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Com Cameron, Dilma defende ações brasileiras para enfrentar crise global

Atualizado em  28 de setembro, 2012 - 18:43 (Brasília) 21:43 GMT
Cameron e Dilma em reunião em Brasília nesta sexta-feira (AFP)

Presidente e premiê assinaram acordos em áreas como educação e cooperação olímpica

Em reunião com o primeiro-ministro britânico, David Cameron, a presidente Dilma Rousseff defendeu, nesta sexta-feira, a forma como o Brasil enfrentou a crise internacional. Também ressaltou as parcerias firmadas com o governo britânico, principalmente nas áreas de cooperação olímpica, educação, ciência e tecnologia e petróleo e energia.

"O Brasil tem feito a sua parte para a recuperação da crise mundial ao desenvolver incentivos ao crescimento do emprego e da demanda doméstica", afirmou a presidente brasileira em Brasília, ao pedir mais incentivos estatais dos países desenvolvidos a suas economias em crise.

Cameron - que enfrenta uma recessão econômica em casa e veio ao Brasil em busca de oportunidades comerciais - destacou os contratos de "70 milhões de libras (R$ 230 milhões)" assinados por 22 empresas britânicas para projetos relacionados à Copa de 2014 e aos Jogos Olímpicos de 2016.

Mas também disse que Brasil e Grã-Bretanha nem sempre concordam e mencionou, rapidamente, que é preciso "evitar o protecionismo" - em entrevista à Folha de S. Paulo, na última quinta-feira, Cameron afirmou que as medidas tomadas para proteger a indústria nacional, como as adotadas recentemente pelo Brasil, "têm custos a longo prazo e impedem o desenvolvimento de uma base industrial verdadeiramente competitiva e inovadora".

Outro destaque da fala do premiê nesta sexta foi sua declaração de apoio a uma reforma da ONU que inclua o Brasil como membro permanente de seu órgão mais importante, o Conselho de Segurança - um antigo pleito brasileiro. O britânico falou que o Brasil está "assumindo seu lugar no palco global".

Parcerias

A visita de Cameron ao Brasil incluiu passagens por São Paulo e Rio de Janeiro e resultou na assinatura de acordos diversos: em produção cinematográfica conjunta, em "legado econômico, social, ambiental e material" na organização de Olimpíadas, na participação do Reino Unido no programa Ciência Sem Fronteiras e em cooperações universitárias, entre outros temas.

A parceria no Ciência Sem Fronteiras é um dos destaques. Segundo o Itamaraty, prevê a ida de até 5 mil estudantes brasileiros para universidades do Reino Unido para cursos superiores de nível técnico entre janeiro de 2012 e agosto de 2016.

A cooperação, segundo o acordo bilateral, prevê "aumentar de forma significativa o número de estudantes aptos a participar do Programa de Intercâmbio e estudar no Reino Unido" e também de estudantes de doutorado.

No momento, dizem autoridades britânicas, 500 estudantes de graduação estão começando seus cursos em território britânico.

A parceria educacional também prevê a concessão de bolsas de doutorado e pós-doutorado nas áreas de pesquisa energética. Foi assinada uma carta de intenções entre a Universidade de Brasília e a BP (empresa petrolífera britânica) com o interesse de promover "estudos, pesquisas e projetos científicos relacionados ao setor de petróleo, seus derivados e gás natural relacionados, especificamente, com a Bacia do Parnaíba no Nordeste do Brasil".

Comércio bilateral e Oriente Médio

Já a cooperação olímpica prevê "compartilhar práticas" em áreas como planejamento do legado dos Jogos Olímpicos, segurança, transporte, meio ambiente e revitalização urbana.

Tanto Dilma como Cameron falaram em aumentar o comércio bilateral - que, no ano passado, foi de cerca de R$ 22 bilhões, de acordo com a embaixada britânica no Brasil.

A presidente brasileira ainda usou seu discurso para falar sobre os conflitos no Oriente Médio: opinou que "não há solução militar" para a crise na Síria e criticou a "crescente retórica em prol de uma ação militar no Irã".

"Consideramos que só uma ONU reformada pode garantir a prevalência de uma ordem baseada em regras. Neste contexto, eu reiterei meus agradecimentos ao apoio que o governo britânico tem dado ao Brasil para que ocupe um assento permanente na ONU", disse.

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