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Lucas Mendes: Homem 1%

Atualizado em  18 de outubro, 2012 - 11:44 (Brasília) 14:44 GMT

537. Estes foram os votos da vitória na Flórida que derrotaram Al Gore e levaram George Bush à Presidência. Menos de 0.01% do total. Muito, muito abaixo de 1%, que é a percentagem de Gary Johnson, do Partido Libertário, nas pesquisas da Flórida, onde Romney e Obama estão empatados.

Em 2000, Ralph Nader, candidato do Partido Verde e do Partido Progressista de Vermont, recebeu 97 mil votos, 2% do total. Muitos culpam Nader pela derrota de Al Gore.

Big J.

Quando era estudante na Universidade do Novo México, Gary Johnson batia de porta em porta se oferecendo para consertar qualquer coisa na casa, do encanamento à eletricidade.

Sua operação de um homem só se transformou na empresa Big J., a maior construtora do Estado.

Homem veto

Rico e republicano, entrou na política pela primeira vez em 1994, como candidato a governador do Novo México. Ganhou. E nos primeiros seis meses vetou duzentas leis.

Reelegeu-se para o segundo mandato e nos oito anos de governo vetou mais leis do que todos outros 49 governadores americanos juntos.

Quando tomou posse tinha herdado um déficit de 326 milhões. Quando saiu, deixou um saldo de mais de 1 bilhão de dólares, mas o Novo México em educação e questões sociais é um exemplo a ser evitado.

Pepsi vs Coca

Durante o governo Bush, Gary Johnson ficou desiludido com os republicanos e democratas: "A diferença entre os dois partidos é como (a que existe entre) Coca-Cola e Pepsi Cola. Nenhuma." Ele se diz Perrier.

Ingressou no Partido Libertário e quando o candidato Ron Paul saiu do páreo, lançou sua campanha presidencial em um cassino de Las Vegas.

Nos dois extremos

Até eu votaria na plataforma social do libertário: pró-liberação da maconha e outras drogas, pró-aborto, pró-casamento gay. Ele está à esquerda de Obama.

Tem outras ideias atraentes: contra qualquer tipo de intervenção militar, contra um governo big brother. Mas sua proposta básica é extremista: um corte orçamentário de 43%.

Chances presidenciais do 1%? Muito abaixo de zero por cento.

Indiferença e apreensão

O chefe da campanha de Gary Johnson é Roger Stone, ex-assessor de Nixon e Reagan.

Roger tem uma tatuagem de Nixon no braço e abandonou o partido republicano este ano. Ele ajudou Johnson a arrecadar US$ 350 mil. Hoje, reduzidos a US$ 50 mil.

Até o mês passado o libertário foi visto com indiferença pelos republicanos e como arma dos democratas, acusados de registrar candidatos pró-Johnson em vários Estados.

Na Pensilvânia, os republicanos contra-atacaram com um ex-agente do FBI, que investigou a campanha para o registro de candidatos. Eles entraram com um processo para tirar o nome de Johnson das cédulas. Perderam, como haviam perdido outros processos para bloquear o nome do libertário da lista de candidatos.

Johnson vai disputar a eleição presidencial em 48 dos 50 estados.

Ele é um traço e um deboche nas pesquisas nacionais, mas é relevante nas estaduais. Por isso, a indiferença deu lugar a apreensão.

Em vários estados decisivos - como Virgínia, Flórida, Ohio, Nevada, e Colorado - as pesquisas colocam Obama e Romney com vantagens abaixo de 3%.

Gary Johnson, o Mr. 1%, pode fazer o presidente.

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