Romney expõe próprios dilemas ao criticar política externa de Obama

Atualizado em  8 de outubro, 2012 - 20:46 (Brasília) 23:46 GMT
Mitt Romney em discurso sobre política externa (Foto: AP)

Em discurso, Romney disse que com mais quatro anos de Obama o mundo vai ficar "mais sombrio"

Mitt Romney prevê uma catástrofe para todos nós: mais quatro anos de administração Obama e o mundo ficará um lugar "mais sombrio".

Mas se ele for eleito, Romney vai proteger os interesses dos EUA, promover seus valores e evitar conflitos. Além do mais, ele fará isso "sabiamente, com solenidade, sem falso orgulho, mas também firme e ativamente".

Para concretizar sua proposta, ele diz que fortalecerá as forças militares americanas e investirá mais na Marinha, construindo 15 novos navios por ano, ficando ao lado dos "amigos" e enfrentando os "inimigos". Ele daria nova ênfase aos acordos de livre comércio.

A parte central do argumento de Romney é que o presidente Obama não liderou o mundo, deixando o poder americano se atrofiar e criando um vácuo perigoso.

Como ele disse em seu discurso sobre política externa nesta segunda-feira: "Deixando nosso destino à mercê dos acontecimentos".

Não há dúvida de que existe uma diferença real na maneira como os dois homens veem o mundo e como eles acreditam que os EUA deveriam se comportar.

O que não é tão claro é o que, além da retórica, realmente mudaria se Romney estivesse na Casa Branca.

Para facilitar a compreensão do leitor, listo, abaixo, os principais pontos de vista levantados pelo adversário de Barack Obama em seu discurso desta segunda-feira.

Irã

Há uma real, apesar de sutil, diferença sobre o Irã. Romney diz que iria "evitar que eles adquiram capacidade de produzir armas nucleares". A política atual é de impedir que o Irã construa uma bomba.

Romney diz que é preciso "deixar claro para o Irã por meio de ações – e não apenas palavras – que seus objetivos nucleares não serão tolerados". Ele não diz quais seriam essas ações. Ele promete, assim como Obama, sanções mais duras.

Há uma atitude muito diferente em relação a Israel. Mitt Romney diz que as tensões entre Obama e o primeiro-ministro israelense são perigosas para o mundo.

Em termos práticos, Romney já disse que apoiaria qualquer ação militar de Israel contra o Irã.

A maior parte do discurso desta segunda-feira foi dedicada às revoluções no Oriente Médio.

Ele criticou o presidente por não ter uma estratégia global para a região. Isso soa como uma grande notícia, mas há, na verdade, pouco conteúdo.

Romney não diz o que faria diferente no Egito ou na Líbia. Ele não diz como incentivaria a democracia na Arábia Saudita ou no Bahrein.

Na verdade, ele não revela sua própria estratégia.

Síria

Sobre a Síria, ele diz que iria assegurar que a oposição consiga "as armas de que precisa para derrotar os tanques, helicóteros e jatos de Assad".

Ele não diz se os EUA ou outros aliados deveriam fornecer as armas. Ele não sugere que os EUA deveriam lançar uma ação militar na Síria.

Ele diz que o Iraque "foi prejudicado pela retirada abrupta de todas as nossas tropas". Ele não diz se enviaria as tropas de volta ao país.

Ele critica a política em relação ao Afeganistão como "uma retirada politicamente cronometrada…que abandona o povo afegão". Mas ele não promete manter as tropas americanas lá, dizendo apenas que iria "avaliar as condições em solo e buscar o melhor aconselhamento de nossos comandantes militares".

Romney já descreveu a Rússia como o maior inimigo geopolítico dos EUA, mas a "Rússia de Putin" mereceu apenas duas menções no discurso, quando ele alertou para a sombra lançada sobre jovens democracias e quando ele prometeu que não haverá "flexibilidade" em relação à defesa antimísseis.

A Rússia aparece melhor que a China, que ganhou apenas uma menção, um alerta de que sua "recente assertividade está espalhando calafrios pela região".

Democracias

Romney quer que os EUA apóiem agressivamente as democracias diante da tirania, mas ele não diz o que deveria acontecer quando a democracia produz resultados que os EUA talvez não gostem.

Ele não diz como, por exemplo, ele armaria os rebeldes na Síria e garantiria que as armas não acabassem nas mãos dos equivalentes políticos àqueles que assassinaram o embaixador americano na Líbia.

Ele não tenta graduar a diferença entre liderança e a impressão de que os EUA estão impondo sua vontade.

Como um ataque à política externa de Obama, foi um bom discurso de campanha, mas não deixou a impressão de que Romney tenha lidado com os dilemas muito reais que irá enfrentar caso se torne presidente.

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