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PT e PSDB travarão duelo nacional no 2º turno em São Paulo

Atualizado em  8 de outubro, 2012 - 04:11 (Brasília) 07:11 GMT
José Serra e Fernando Haddad

Disputa entre José Serra e Fernando Haddad atrairá figuras nacionais da política

A passagem do tucano José Serra e do petista Fernando Haddad para o segundo turno da eleição municipal em São Paulo deve tornar a cidade palco de uma disputa nacional, envolvendo algumas das principais figuras políticas do país.

Embora as últimas pesquisas antes da eleição mostrassem que Serra e Haddad tinham chances de ir ao segundo turno, a derrota do candidato do PRB, Celso Russomanno, surpreendeu muitos eleitores.

Russomanno liderou as pesquisas durante a maior parte da campanha e chegou a abrir mais de dez pontos de vantagem em relação a Serra, então, na segunda colocação.

Na contagem final, o tucano obteve 31% dos votos, enquanto Haddad recebeu 29%. Terceiro colocado, Russomanno foi o escolhido de 22% dos eleitores, seguido por Gabriel Chalita (PMDB), com 14%.

Tanto o partido de Russomanno (PRB) quanto o de Chalita (PMDB) integram, ao lado do PT, a coalizão do governo federal.

Anunciados os resultados, Haddad indicou em discurso que buscará uma aliança com os dois candidatos derrotados.

"Nós deixamos clara a nossa política de alianças desde o fim do ano passado. Nós buscaríamos o apoio de todos os partidos da base aliada do governo Dilma", disse Haddad.

"Sem nenhum veto, nenhuma restrição, nós entendemos que, se os partidos apoiam o projeto nacional e se nós queremos que esse projeto nacional tenha uma expressão forte em São Paulo, a favor de uma mudança na qualidade de vida dos moradores da cidade, respeitando o tempo de cada partido, de cada candidato, buscaremos o apoio desses partidos."

Além do apoio dos dois candidatos, Haddad espera contar com o alto índice de rejeição contra Serra para se eleger em São Paulo. De acordo com pesquisa do Datafolha, divulgada no sábado, o tucano é rejeitado por 42% dos eleitores paulistanos. Haddad, por sua vez, tem rejeição de 25%.

Segundo o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, a disputa em São Paulo apresenta um "excelente cenário" para o PT.

"No fundo, todo petista queria este embate", disse ele. Cardozo afirmou que a presidente Dilma Rousseff participará "com mais afinco" do segundo turno em São Paulo.

Dilma ingressou na campanha de Haddad em sua reta final. Já o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva articulou a candidatura do petista e participou ativamente da campanha desde o seu início.

No segundo turno, espera-se que ele mantenha a dedicação.

Ex-prefeita de São Paulo pelo PT, a atual ministra da Cultura, Marta Suplicy, também se mostrou disposta a se esforçar mais por Haddad no segundo turno. "Se tiver que pegar avião às 7h da noite em Brasília para voltar na manhã seguinte, vou fazer".

Preterida na escolha do candidato petista em São Paulo, Marta relutou em apoiar Haddad e só ingressou em sua campanha nas últimas semanas, dias antes de ser nomeada ministra da Cultura.

Mensalão

Já o tucano José Serra aposta que o julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) abalará a candidatura do petista. Desde o início do julgamento sobre o principal escândalo do governo Lula, o tribunal já condenou 22 dos 37 réus.

Nesta semana, três figuras chave do PT devem ser consideradas culpadas pelo órgão: o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, o ex-presidente da sigla José Genoino e o ex-tesoureiro Delúbio Soares.

Em discurso após passar ao segundo turno, Serra fez menção ao caso. Segundo o tucano, os valores éticos na política "ameaçavam sair de moda no Brasil, mas, com o STF, eles estão voltando".

Candidato a vice-prefeito na chapa de Serra, Alexandre Schneider (PSD) disse que a rejeição ao tucano pode diminuir. "Eu acho que ainda dá para reverter”, afirmou.

Enquanto a campanha de Haddad para o segundo turno deverá ter participação ativa de Lula, Dilma e Marta, Serra deverá recorrer a duas das principais figuras do PSDB – o governador paulista Geraldo Alckmin e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

A nacionalização da disputa evidencia a importância política atribuída à cidade de São Paulo. Segundo analistas, tucanos e petistas avaliam que governar o maior colégio eleitoral do país é importante para obter bom desempenho na corrida ao governo estadual, em 2014, além de conferir uma boa base de apoio na próxima disputa presidencial.

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