazendo sua turnê Hallowe'en Night of Fear para o estádio Wembley Arena, em Londres, nesta semana. Apesar de seus concertos contarem com recursos elaborados - desde guilhotinas até um Frankestein gigante - ele está cobrando uma taxa relativamente modesta, de 42 libras (cerca de R$ 137).

''Nem sei quanto irão custar nossos ingressos, para falar a verdade. Eu nem me meto nessa parte, mas tenho certeza que serão bem mais baratos que os dos Stones'', comenta.

Aumento brutal

Preços de ingressos tiveram um aumento brutal na última década, enquanto os lucros gerados pela gravação de música registraram uma forte queda.

Segundo a revista Forbes, quase todos os 25 artistas mais bem pagos do mundo em 2011, devem a maior parte de seus lucros à realização de shows.

No topo da lista, está o U2, que faturou mais de US$ 700 milhões (cerca de R$ 1,4 bilhão) de ingressos com sua turnê 360 - uma das mais lucrativas na história da música.

Mas as finanças de turnês musicais são complexas. Muitos grandes artistas só conseguem equilibrar seus gastos após semanas ou mesmo meses na estrada. Os custos de produção envolvem contratação de caminhões, efeitos pirotécnicos, telões de vídeo, despesas alimentares, acomodação e seguro.

Mesmo quando artistas conseguem patrocínio de grandes marcas, muitos destes custos acabam sendo passados para o público.

Lady Gaga x Elton John

A última turnê da cantora Lady Gaga teve venda de ingressos semelhatne à última do cantor Elton John, mas devido aos seus custos de produção mais elaborados - desde uma equipe de dançarinos até figurinos elaborados e bonecos hidráulicos - seu lucro ficou abaixo do obtido pela série de shows do artista britânico.

O resultado das extravagâncias da cantora é que, de acordo com a Forbes, Lady Gaga faturou ''apenas'' US$ 90 milhões (cerca de R$ 182 milhões) em 2011, contra US$ 100 milhões (R$ 202 milhões) de Elton John.

Lady Gaga (Reuters)

Shows extravagantes e elaborados, como os de Lady Gaga, acabam custando mais para o artista

A banda de rock espacial Muse se tornou conhecida por suas ambiciosas apresentações, em que até mesmo um disco voador chega a ''pousar'' no palco. Mas eles insistem que os ingressos cobrados ao público não devem ultrapassar um teto.

''Nós nem sempre zeramos nossas contas, para falar a verdade'', afirma o baixista do Muse, Chris Wolstenholme. O grupo está cobrando de 33 a 65 libras (entre R$ 67 e R$ 131) para os shows que fará em Londres nesta semana.

''Você quer ganhar um pouco de dinheiro, mas ao mesmo tempo o mais importante é tocar ao vivo. Nós provavelemnte poderíamos faturar muito mais, se fizéssemos shows sem qualquer produção e se cobrássemos valores ridículos. Mas não é por aí. Temos tentando manter os preços dos ingresos o mais baixo que podemos, talvez outros grupos devessem tentar fazer o mesmo, mas é difícil'', comenta Wolstenholme.

Palavra de Jagger

Mas o que seria um preço justo? Par alguns, é uma questão de proporção. ''Se nós fazemos um show em Londres, 10 ou 15 libras (cerca de R$ 20 a R$ 30) parece um preço justo'', afirma Joe Newman, dos novatos da banda de rock alternativa Alt-J, cotada para vencer a edição deste ano do Mercury, o prêmio máximo da música pop britânica.

Tim Burgess, dos Charlatans, afirma pagar regularmente cerca de 2 libras (R$ 6,50) para ver grupos novos, enquanto que Alice Cooper conta que o máximo que ele já pagou foram ''exorbitantes cinco libras''.

E a quantia foi desembolsada justamente para assistir aos Rolling Stones, em uma apresentação realizada em 1965, na cidade americana de Phoenix. ''Esse tanto foi o equivalente a duas semanas de gasolina do carro, mas valeu à pena. Era Brian Jones, Bill Wyman, os Rolling Stones originais''.

Atualmente, ele iria direto para a lista de convidados, o que talvez explique o porquê de roqueiros veteranos frequentemente cobrarem quantias que parecem ser desconectadas com o mundo real - eles nunca têm de pagar por ingressos.

Mas o que sir Mick Jagger pensa a respeito dos ingressos salgados para os shows de sua banda. ''Bem, sei que é muito, na verdade. Mas parece haver uma demana, o que é algo bom. Não vou me aprofundar nisso.''

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