Coca-Cola volta a Mianmar após 60 anos; só dois países não vendem a bebida

Atualizado em  11 de setembro, 2012 - 10:25 (Brasília) 13:25 GMT
Coca-Cola | Foto: BBC

Anúncio da Coca-Cola em Zagreb, na Croácia; só dois países não vendem a bebida atualmente

A Coca-Cola vai voltar a ser vendida em Mianmar após uma interrupção de 60 anos, e agora só dois países em todo o mundo não têm o refrigerante: Cuba e Coreia do Norte, devido a embargos comerciais dos Estados Unidos.

O país natal da ativista e Prêmio Nobel da Paz Aung Suu Kyi vem promovendo reformas democráticas e reabrindo seus mercados desde o ano passado.

A Coca-Cola diz que os primeiros carregamentos do produto já chegaram a Mianmar e adiantou que a produção local deve se iniciar rapidamente.

De acordo com o fabricante, o mundo consome diariamente 1,8 bilhão de unidades da bebida, que é vista em vários cantos do muindo como um símbolo do capitalismo.

"O momento em que a Coca-Cola começa a vender é o momento em que pode-se dizer que há mudanças reais acontecendo. A Coca-Cola é o que há de mais próximo do capitalismo em uma garrafa", avalia Tom Standage, autor de A History of the World in Six Glasses (Uma História do Mundo em Seis Copos, em tradução livre).

O país esteve sob ditadura militar por quase 50 anos, entre 1962 e 2011.

A PepsiCo, rival do gigante, também anunciou planos de retomar sua presença em Mianmar.

A re-entrada no mercado birmanês faz com que a bebida só esteja ausente agora em dois países: Cuba e Coreia do Norte, onde embargos comerciais com os EUA estão em vigor desde 1962 e 1950, respectivamente.

Cuba foi um dos primeiros países fora dos EUA a ter produção local do refrigerante, ainda em 1906.

Há relatos de que seria possível comprar Coca-Cola em um restaurante de Pyongyang, capital norte-coreana, mas a empresa diz que, se a informação proceder, a bebida está sendo contrabandeada no mercado negro, já que não há vendas oficiais para o país.

Expansão global

Criada em 1886 em Atlanta, no Estado americano da Geórgia, a empresa buscou uma presença mundial desde o início, e, já no começo dos anos 1900, o produto era engarrafado na Ásia e na Europa.

O maior impulso para a internacionalização, no entanto, veio como resultado da Segunda Guerra Mundial, quando a Coca-Cola passou a ser entregue às tropas americanas atuando em outros países.

Com mais de 60 estações de engarrafamento militares ao redor do mundo, não só os soldados mas também os moradores locais tinham acesso ao produto durante os anos de guerra – uma incrível oportunidade de abertura de mercados.

Dwight Eisenhower, comandante das forças aliadas na Europa, introduziu a bebida ao principal general soviético da época, Georgy Zhukov, que pediu à empresa que fabricasse uma versão transparente, mais parecida com vodka – o pedido foi aceito temporariamente.

Associada aos Estados Unidos, ao capitalismo e ao "imperialismo americano", a bebida enfrentou protestos na França nos anos 1950, onde se cunhou o termo "coca-colonização", e teve seu consumo boicotado no Oriente Médio entre 1968 e 1991 em uma retaliação da Liga Árabe às vendas a Israel.

Quando o Muro de Berlim caiu, em 1989, muitos alemães orientais compravam engradados inteiros de Coca-Cola e consumir o refrigerante se tornou um símbolo de liberdade na época.

Na Venezuela, o presidente Hugo Chávez tem reiterado um pedido para que as pessoas bebam sucos de fruta locais ao invés de Coca-Cola e Pepsi, e no Irã seu colega Mahmoud Ahmadinejad já manifestou que estuda banir o produto.

Mesmo assim, 126 anos após sua criação, a Coca-Cola se mantém em busca de novos mercados, e tem crescido sobretudo em países emergentes como Índia, China e Brasil.

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