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Dilma rebate críticas sobre protecionismo e defende ‘legítima defesa’ na ONU

Atualizado em  25 de setembro, 2012 - 14:29 (Brasília) 17:29 GMT
Dilma Rousseff com Ban Ki-moon na ONU (Foto: AFP)

Presidente brasileira voltou a atacar países ricos por medidas anticrise e se defendeu de críticas

A presidente Dilma Rousseff defendeu a "legítima defesa comercial" ao rebater as críticas de que o governo brasileiro tem adotado medidas protecionistas para amparar a indústria nacional, durante discurso na 67ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, nesta terça-feira.

Falando no discurso de abertura da Assembleia, Dilma indicou que as medidas de proteção da indústria brasileira são uma resposta às ações de afrouxamento quantitativo nos países ricos – ou seja, a injeção de dinheiro nos mercados –, que desvalorizam as moedas nesses países.

"Os bancos centrais dos países desenvolvidos persistem em uma política monetária expansionista, que desequilibra as taxas de câmbio. Com isso os emergentes perdem mercado (de produtos de exportação), devido à valorização artificial de suas moedas", disse Dilma, que mais adiante qualificou esse ganho de competitividade dos países ricos de "espúria e fraudulenta".

"Não podemos aceitar que iniciativas legítimas de defesa comercial por parte dos países em desenvolvimento sejam injustamente classificadas como protecionismo. Devemos lembrar que a legítima defesa comercial está amparada pelas normas da Organização Mundial do Comércio (OMC)."

Economia

A presidente iniciou o discurso no organismo multilateral com a economia, "constatando" que muitos dos problemas que ocuparam sua participação na Assembleia Geral, em setembro do ano passado, ainda persistem.

Dilma voltou a criticar o que chamou de "falso dilema" econômico: a escolha de certos países desenvolvidos, como a Alemanha e a Grã-Bretanha, por políticas de austeridade fiscal que, no afã de equilibrar mais rapidamente as contas públicas, acabam ferindo o crescimento econômico.

"As principais lideranças do mundo desenvolvido ainda não encontraram o caminho que articula os ajustes fiscais apropriados com o estímulo ao investimento e à demanda, indispensáveis para interromper a recessão e garantir o crescimento econômico."

Ela defendeu, assim como tem feito em fóruns econômicos – o G20, grupo de países emergentes e desenvolvidos, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial, por exemplo –, uma articulação para "reconfigurar a relação entre política fiscal e monetária, para impedir um aprofundamento da recessão, controlar a guerra cambial e reestimular a demanda global".

Ela defendeu também um "amplo pacto" entre os países pela retomada do crescimento global.

"A História revela que a austeridade, quando adotada sem crescimento, derrota a si mesmo", argumentou.

‘Protecionismo’

A presidente brasileira chegou aos Estados Unidos sob críticas. Na semana passada, o representante de Comércio Exterior do Executivo americano, Ron Kirk, chamou de "protecionistas" a decisão do governo brasileiro de elevar tarifas de importação de bens industrializados, o que poderia gerar perdas para os exportadores americanos.

Ele argumentou que as medidas "vão contra os esforços mútuos" de liberalizar o comércio em nível mundial, "erodem" as negociações comerciais multilaterais e prejudicariam "significativamente" as exportações americanas em áreas "cruciais" da sua pauta de exportações.

O governo brasileiro anunciou neste mês a elevação –de em média 12% para 25%– das tarifas pagas sobre cem produtos importados para que entrem no Brasil. Este aumento será aplicado no fim de setembro, e outra lista de produtos está sendo preparada para outubro. Os aumentos ficam abaixo do teto de 35 % estabelecido junto à OMC.

Em resposta à acusação, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, acusou Washington de protecionismo pelo afrouxamento monetário empreendido pelo Fed (o banco central americano) ao prover o mercado de maior liquidez com uma "enxurrada de dólares".

O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, afirmou que a reclamação americana era "injustificável e inaceitável, tanto no conteúdo como na forma".

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