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Rio quer estádio que viraria escola depois da Olimpíada

Atualizado em  13 de agosto, 2012 - 05:34 (Brasília) 08:34 GMT
Projeto do Parque Olímpico (Foto Rio 2016)

Projeto do Parque Olímpico do Rio, feito pela AECOM

Em um momento, um estádio de handebol com capacidade para dezenas de milhares de pessoas; no momento seguinte, quatro escolas municipais.

A mágica arquitetônica que permitiria a transformação de uma estrutura esportiva gigante em salas de aula está sendo desenvolvida por empresas contratadas para projetar o Parque Olímpico dos Jogos de 2016 no Rio, segundo a presidente da Empresa Olímpica Municipal (EOM), Maria Silvia Bastos.

A Olimpíada de Londres consolidou um novo paradigma em termos de projetos de engenharia e arquitetura para grandes eventos esportivos ao dar ênfase a estádios que poderiam ser totalmente ou parcialmente desmontados depois dos Jogos.

Agora, o Rio quer ir além desse modelo, apostando em uma arquitetura e engenharia “versáteis”, segundo explicou Bastos à BBC Brasil durante um evento organizado pela Câmara Britânica de Comércio e Investimento (UKTI, na sigla em inglês) que reuniu em Londres autoridades do Brasil e da Grã-Bretanha.

A ideia é criar estádios e arquibancadas que não só possam ser desmontados, mas também transformados em instalações completamente diferentes depois da Olimpíada, com uma utilidade “social”. De acordo com a presidente da EOM, pelo menos um projeto estaria em estágio mais avançado.

“Trata-se da arena temporária de handebol, que terá 12 mil assentos”, ela explicou. “O projeto contemplará a transformação das estruturas (dessa arena) em quatro escolas municipais com ginásios esportivos, com suas salas de aula e assentos (para os alunos).”

Bill Hanway, vice-presidente executivo da filial britânica da AECOM, a empresa que projetou tanto o Parque Olímpico de Londres quanto o do Rio também comentou esse novo modelo.

“O prefeito do Rio nos pediu para desenvolver esse conceito de arquitetura nômade, tentando criar não apenas estruturas temporárias, mas também que pudessem ser transformadas em algo útil para o País, tendo em vista suas necessidades sociais nesse momento”, contou Hamway à BBC Brasil.

Segundo o executivo, a AECOM tem considerado muitas possibilidades para o aproveitamento das estruturas dos estádios.

“O mais fácil seria transformá-las em áreas para a prática de esportes nas escolas, mas também poderiam ser bibliotecas, pequenas salas de concerto ou centros comunitários”, disse. “Há muitas opões, todas elas ligadas à infraestrutura social.”

Caminho de Londres

A aposta de Londres em estruturas desmontáveis nos estádios e centros aquáticos tem como objetivo evitar a criação de “elefantes brancos”, ou seja, obras caríssimas, com elevados custos de manutenção e pouca ou nenhuma utilidade após os Jogos.

Em uma Olimpíada, uma competição de natação ou mergulho em um centro aquático pode ser assistida por algo em torno de 16 mil a 18 mil pessoas, segundo exemplifica Hanway. Fora dos Jogos o público máximo das provas dessas modalidades não chega a 6 mil.

O desafio de países que sediam tais megaeventos, portanto, é como oferecer instalações adequadas para as competições sem que essas estruturas depois fiquem subutilizadas.

Os estádios e arquibancadas desmontáveis atenuam esse problema porque suas partes podem ser “remontadas” novamente em outros locais – o que amplia o leque de possibilidades para o uso de tais instalações.

Na Grã-Bretanha, porém, ainda não está claro qual exatamente será a demanda futura por essas arquibancadas e estruturas desmontáveis em competições esportivas.

Um caso interessante é o do estádio em que foram feitos os jogos de basquete nessa Olimpíada. Em dado momento, autoridades brasileiras começaram a falar na possibilidade de comprar esse centro esportivo, mas aparentemente a proposta foi deixada de lado.

“Era uma ideia fantástica. Mas seria um desafio pegar parte dessas estruturas, colocá-las em contêineres, guardá-las por quatro anos e depois remontá-las – com o tempo elas poderiam ser danificadas e ainda haveria o desafio de transportá-las de navio”, explicou Hanway.

“No final, parecia melhor manter essas estruturas dentro da Grã-Bretanha e transportá-las apenas internamente.”

Aproveitar essas instalações desmontáveis em outros tipos de construções - e não apenas em competições esportivas - seria uma solução para essa questão da demanda.

Hanway, porém, faz a ressalva de que os projetos nessa área ainda estão incipientes.

“Ainda estamos nos estágios iniciais de entender como fazer esse design”, disse. “No melhor dos mundos pensaremos em uma transformação (de estruturas esportivas para outros tipos de instalações), talvez duas. Mas precisaremos de alguns meses para chegar a uma conclusão sobre o que realmente podemos fazer.”

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