Crise econômica espanhola aumenta pressão por independência da Catalunha

Atualizado em  12 de setembro, 2012 - 10:28 (Brasília) 13:28 GMT
Manifestação separatista em Barcelona (AFP)

Organizadores de manifestação falam em até 2 milhões de participantes

A crise econômica na Espanha está estimulando a campanha pela independência da Catalunha, uma das mais importantes regiões autônomas do país, que responde por um quinto da economia nacional e tem uma população de cerca de 7,5 milhões.

A maioria das pesquisas de opinião já realizadas na região sugerem que, no caso da realização de um referendo sobre a independência da região, a maioria votaria a favor.

Na terça-feira, 11 de setembro, a Catalunha celebrou o seu dia nacional, conhecido como La Diada, marcando a data com uma das maiores manifestações já vistas em sua capital, Barcelona.

Segundo os organizadores da manifestação separatista, cerca de 2 milhões de pessoas participaram. A polícia catalã, conhecida como Mossos, fala em 1,5 milhão.

A Guarda Civil Espanhola tem números menores, cerca de 600 mil manifestantes.

Falando à BBC, o presidente da Catalunha, Artur Mas, afirmou que "se não houver um acordo econômico, a estrada para a liberdade está aberta".

Essencialmente, Mas mandou o recado ao primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, que, se o governo da Espanha não der à região um acordo econômico mais favorável, o governo catalão vai pressionar pela independência da Catalunha.

A coalizão política liderada por Mas é nacionalista de centro-direita e, teoricamente, não é a favor da independência. Mas, com a crise econômica, este quadro parece estar mudando.

'Pacto fiscal'

O acordo ao qual o presidente catalão se refere é conhecido na Espanha como "pacto fiscal".

Presidente da Catalunha, Artur Mas (Reuters)

Presidente da Catalunha, Artur Mas, não descarta campanha pela independência

A Catalunha afirma que paga ao governo central em Madri 15 bilhões de euros (mais de R$ 38 bilhões) a mais do que recebe de volta em verbas para serviços e projetos públicos.

Em agosto, quando a região, que é a mais endividada da Espanha, afirmou que vai precisar de 5 bilhões de euros (quase R$ 13 bilhões) do fundo de ajuda do governo espanhol para regiões autônomas endividadas, fontes do governo catalão sugeriram, em conversas particulares, que eles estavam apenas "pedindo o dinheiro de volta".

O governo central em Madri não deve aceitar este argumento ou a exigência da Catalunha, de que qualquer empréstimo do fundo de ajuda do governo deve ser feito sem que os catalães assumam compromissos com o governo espanhol.

O governo catalão quer, basicamente, coletar e gerenciar seus próprios impostos.

Mas o grande obstáculo para isto é que o próprio governo da Espanha está sem dinheiro e ainda precisa lidar com a recessão que afeta o país.

Fragmentação do país

A Catalunha tem seu próprio idioma e cultura, com diferenças claras em relação ao resto da Espanha. No entanto, o país ainda está muito longe de se transformar no próximo país independente da Europa.

Manifestação separatista em Barcelona (AP)

Governo central espanhol não aceita ideia de independência da Catalunha

Apesar das manifestações e declarações do presidente da Catalunha, o governo central da Espanha se recusa a discutir a ideia e acredita que qualquer tentativa da região se transformar em um país independente é inconstitucional.

E a questão traz de volta um problema da época da violenta guerra civil espanhola, o temor da desintegração do país.

Nos anos de transição para a democracia, a questão das regiões autônomas foi gerenciada cuidadosamente pelo governo.

Muitos também podem se perguntar qual seria a opinião dos líderes europeus mais poderosos, como a chanceler alemã Angela Merkel, sobre a questão catalã, dentro do contexto da crise econômica europeia.

E a resposta é que, provavelmente, Merkel não aprovaria a ideia de uma Espanha mais fragmentada e economicamente mais fraca.

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