Como dez forças políticas saem das eleições

Atualizado em  29 de outubro, 2012 - 11:44 (Brasília) 13:44 GMT
Eleições. Montagem ABr

A disputa é para a administração local, mas o jogo de poderes que envolvem as eleições municipais vai muito além dos interesses mais básicos dos moradores das cidades envolvidas.

Lideranças nacionais tiveram papel preponderante na escolha de novos prefeitos país afora. O resultado das urnas pode ser interpretado como termômetro da administração federal - indicando como se dará o jogo político em 2014.

"Esse reflexo se dá sobretudo em grandes cidades, em grandes colégios eleitorais que têm segundo turno", diz o professor João Luiz Passador, do Centro de Estudos em Gestão e Políticas Públicas Contemporâneas da USP de Ribeirão Preto (SP).

Mas para grande parte dos eleitores, o fato de a cidade estar sendo bem ou mal administrada é o principal elemento na hora de escolher seus governantes.

"Não é só porque Lula ou Dilma apoiam um candidato que ele vai ganhar a eleição. Fatores como a máquina do partido, os militantes, os recursos financeiros e, claro, a expectativa do eleitor são elementos que podem decidir uma campanha”, diz o sociólogo Marco Aurélio Nogueira, do Instituto de Políticas Públicas e Relações Internacionais da Unesp, em Araraquara (SP).

Veja quem são os dez protagonistas dessas eleições, na lista elaborada pela BBC Brasil, com colaboração dos especialistas citados.

1. Dilma e o governo

Fernando Haddad e Dilma Roussef (foto: Getty Images)

Dilma Rousseff apoia candidato do PT Fernando Haddad antes do segundo turno

A presidente disse que não subiria no palanque nas eleições municipais, mas subiu. Dilma teve papel importante na eleição de Fernando Haddad em São Paulo, ex-ministro da Educação. Chegou até a abrir espaço em seu ministério para a senadora Marta Suplicy, preterida na campanha paulistana.

Dilma também empenhou forças em Belo Horizonte, onde rivalizou com o senador Aécio Neves, seu possível rival tucano em 2014. Mas, seu candidato, Patrus Ananias, foi derrotado pelo atual prefeito, Márcio Lacerda (PSB).

2. Lula e o PT

Fora do Planalto e após tratar um câncer, o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva voltou com toda força ao jogo político. Ele foi o grande fiador de Fernando Haddad, em São Paulo - derrotando o antigo rival José Serra.

O ex-presidente subiu em palanques de diversas cidades, mas não conseguiu assegurar vitórias em municípios importantes. No Recife, a prefeitura foi perdida para o PSB. Em Salvador, a vitória foi de ACM Neto, do DEM.

3. José Serra

José Serra

Após ser vencido em São Paulo, Serra tem poucas chances de concorrer novamente à Presidência

Liderança histórica do PSDB, ex-ministro, ex-governador e ex-prefeito, José Serra sai da campanha fragilizado.

A derrota para Haddad coloca em xeque a viabilidade de sua candidatura para cargos executivos no futuro. No PSDB, ele deve ter poucas chances para superar a candidatura à Presidência de Aécio Neves.

Colaboraram para sua derrota em São Paulo a administração impopular do atual prefeito e seu apadrinhado Gilberto Kassab e polêmicas em relação ao chamado kit-gay.

4. Fernando Haddad

Fernando Haddad é a cara nova do PT em São Paulo. Quadro técnico do partido, Haddad virou ministro da Educação de Lula na reforma ministerial causada pelo escândalo do mensalão.

Na campanha, enfrentou críticas sobre erros na aplicação do Enem. Também foi atacado por setores conservadores por promover o chamado kit-gay - parte da política anti-homofobia de seu ministério.

Apesar da estreia tímida na campanha, o candidato cresceu, passou ao segundo turno e impôs uma derrota marcante ao PSDB.

5. Aécio Neves e o PSDB

Ex-governador mineiro e provável candidato do PSDB à Presidência em 2014, Aécio Neves fez das eleições municipais uma plataforma para se projetar nacionalmente como oposição ao governo Dilma.

Aécio sai fortalecido com a derrota de seu principal rival tucano, José Serra. Além disso, assegurou a vitória de seu candidato, Márcio Lacerda, em Belo Horizonte.

Já o PSDB, apesar de conquistar prefeituras importantes como a de Belém e Manaus, sai fragilizado com a perda de seu principal reduto: São Paulo.

6. Eduardo Campos e o PSB

O governador de Pernambuco Eduardo Campos talvez tenha sido o grande favorecido nas eleições municipais. Seu partido, o PSB, foi o que mais cresceu entre as grandes e médias legendas do país, conquistando 442 prefeituras.

O PSB manteve a prefeitura de Belo Horizonte, derrotou o PT em Recife, avançou sobre cidades do interior como Campinas (SP) e se portou como ameaça ao PT.

A aproximação com Aécio Neves abriu especulações sobre aspirações de Campos para 2014, como uma eventual candidatura à Presidência.

7. Paes, Cabral e o PMDB

O PMDB permaneceu como o partido que mais elege prefeitos no país, com 1024 prefeituras.

O vice-presidente Michel Temer teve papel importante nas articulações, permanecendo afinado com o PT de Dilma. A principal vitória do partido foi a reeleição em primeiro turno de Eduardo Paes, no Rio de Janeiro, Estado também governado pelo PMDB.

8. Kassab e o PSD

O prefeito de São Paulo tem motivos para comemorar e lamentar os resultados das urnas. O partido fundado por ele conquistou 497 prefeituras e teve um crescimento significativo no cenário político nacional. Por outro lado, a administração mal avaliada de Kassab fez dele um dos principais responsáveis pela derrota de Serra em São Paulo.

9. STF e o mensalão

De forma indireta, o Supremo Tribunal Federal (STF) teve papel preponderante nas eleições ao confirmar a constitucionalidade da lei da Ficha Limpa, que barrou muitas candidaturas país afora.

Durante as eleições, o STF também julgou o mensalão, maior escândalo de corrupção do país nos últimos anos. A oposição tentou usar o julgamento para desconstruir a imagem do PT. Mas, ainda não é possível definir o real impacto do julgamento no resultado das eleições.

10. DEM

Principal parceiro do PSDB durante os oitos anos do governo FHC, o Democratas, que já havia perdido terreno nas eleições de 2010, destaca-se por diminuir ainda mais. A perda de relevância do partido, que já teve preponderância em Brasília, deve ter impacto no plano nacional. O partido conquistou 278 prefeituras, uma redução de quase 50% em relação às que controlava. Por outro lado recuperou Salvador, com a vitória de ACM Neto

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