Reverendo Moon morre na Coreia do Sul aos 92 anos

Atualizado em  2 de setembro, 2012 - 19:33 (Brasília) 22:33 GMT
Reverendo Moon

O líder religioso conseguiu arregimentar milhares de seguidores, mas nunca se livrou da polêmica

O líder religioso Sun Myung Moon, criador da Igreja da Unificação, e dono de um bilionário grupo de empresas de comunicação com ramificações em diversas outras áreas, entre elas, armas e saúde, morreu nesta segunda-feira aos 92 anos.

O polêmico reverendo Moon – que afirmava ser o novo messias, após ter sido convidado por Jesus Cristo para fundar o seu reino na Terra – tinha sido internado com pneumonia há duas semanas em um hospital que pertence à sua igreja, na região nordeste da capital sul-coreana, Seul.

Moon fundou a Igreja da Unificação, que dizia ter milhões de seguidores, em1954, em Seul, mas ficou conhecido mundialmente nas décadas de 70 e 80.

No auge da fama e da polêmica, Moon realizava cerimônias de casamento simultâneas com milhares de casais, que muitas vezes tinha acabado de conhecer os seus futuros cônjuges.

Nessa época, era também comum ver-se seguidores do reverendo Moon, principalmente nos Estados Unidos, vendendo amendoim e flores para levantar fundos para a igreja.

No entanto, enfrentou também acusações de conduzir lavagem cerebral de seus fieis, além de destruir famílias e enriquecer com a fé – que ele negava veementemente.

Ele foi um dos fundadores do jornal americano Washington Times e chegou a passar 11 meses preso nos Estados Unidos, condenado por evasão fiscal em 1982.

'Encarnação de Deus'

Ao sair da penitenciária, ele reforçou uma campanha por liberdade religiosa ao lado de outras igrejas americanas.

Considerado líder de um culto perigoso por seus críticos, ele proibido de entrar na Grã-Bretanha em 1995.

Mas o reverendo Moon nunca se furtava de polêmicas, como na entrevista em que confirmou a sua crença.

"Deus vive em mim e sou a encarnação dele. O mundo todo está nas minhas mãos e vou conquistá-lo e subjugar o mundo", afirmou.

Nascido em 1920 na província de Pyongan, na atual Coreia do Norte, Moon dizia ter sido preso e torturado pelos comunistas antes de fugir para a Coreia do Sul.

Anticomunista fervoroso, o reverendo foi um colaborador próximo do presidente americano Richard Nixon, na década de 70.

Nos Estados Unidos, Moon fundou diversas empresas e era um grande proprietário de imóveis de luxo.

Em 2003, o empresário e líder religioso provocou ira ao dizer em um sermão que o Holocausto teria sido o pagamento dos judeus por terem assassinato Jesus Cristo.

Moon dizia que Jesus apareceu para ele quando rezava aos 15 anos, lhe pedindo para que fundasse o seu reino terreno.

Ele teria se recusado duas vezes, mas cedeu na terceira tentativa de Cristo.

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