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Campanha no Facebook tenta bicicleta para esperança brasileira na Paraolimpíada

Atualizado em  21 de agosto, 2012 - 08:16 (Brasília) 11:16 GMT
João Schwindt treina no Brasil

O paraciclista João Schwindt tem como especialidade a prova de contra relógio individual

A pouco mais de uma semana do início da Paraolimpíada de Londres, uma das esperanças de medalha do Brasil está fazendo uma campanha na internet para conseguir comprar a bicicleta com tecnologia de ponta com que espera competir.

"Tem me comovido ver tantas pessoas com boa vontade me ajudando", conta o paraciclista, João Schwindt à BBC Brasil.

O movimento foi organizado por dois amigos de Brasília, que acompanharam a luta do atleta para conseguir chegar a Londres.

João Schwindt é o atual campeão da Copa Mundial de Paraciclismo 2012, que foi realizada em julho no Canadá, mas não tem patrocínio e chegou à Paraolimpíada com uma bicicleta de segunda mão para correr a prova de contrarrelógio, que é a sua especialidade. Ele ganhou medalha de bronze no Parapanamericano de Guadalajara nesta prova.

"Na prova do contrarrelógio, no mundial da Dinamarca no ano passado, perdi a prata por um segundo. Esta diferença, com uma bicicleta melhor, eu conseguiria tirar ", disse.

Paraolimpíada 2012

João Schwindt ao lado da presidente Dilma Rousseff

João, ao lado da presidente DIlma Rousseff, com as medalhas do Parapan-americano 2011.

Ele vai competir ao todo em quatro provas na Paraolimpíada de Londres 2012, na categoria C5, que reúne atletas com o menor grau de deficiências, incluindo amputação única ou disfunções neurológicas mínimas, que é o caso do brasileiro. João foi atropelado em Brasília, por uma motorista que dirigia na contramão da rua. Desde então, tem um problema nos nervos do braço.

Duas competições vão acontecer nas ruas de Londres, a prova de estrada e a de contrarrelógio.

Outras duas serão no velódromo - a prova do quilômetro e a de perseguição individual. Nesta última ele ganhou o ouro no Parapanamericano do ano passado em Guadalajara.

Na ocasião, João surpreendeu ao conseguir superar os adversários usando uma bicicleta de 1997, mas ele sabe que nas Paraolimpíadas o nível é outro.

"É difícil, porque não tenho nenhum velódromo onde eu moro em Brasília, e os meus competidores treinam o ano inteiro em velódromos", conta o atleta, que está hospedado em Manchester, onde tem aproveitado a boa estrutura de ciclismo da cidade para treinar antes das competições.

Falta de apoio e campanha

João Schwindt treina em Brasília

João treina em Brasília, onde não há nenhum velódromo

Ele conta que compete sem patrocínio e os únicos incentivos que recebe são R$ 1.800 relativos à Bolsa-atleta do ministério do Esporte e o auxílio da Confederação Brasileira Paraolímpica, que tem custeado o atleta em competições internacionais para que ele ganhe experiência.

No entanto, no ciclismo a tecnologia tem um papel importante nos resultados e, por isso, é um esporte que envolve custos altos.

A campanha lançada no Facebook espera arrecadar R$ 21 mil para comprar uma bicicleta com câmbio eletrônico, similar à que os concorrentes do brasileiro irão usar. O equipamento seria utilizado nas provas de rua, onde João tem mais chance de conseguir uma medalha.

Até esta terça-feira, havia sido arrecadado R$ 3.271. O atleta começa a competir no dia 31 de Agosto e precisaria arrecadar o dinheiro até esta semana para conseguir a tão sonhada bicicleta a tempo.

A campanha está aberta no site www.facebook.com/events/332441640179402/

O Comitê Paralímpico Brasileiro informou à BBC que, em momento algum o atleta pediu uma bicicleta para disputar as provas de contra relógio ou fez menção que seu equipamento não estaria apto para competir. "João solicitou ao CPB uma bicicleta para as provas de pista, que lhe foi entregue em tempo para seu treinamento. A bicicleta foi importada da Itália, feita especialmente para o atleta", declarou, em nota, o CPB.

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