BBC navigation

Britânico que lutava por eutanásia não comia desde a semana passada

Atualizado em  22 de agosto, 2012 - 17:00 (Brasília) 20:00 GMT
Foto cedida pela família Nicklinson

Nicklinson dizia que sua vida havia virado um 'pesadelo' após o derrame

O britânico que morreu nesta quarta-feira após lutar pelo direito à eutanásia por sofrer de síndrome de encarceramento vinha recusando comida desde a semana anterior, segundo sua advogada.

Saimo Chahal disse também que, após perder a batalha legal, Tony Nicklinson contraiu pneumonia.

"Estou extremamente triste por dizer a vocês que recebi uma ligação às 10h45 desta manhã de Jane Nickinson para me informar que seu marido Tony morreu pacificamente em casa, por volta das 10 horas", disse ela.

"Jane me disse que Tony piorou rapidamente desde o final de semana, tendo contraído pneumonia... e também recusava comida desde a semana passada."

"Jane disse que após Tony receber a decisão judicial negativa, ele pareceu entregar os pontos", completou a advogada.

Sofrimento

Aos 58 anos, Nicklinson só se comunicava por piscadelas e dizia que sua vida havia virado um "pesadelo" desde o derrame, que o deixou paralisado.

Ele brigava na Justiça britânica pelo direito de ser submetido ao suicídio assistido, alegando que a impossibilidade de fazê-lo o condenaria "a uma 'vida' de sofrimento crescente".

Nicklinson com a família

Tony Nicklinson era casado e pai de duas filhas

Mas, na semana passada, a Justiça negou o pedido, considerando que a lei britânica é clara ao considerar a eutanásia um crime de homicídio.

Isso porque Nicklinson não seria capaz de ingerir sozinho drogas letais, mesmo que elas fossem preparadas por outra pessoa. Ou seja, sua morte teria de ser decorrente de um ato praticado por alguém.

Quantidade x qualidade

Na ocasião, um dos juízes afirmou que uma decisão favorável a Nicklinson "teria tido consequências muito além dos casos atuais". "Ao fazer o que Tony (Nicklinson) quer, a corte estaria fazendo uma grande mudança na lei. E não cabe à corte decidir se a lei sobre morte assistida deve ser mudada. Sob o nosso regime, isso é um assunto para o Parlamento", afirmou o juiz.

No mesmo dia, Nicklinson se disse "devastado" pela decisão judicial, e sua família - ele era casado e pai de duas filhas - disse que ele pretendia recorrer e considerava a hipótese de parar de comer.

E Lauren, sua filha, afirmou que a família continuaria lutando para que seu pai tivesse "uma morte sem dor e em paz". E rejeitou os argumentos dos críticos da eutanásia, dizendo que "a vida não deveria ser medida apenas em quantidade, mas em qualidade".

Também pelo Twitter, na manhã desta quarta, a família disse que Nicklinson disse, antes de morrer: "Adeus, mundo, minha hora chegou. Eu me diverti".

Sua filha Beth escreveu pelo microblog que "não poderia ter pedido um pai melhor, (ele era) tão forte. Você agora está em paz, e nós ficaremos bem".

Leia mais sobre esse assunto

Tópicos relacionados

BBC © 2014 A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo de sites externos.

Esta página é melhor visualizada em um navegador atualizado e que permita o uso de linguagens de estilo (CSS). Com seu navegador atual, embora você seja capaz de ver o conteúdo da página, não poderá enxergar todos os recursos que ela apresenta. Sugerimos que você instale um navegados mais atualizado, compatível com a tecnologia.