Especialistas propõem ranking alternativo de medalhas

Atualizado em  31 de julho, 2012 - 06:30 (Brasília) 09:30 GMT
Nadadores exibem medalhas

Nadadores dos EUA e do Japão exibem medalhas após competição nas Olimpiadas de Londres

Como era de se esperar, a China largou na frente na corrida por medalhas nas Olimpíadas de Londres.

Mas quantas medalhas cada país deveria ganhar se levássemos em consideração fatores como sua riqueza, o tamanho de sua população e suas tradições esportivas?

Em outras palavras, que países estão tendo desempenho acima - ou abaixo - do que deveriam dadas suas condições específicas?

Dois especialistas ouvidos pela BBC propuseram rankings alternativos de medalhas levando em consideração as particularidades de cada país.

Riqueza e População

A cada quatro anos, cerca de 200 nações competem nas Olimpíadas. Estatisticamente, no entanto, seus atletas não estão competindo em pé de igualdade. Quanto maior a população de um país, por exemplo, maior a oferta de atletas em potencial.

A riqueza também é importante, não apenas porque um país rico pode oferecer melhor treinamento e infraestrutura a seus atletas. Em muitos países, as famílias precisam de um certo grau de riqueza para pagar pelo treinamento ou até para permitir que uma criança participe de treinos em vez de trabalhar para a família.

Analisando as variáveis riqueza e população, a economista Meghan Busse, da Kellogg School of Management da Northwestern University, em Chicago, nos Estados Unidos, diz que os EUA deveriam ser os grandes campeões dos Jogos Olímpicos de Londres, com 51 medalhas, seguidos pela China, Japão e Alemanha.

A Grã-Bretanha, segundo Busse, deveria ficar em oitavo lugar com 32 medalhas. Cerca de 62 países deveriam conquistar ao menos uma medalha cada um e outros 143 países não deveriam levar qualquer medalha.

Essa não é, no entanto, a melhor forma de prevermos o que vai acontecer na realidade. Se analisarmos os resultados das Olimpíadas de 2008 em Pequim, veremos que vários países obtiveram muito menos - ou muito mais - medalhas do que o ranking de Busse propõe.

Brasil e Índia, por exemplo, têm desempenho inferior porque, segundo Busse, embora tenham populações grandes, sua renda per capita é muito baixa.

"Ou as pessoas dotadas com habilidades atléticas não têm tempo para desenvolver seus talentos ou não vivem em um lugar onde existem programas esportivos e infraestrutura", ela explica.

Fatores culturais também desempenham um papel importante. Por exemplo, de acordo com o modelo de Busse, a Índia deveria estar em quinto lugar no ranking, com 34 medalhas. Mas em 2008, conseguiu apenas três.

Tradição Esportiva

Dan Johnson, professor de economia do Colorado College, em Colorado Springs, Colorado, Estados Unidos, disse que isso acontece, em parte, porque os indianos preferem esportes não olímpicos, em particular, o críquete.

Países com uma história de prática em esportes incluídos nas Olimpíadas terão certamente resultados melhores. Além disso, alguns esportes rendem mais medalhas que outros.

Os sul-coreanos são particularmente favorecidos nesse aspecto. Eles adoram taekwondo - um esporte que rende muitas medalhas olímpicas por possuir categorias masculinas e femininas, além de premiações para diversas categorias de peso dos atletas.

"A Coreia do Sul pode colocar em campo esquadrões de atletas e ir embora com um caminhão de medalhas", afirma Johnson. "Enquanto isso, a paixão indiana por críquete não resulta em nenhuma medalha", diz.

Por outro lado, apesar de esperarmos bons resultados de países como os EUA e a China, os desempenhos deles são ainda melhores do que sugeririam o tamanho de sua população e seu Produto Interno Bruto.

Busse diz que isso acontece porque os americanos são particularmente interessados em esportes e as crianças chinesas são enviadas para academias esportivas especiais desde pequenas.

A Austrália é outro país que valoriza muito o esporte, particularmente a natação, com a qual ganharam 46 medalhas em 2008. O estudo de Busse prevê para o país 25 medalhas, de acordo com suas características econômicas e populacionais.

Alguns países da ex-União Soviética com populações pequenas e PIB per capita baixos conseguem resultados melhores do que a expectativa delineada no estudo. Isso porque ainda colhem os frutos de investimentos institucionais no esporte feitos há muitos anos pela URSS, que agia assim por motivação política.

Cuba também é conhecida por obter resultados melhores do que sugerem suas condições populacionais e econômicas. O país obteve 24 medalhas em Pequim, porém devido a dados insuficientes sobre sua economia não foi incluído nas previsões do estudo.

Novo ranking

Isso significa que indicadores de PIB per capita e população não são suficientes para construir previsões sobre os resultados dos países na Olimpíada. Johnson então criou um modelo de previsão mais sofisticado, que inclui mais fatores.

Projeções para ranking de medalhas

Pequim 2008 Previsão de Busse Previsão de Johnson
EUA - 110 EUA - 51 EUA - 99
China - 100 China - 45 Rússia - 82
Rússia - 73 Japão - 41 China - 67
Reino Unido - 47 Alemanha - 36 Alemanha - 60
Australia - 46 Índia - 34 Reino Unido - 45
França - 41 França - 33 Austrália - 38
Alemanha - 41 Brasil - 33 França - 37
Coreia do Sul - 31 Reino Unido - 32 Itália - 31
Itália - 27 Itália - 31 Japão - 31
10º Ucrânia - 27 10º Rússia - 30 10º Coreia do Sul - 29

Fonte: Meghan Busse of Northwestern University, based on population and GDP per head. Dan Johnson of Colorado College, based on population, GDP, past record and host-nation advantage

Primeiro, ele mediu a diferença da quantidade de medalhas que cada país deveria ganhar baseado em sua população e PIB. Depois comparou-o às medalhas que a nação de fato ganhou nos últimos 60 anos e elaborou seu ranking.

Segundo Johnson, países que sediam os jogos devem ganhar 18 medalhas a mais que o usual. Nos Jogos anterior e posterior, esses países também devem experimentar melhoras, porém não tão acentuadas.

"Existe um efeito legado. Então, nos próximos dois Jogos, vemos pequenas melhoras de cinco medalhas a mais que a média", disse.

Usando dados de PIB e os demais fatores, Dan Johnson prevê que os EUA ganharão 99 medalhas em 2012. A Rússia, segundo ele, ficará em segundo, a China e terceiro e o Reino Unido em quarto.

Contudo, o cenário traçado para os britânicos parece errado, uma vez que o Reino Unido teve desempenho melhor em número de medalhas em 2008 do que o previsto pelo modelo de Johnson para 2012. Mas, segundo o pesquisador, seu modelo reflete uma performance média do país nos últimos 60 anos e em 2008 os britânicos tiveram desempenho acima do comum.

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