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Nem chavistas, nem opositores, 'nem-nem' são alvo de candidatos na Venezuela

Atualizado em  14 de agosto, 2012 - 21:50 (Brasília) 00:50 GMT
Venezuelanos

Hugo Chávez e Henrique Capriles brigam pelo apoio dos 'nem-nem' na votação de 7 de outubro

Com a proximidade das eleições, marcadas para 7 de outubro, um grupo de eleitores vem concentrando as atenções dos candidatos à presidência da Venezuela. São os chamados "nem-nem" ("ninis", em espanhol), ou seja, nem chavistas, nem opositores.

Segundo pesquisas, os "nem-nem" são em sua maioria mulheres, jovens e de classe popular. Têm visão progressista, mas estão mais preocupados com os problemas cotidianos do que com o cenário político.

Eles rejeitam a polarização e sofrem com a insegurança. No passado, votaram no presidente Hugo Chávez (que busca mais uma reeleição) ou se abstiveram. No pleito deste ano, não sabem o que farão.

De acordo com pesquisas, o grupo dos "nem-nem" reúne um terço da população venezuelana, e são eles que terão nas mãos a chave para o Palácio de Miraflores no pleito de outubro.

Obviamente também há homens, conservadores e pessoas de classe média e alta que, depois de 14 anos de governo chavista, não estão alinhados nem com o oficialismo nem com a oposição.

Esses eleitores desconfiam das promessas do líder venezuelano, mas também não são convencidos pelo que a oposição oferece.

Força

A maioria das pesquisas aponta Hugo Chávez como favorito para ganhar as eleições. Mas a maior ou menor vantagem que essas pesquisas dão ao presidente nunca supera o percentual dos "nem-nem".

E tanto Chávez quanto seu principal adversário, Henrique Capriles, estão plenamente conscientes de que a chave das eleições está com os "nem-nem".

"Apesar de o presidente ter feito um esforço muito grande para ideologizar a política e usar o epíteto de direita, esquerda, socialista, capitalista, na verdade a população não entra nesses esquemas", disse à BBC Saúl Cabrera, vice-presidente da empresa de pesquisas Consultores 21.

Segundo o presidente da empresa de opinião pública Datanálisis, Luis Vicente León, um "nem-nem" não é o mesmo que um indeciso. O primeiro responde à pergunta sobre afinidade política, e o segundo, sobre intenção de voto.

"(Os 'nem-nem') são independentes, simplesmente não estão comprometidos com nenhuma das forças, e em cada eleição decidem. Estão abertos às ofertas, às propostas", disse León à BBC.

Segundo a Datanálisis, esses eleitores representam um fator fundamental para projetar o resultado das eleições.

O cientista político venezuelano Iñaki Sagarzazu, professor da Universidade de Glasgow, na Escócia, diz que o perfil dos "nem-nem" fez com que Capriles tenha se movido em direção ao centro-esquerda moderado do ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva.

Ele diz também que a força representada pelos "nem-nem" tem levado a uma certa intenção do chavismo de baixar a intensidade e evitar a radicalização do discurso.

Contradições

O perfil dos "nem-nem" contradiz o padrão dos mapas políticos venezuelanos. Eles são majoritariamente de classes populares, quando estas "deveriam" ser chavistas. E somam mais de um terço da população, quando se supõe que o país vive em um ambiente altamente polarizado.

Saúl Cabrera diz que, apesar de reconhecer que Chávez tem mais força nas classes populares, não acredita que estas sejam exclusividade do presidente.

"Com uma população onde 70% pertencem a classes populares, o presidente tem ao redor de 50% de apoio", diz, citando pesquisas de sua empresa.

"Sabendo que também tem apoio em setores mais altos, já que depois de 12 anos (de governo) surgiu uma classe média chavista, isso significa que há muita gente dos setores populares votando na oposição", afirma.

Sobre a alta quantidade de indecisos em um contexto tão polarizado, Cabrera também expressa suas dúvidas. "Não vemos como pode haver um número tão grande de indecisos em uma população polarizada e radicalizada", diz.

León, da Datanálisis, diz que os institutos de pesquisa podem estar incluindo entre os indecisos aqueles que não são indecisos, mas se recusam a responder.

"Pode haver chavistas que não se manifestem, mas a tendência é maior entre opositores, os que preferem não se expressar por medo, reserva, ou outros fatores", afirma.

Os analistas consultados pela BBC concordam que a campanha será o fator que poderá convencer os "nem-nem" a apoiar um ou outro candidato.

"As pessoas terminam votando pela esperança", diz Cabrera. "O (candidato) que conseguir convencer que representa um futuro diferente vai ganhar a eleição."

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