Visita de Merkel evidencia exaustão da Grécia com medidas de austeridade

Atualizado em  9 de outubro, 2012 - 18:29 (Brasília) 21:29 GMT
Merkel e Samaras | Crédito da foto: Getty

"Estamos exaustos", disse Samaras a Merkel, durante visita da chanceler alemã à Grécia.

A intenção da rápida visita desta terça-feira da chanceler (premiê) da Alemanha, Angela Merkel, à Grécia era nobre. Merkel saiu de Berlim rumo a Atenas para oferecer apoio e solidariedade ao governo grego, cujas medidas de austeridade fiscal vêm provocando intensos e seguidos protestos da população.

Mas o povo grego não gostou do acolhimento dado à mandatária alemã. Para muitos, recai sobre Merkel a culpa por todo o caos que a Grécia tem passado ultimamente.

Isso porque, como principal credora da ajuda financeira à Grécia, a Alemanha tem exigido grandes cortes de gastos por parte dos gregos.

Nas ruas da capital Atenas, o número de cartazes aludindo Merkel ao nazismo eram poucos. Porém, um grupo de manifestantes foi efusivamente aplaudido ao chegar uniformizado de oficiais nazistas, sugerindo que o governo de Berlim vem colocando em prática políticas similares àquelas tomadas por Adolf Hitler (1889-1945).

O aperto fiscal criou uma nova geração de ressentidos na Grécia, cuja ira volta-se sobretudo à Alemanha.

Prova disso foi o número de manifestantes que tomaram as ruas do país nesta terça-feira. Eles só foram contidos porque o governo grego fechou o acesso, com repressão policial, ao centro da capital. Mesmo assim, quando homens encapuzados enfrentaram as forças de segurança, chamava atenção a quantidade de idosos aplaudindo a empreitada.

O primeiro-ministro da Grécia, Antonis Samaras, entretanto, recebeu Merkel de braços abertos. Ele considerou a visita da chanceler alemã um sinal de uma tímida, porém bem-vinda mudança de atitude de Berlim com Atenas.

A impressão é de que a vinda de Merkel foi o capítulo mais dramático da vontade da Alemanha de querer a permanência da Grécia na zona do euro.

Samaras, que havia sido renegado por Berlim, disse a Merkel que "o povo da Grécia está sangrando nesse momento, mas determinado a permanecer no euro e ganhar a batalha pela competitividade".

Merkel, por sua vez, disse que o corte de gastos valerá a pena. A população grega, declarou, está "passando por um período difícil; muito se tem cobrado dela e esse é o motivo pelo qual devo destacar e elogiar a maneira como ela está atravessando um caminho tortuoso".

As palavras da chanceler alemã tiveram boa acolhida, mas a mensagem de austeridade permanece.

"Nós temos de encarar os problemas que criamos durante décadas", disse ela. Em outras palavras: mais tempo será necessário. Porém, em nenhum momento, Merkel falou de um novo empréstimo ou mesmo de um afrouxamento das regras do atual pacote de resgate à Grécia.

Exaustão

Dados gerais da Grécia

População: 10,8 milhões

PIB: US$ 294,4 bilhões

Desemprego: 20,5%

Dívida (em % do PIB): 165,3%

Déficit (em % do PIB): -9,1%

Os dados são de 2011

Fonte: Eurostat

Nos próximos dez dias, a Grécia terá de apresentar provas de que conseguiu poupar 13 bilhões de euros (R$ 34 bilhões) para receber a próxima etapa do empréstimo. Sem isso, o país não poderá honrar sua dívida com credores no fim de novembro.

Logo quando Merkel se encontrou com o presidente da Grécia, houve um rápido instante em que a diplomacia foi posta de lado. "Estamos exaustos", disse Samaras à chanceler alemã, em alusão ao duro efeito das medidas de austeridade sobre o povo grego.

Mas essa é a realidade atual da zona do euro. As medidas que vêm sendo tomadas, não raro, são defendidas porque se acredita que o aperto fiscal e as reformas estruturais trarão prosperidade no futuro.

O que ainda é incerto é até quando durará a paciência da população dos países endividados da Europa. Eles darão tempo a seus parlamentares ou, no final, a fúria da crise tomará de vez as ruas?

O primeiro-ministro da Grécia disse que seu país está passando pelo equivalente à "Grande Depressão". Apesar de a economia ter registrado queda de 23%, em cinco anos mais cortes estão sendo planejados. Dados mais recentes indicam que a dívida em relação ao PIB da Grécia já alcança 182%.

Merkel afirmou nesta terça-feira que "muito do caminho já está para trás".

A realidade da Grécia, entretanto, não parece dar sinais de que o caminho à prosperidade esteja chegando a um destino.

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