Bombardeio da Otan mata pelo menos oito mulheres civis no Afeganistão

Atualizado em  16 de setembro, 2012 - 11:54 (Brasília) 14:54 GMT
Mulher ferida em hospital em Laghman (Foto: AP)

Mulher ferida em bombardeio da Otan foi levada a um hospital em Laghman

Pelo menos oito mulheres morreram neste domingo em um bombardeio aéreo realizado por forças da aliança militar Otan, de acordo com informações de autoridades locais do Afeganistão.

A Otan reconheceu que entre cinco e oito civis morreram durante a sua ação que tinha como alvo insurgentes do Talebã. O caso está sendo investigado pela aliança militar.

O ataque aconteceu em uma remota região de Laghman, província no leste do país. As autoridades de Laghman confirmaram à BBC a morte de pelo menos oito mulheres, mas um integrante de um conselho político local disse que existe uma nona vítima.

O porta-voz da Otan, o militar Adam Wojack, disse à BBC que vários dos 45 insurgentes que eram alvos do bombardeio aéreo morreram.

"Infelizmente nós ficamos sabendo de possíveis fatalidades civis causadas pela Isaf [as forças internacionais] como resultado deste ataque, totalizando entre cinco e oito afegãos", disse.

"A Isaf oferece seus pêsames mais sinceros à comunidade afetada e aos familiares, assim como ao povo afegão em relação a esta perda trágica de vidas."

Pelo menos sete mulheres ficaram feridas. Uma autoridade de saúde local, Latif Qayumi, disse que meninas de até dez anos de idade estão entre os feridos.

O gabinete do governador de Laghman disse que algumas das civis mortas estavam nas montanhas juntando lenha e nozes, uma prática comum no vale do Noarlam Saib, onde ocorreu o ataque.

A região montanhosa e com densas florestas atraiu o Talebã, que se esconde na área.

A morte de civis acontece em meio a tensões entre os Estados Unidos e o presidente afegão, Hamid Karzai, sobre o tema.

No mês passado, dados da ONU indicavam que houve uma queda de 15% no número de civis mortos e feridos no primeiro semestre deste ano, em comparação com o mesmo período de 2011.

Policiais contra soldados

Também neste domingo, quatro soldados americanos foram mortos em ataques atribuídos a policiais afegãos. Este atentado na província de Zabul, no sul do país, elevou para 51 o número de soldados da Otan mortos por pessoas que trabalham para as forças de segurança afegãs.

No sábado, dois britânicos haviam sido mortos em um incidente semelhante. A Isaf ainda investiga o caso para tentar entender se os agressores eram de fato policiais, ou apenas insurgentes com uniformes.

Há suspeitas de que se trata de políciais de verdade, já que quatro oficiais afegãos desapareceram da base onde aconteceu o ataque.

A Otan revelou mais dados sobre o ataque da noite de sexta-feira a Camp Bastion, uma de suas bases de maior segurança, na província de Helmand. Na ocasião, dois fuzileiros navais americanos morreram.

A Otan disse que seis aeronaves US Harrier, três postos de reabastecimento e seis hangares foram destruídos. Quatorze insurgentes morreram no ataque, e um deles sobreviveu e está preso. Nove pessoas da coalizão de forças internacionais ficaram feridas.

A Otan disse que o ataque foi feito por pessoas que "pareciam estar bem equipadas, treinadas e ensaiadas".

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