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Londres 2012: Irlandês que empurrou Vanderlei Cordeiro diz planejar 'intervenção' em Jogos

Atualizado em  3 de agosto, 2012 - 11:10 (Brasília) 14:10 GMT

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Afastado da Igreja após o episódio, ex-padre Cornelius Horan manda um pedido desculpas em português ao velocista brasileiro.

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Oito anos depois de ser responsável por um dos momentos mais memoráveis em uma Olimpíada, o ex-padre irlandês Cornelius "Neil" Horan diz que pretende fazer novas manifestações em locais onde ocorrem as provas de Londres 2012, mas sem atrapalhar os atletas.

Ele disse à BBC Brasil que deve fazer uma intervenção na maratona masculina dos Jogos de Londres, mas afirma que fará tudo dentro da lei - e sem prejudicar nenhum dos maratonistas.

Horan indicou que essa intervenção se dará com a apresentação de danças tradicionais, que planeja ainda levar a outros sites ligados à Olimpíadas, como o Parque Olímpico, o parque de Greenwich e o Hyde Park.

Segundo o ex-padre, os eventos esportivos foram escolhidos por causa da atenção "excessiva" dedicada a eles. No entanto, ele diz que reconhece o esforço dos atletas de todo o mundo e que "não acha justo interromper o evento deles".

Horan, que costuma fazer apresentações de dança tradicional nas ruas de Londres, diz que se arrepende "profundamente" de ter empurrado o velocista brasileiro Vanderlei Cordeiro de Lima a 6 quilômetros do fim da maratona que lhe daria a medalha de ouro em Atenas 2004.

Mas ele afirma que seu plano inicial não era tirar Vanderlei da maratona e, sim, exibir durante alguns segundos um pôster que dizia "a segunda vinda de Cristo está próxima".

Foto: BBC Brasil

Irlandês diz ter aprendido português para pedir desculpas ao atleta brasileiro

O ex-sacerdote católico já havia chamado a atenção no mundo no Grande Prêmio de Fórmula 1 da Inglaterra, em 2003, quando invadiu a pista também com uma mensagem religiosa.

"Eu usei esses eventos esportivos para chamar a atenção do mundo para minhas crenças e para o evento da segunda vinda (de Cristo), que será o maior evento que acontecerá na vida das pessoas", disse à BBC Brasil.

"Mas admito que, especialmente na maratona, eu não planejava ir tão longe, encostar no atleta."

Horan afirma que pretende se manifestar na próxima semana próximo ao Parque Olímpico em Londres, com um cartaz que diz: "Dança da paz para Vanderlei de Lima e todos os atletas brasileiros; Preparem-se para a segunda vinda de Cristo, que está próxima."

'Mais odiado'

Horan vive há 16 anos em um quarto alugado em uma casa em Peckham, sul de Londres. Sua senhoria acaba de morrer, aos 92 anos. Ele diz que logo após sua aparição na maratona, ela também foi hostilizada por vizinhos e conhecidos.

"Minha senhoria, que na época (da maratona de Atenas) tinha por volta de 80 anos, também sentiu a pressão. As pessoas perguntavam a ela: quem é esse homem que mora com você? É um maluco?"

Ele chegou ser alertado por sua família de que não deveria voltar à Irlanda, sob o risco de ser atacado fisicamente. E diz que chegou a ouvir, em um programa de rádio, que era "a pessoa mais odiada" do país.

"Ainda fico muito triste por causa daquela intervenção, que foi realmente um ataque ao atleta brasileiro Vanderlei Cordeiro de Lima. Não tinha ouvido falar dele antes, mas certamente ouvi falar desde então."

"Acho que muitas pessoas pensaram que eu queria agarrá-lo para atrair atenção para mim, mas eu realmente estava tentando chamar a atenção para uma mensagem. É Bíblia que merece atenção, não Neil Horan", explica.

Vanderlei Cordeiro de Lima em Atenas 2004. | Foto: Getty

Irlandês diz que também foi abordado por brasileiros depois da intervenção em Atenas

Ele afirma que a segunda vinda de Jesus Cristo acontecerá em breve para estabelecer o reino de Deus na Terra, com a cidade de Jerusalém como capital. "Será uma era messiânica, um belo novo mundo que vai durar mil anos."

A Igreja proibiu o sacerdote de exercer suas funções, alegando "problemas de ordem psicológica", mas ele diz não entender o motivo do afastamento.

"Eu sempre sofri de certos problemas mentais, principalmente depressão. De certo modo, sinto que ficarei deprimido até que o Reino aconteça, porque o mundo em que vivemos me deprime", admite.

"Mas eu não sei de nada que seja um problema mental sério. Eu não sou um lunático."

Dança tradicional

Hoje, Neil Horan faz suas manifestações religiosas em forma de dança nas ruas e eventos de Londres. Ele carrega consigo uma enorme caixa de som e veste roupas tradicionais com cores e símbolos irlandeses.

"Eu quero encorajar as danças tradicionais de todos os países, porque acho que no reino haverá muita dança tradicional. Haverá entretenimento, grandes eventos culturais, mas com o controle rigoroso de Cristo, porque nada que não seja entretenimento apropriado será permitido", garante.

Foto: BBC Brasil

Manifestação com dança na Olimpíada de Londres seria 'combinada' com a Scotland Yard

Horan e Vanderlei Cordeiro não tiveram mais contato depois de Atenas. No entanto, o irlandês afirma que escreveu duas cartas pedindo desculpas, que não foram respondidas.

Ele afirma também que chegou a aprender um pouco de português para se comunicar com o ex-atleta e sua família e, quem sabe, dançar para eles.

"Me arrependo muito, mas devo dizer que, aparentemente, ele ficou mais famoso que Pelé no Brasil. Isso é bastante, porque Pelé é provavelmente o maior jogador de futebol de todos os tempos e ele sempre foi meu herói nas Copas do Mundo", argumenta.

"Se ele (Vanderlei Cordeiro) tivesse ganho a medalha de ouro, ele poderia não ser tão famoso."

Segundo sua assessoria de imprensa, Vanderlei Cordeiro de Lima prefere não falar sobre o incidente em Atenas. No entanto, em entrevista à BBC Brasil em maio, ele disse que perdoou o ex-padre, mas que, em sua opinião, a maratona não ficou marcada por esse episódio.

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