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Romney mostra 'lado humano' e plano anticrise para derrotar 'sonho Obama'

Atualizado em  31 de agosto, 2012 - 09:05 (Brasília) 12:05 GMT
Romney na convenção (Foto Reuters)

Mitt Romney na convenção: apelo à desilusão com Obama

Com o discurso que oficializou sua candidatura à Presidência dos EUA na Convenção Nacional Republicana, na Flórida, na última quinta-feira, Mitt Romney procurou responder à crítica democratas de que não tem "ideias tangíveis" para reativar a economia americana, além de se esforçar para mostrar um lado mais "humano" para os eleitores.

Como explica Mark Madell, correspondente da BBC nos EUA, pesquisas demonstram que Obama atrai mais a simpatia dos americanos, mas Romney é visto como mais preparado para conduzir a economia.

Para fortalecer-se na corrida presidencial, portanto, o republicano tenta vencer um duplo desafio. De um lado, precisa reforçar sua imagem de bom administrador, convencendo os americanos de que tem um plano para sair da crise. Do outro, tem de conquistar os "corações e mentes" americanos - estratégia que garantiu a vitória de Obama há quatro anos.

"(O slogan) 'Esperança e Mudança' tinha um forte apelo. Mas se você se sentiu emocionado ao votar em Barack Obama, não deve se sentir mais assim agora que ele é o presidente Obama", disse Romney, apelando, como definiu o comentarista John Kass, do Chicago Tribune, para a desilusão com o "sonho Obama".

"Obama prometeu conter o aumento dos oceanos e curar o planeta. Minha promessa é ajudar você e sua família", prometeu Romney.

Experiências pessoais

O discurso de Romney foi o ponto alto da convenção republicana, de três dias. Romney, falou, emocionado, sobre suas experiências como pai e dos tempos em que ele e sua mulher, Ann, encontravam "um monte de crianças dormindo no quarto".

Também lembrou da infância em uma família mórmon e dos pais, descritos como um casal "amoroso". Depoimentos de amigos de Romney sobre seu trabalho como pastor mórmon levaram parte da plateia às lágrimas. Um casal contou como o candidato consolou seu filho adolescente à beira da morte, por exemplo.

O evento terminou com a família do candidato inteira no palco: sua esposa, seus cinco filhos e noras e a maioria dos 18 netos.

Romney muitas vezes é visto como um candidato "distante", e democratas tentam retratá-lo como um camaleão político, rico, elitista e que evade impostos. Para Douglas Schoensays, da emissora conservadora Fox News, na convenção o republicano deu um "grande passo" para avançar no processo de "humanização" de sua imagem.

"Romney trabalhou duro para mostrar que tem um coração, mas ainda precisa convencer muitos americanos de que a Presidência de Obama não deu certo", escreveu Jim Rutemberg no The New York Times.

Plano anticrise

Em seu discurso, o republicano prometeu "restaurar a promessa da América" com um plano que daria aos EUA independência energética até 2020, reduziria o déficit orçamentário do país e criaria 12 milhões de postos de trabalho. Também prometeu revogar as reformas no sistema de saúde americano, impulsionadas por Obama, e fazer novos acordos comerciais com outros países.

"Vou começar minha Presidência com um tour para criar empregos. Obama começou a sua com um tour para pedir desculpas", disse, acusando o presidente democrata de ter negligenciado "aliados dos EUA, como Israel" e ter sido "muito leniente" com países como Irã e Rússia.

Romney criticou Obama por fazer promessas focadas mais no público internacional que em interesses americanos. Segundo analistas, porém, ainda não está claro de que forma pretende fazer a economia do país deslanchar ou levar adiante propostas como a criação dos 12 milhões de empregos e fortalecimento do Exército com um orçamento limitado pela crise.

"O dilema do Partido Republicano é como conciliar suas filosofias de governo conflitantes: responsabilidades globais e um governo enxuto. Ou seja, como ser uma superpotência com um orçamento apertado", escreveu, em um artigo para a BBC P.J. Crowley, ex-assessor do Departamento de Estado dos EUA.

Clint Eastwood na convenção republicana

Aparição de Clint Eastwood animou convenção, mas despertou críticas fora dela

"A resposta do ex-presidente George W. Bush foi: 'Déficits não importam'. Impostos foram reduzidos e duas guerras foram pagas no cartão de crédito. Tentando levar adiante um partido que inclui neo-conservadores que querem salvar o mundo e representantes do movimento Tea Party determinados a limitar o tamaho do governo federal, Romney tem se posicionado habilmente como alguém que acredita na liderança e no excepcionalismo americanos, bem como em um Exército forte. Mas tem evitado se comprometer com intervenções dispendiosas."

Clint Eastwood

Um dos momentos mais animados da convenção foi a participação do ator e diretor Clint Eastwood, que conversou com uma cadeira vazia como se estivesse falando com Obama.

"Eu sei o que vocês estão pensando: que todo mundo lá (em Hollywood) é esquerdista", disse Eastwood ao cumprimentar a plateia. "Há muitos conservadores em Hollywood, republicanos e moderados. Eles não saem por aí anunciando isso, mas acreditem, estão lá."

O discurso de Eastwood esteve repleto de críticas a Obama e menções nem sempre conexas a questões como a crise econômica e a guerra no Iraque. "Quando alguém não faz o trabalho direito, é preciso deixá-lo sair", afirmou Eastwood, referindo-se a Obama.

Seu discurso empolgou a plateia republicana, mas fora da Convenção despertou críticas. "Clint, meu herói, parecia triste e patético", escreveu o crítico de cinema Roger Ebert no Twitter. "Ele não precisava disso."

Mike Murphy, antigo assessor de Romney, escreveu: "Fica registrado: Atores precisam de um roteiro".

Depois da convenção, eleitores republicanos que participaram do evento se disseram "confiantes na vitória". Para a chefe da campanha de Obama, Jim Messina, o discurso teve "pouca substância".

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