Estilo 'inteligente' criado há um ano fez Thiago Pereira superar Phelps duas vezes e ganhar prata

Atualizado em  28 de julho, 2012 - 19:54 (Brasília) 22:54 GMT
Thiago Pereira com a medalha de prata (Foto: AP)

Com vários ouros em Pan-Americanos, Thiago nunca havia conquistado medalha em olimpíada

Michael Phelps foi o primeiro nadador a deixar a piscina rumo aos vestiários após a prova dos 400m no medley individual, na qual terminou em quarto lugar, atrás do brasileiro Thiago Pereira, que levou a prata.

Ao passar pelos jornalistas, o primeiro comentário do maior vencedor da história da natação foi sobre o colega brasileiro.

"Nos últimos 100m, eu olhei para o Thiago, e vi que ele fazia uma corrida mais forte e mais inteligente do que a minha, e estava mais preparado, e é por isso que ele está no quadro de medalhas", disse Phelps.

Thiago Pereira está em sua terceira olimpíada e nunca havia conquistado uma medalha. A prova deste sábado sequer é sua especialidade. Ele é conhecido pelos bons resultados nos 200m do medley individual, e não nos 400m.

No entanto, o nadador passou o último ano desenvolvendo um estilo diferente para a prova dos 400m que lhe rendeu a inédita medalha de prata e elogios de rivais e do seu técnico Albertinho.

Mudança

Thiago Pereira era conhecido por gastar energia demais nos primeiros 200m da prova. Como resultado, ele perdia fôlego nos metros finais da prova, que é conhecida por ser a mais cansativa da natação, e terminava superado pelos adversários.

Há um ano e meio, em trabalho com o técnico Albertinho, Thiago Pereira se esforçou para mudar seu estilo de nadar. Para segurar o ímpeto inicial na largada, ele passou a contar quantas braçadas dava no início dos percursos.

Em Londres 2012, sua meta era se concentrar para conseguir colocar em prática esta nova estratégia. Já na eliminatória da manhã, rivais e aliados de Thiago Pereira perceberam a diferença. O nadador superou Phelps e se classificou em quarto lugar para a final da noite.

"Até o Michael [Phelps] me falou quando estavamos na fila do antidoping: 'Eu vi você nadando de manhã. Foi bem melhor do que você costumava fazer. Você 'queimava' muito nos primeiros 200m e isso doia, não?'", revelou Thiago após a final do sábado.

O técnico Albertinho disse que também se surpreendeu com o que viu na manhã, mas que depois da performance na eliminatória ele já não considerava uma medalha algo tão impossível.

"De manhã ele nadou muito bem. Mas eu não sabia como ele ia nadar. Eu sabia que ele estava bem tecnicamente", disse Albertinho.

Centésimos

Thiago Pereira nadou na final o tempo de 4:08.86, oito centésimos mais rápido do que o japonês Kosuke Hagino (que ficou com o bronze) e 42 centésimos mais rápido que Phelps (o quarto colocado).

No entanto, o ouro sempre esteve longe do alcance de todos. O americano Ryan Lochte, tido como uma das maiores sensações das Olimpíadas de Londres 2012, nadou quase toda a prova abaixo da linha do recorde.

Nos últimos 200m ele perdeu fôlego, mas mesmo assim terminou a prova com 3s68 de vantagem em relação a Thiago Pereira.

O recorde mundial dos 400m no medley individual, no entanto, ainda pertence a Michael Phelps. A marca de 4:03.84 foi estabelecida em Pequim 2008, quando os nadadores ainda podiam usar os maiôs especiais hoje banidos no esporte.

Desistir

Após a final, o exausto Thiago Pereira confessou que depois de Pequim 2008 cogitou desistir da natação. Conhecido como Mr. Pan, por ser o recordista brasileiro em medalhas de ouro na história dos Pan-Americanos (12 medalhas), ele não tinha sucesso em olimpíadas.

"Minha vida mudou bastante nestes quatro anos. Em 2004 eu era muito novo, tinha 18 anos e fiquei nervoso na hora da final. Em 2008, fiquei um pouco perdido e cheguei na Olimpíada com um pé atrás. Eu sabia que não estava entre os três melhores e que não havia me preparado o suficiente."

Em Pequim 2008, ele terminou os 400m do medley individual no último lugar na final. Mesmo em sua especialidade – os 200m – ele só conseguiu o quarto lugar.

O nadador falou que para ele os títulos do Pan não se comparam à importância de superar Phelps, a quem ainda considera um dos maiores nadadores do mundo.

"Uma coisa que eu tentava explicar em todas as minhas entrevistas – que é uma diferença muito grande de Pan-Americanos para Olimpíadas – é que aqui os três adversários que eu tenho não são quaisquer três adversários, né? Eles são nada mais, nada menos do que o Phelps, o maior medalhista olímpico de todos os tempos, o Ryan que hoje está tendo este grandes resultados", disse o brasileiro, que ainda mencionou o húngaro Lazslo Cseh, que não passou na eliminatória na manhã.

"Eu sempre disse que preferia ganhar medalha em cima de algum desses três do que se eles não estivessem dentro da prova. Então hoje foi melhor impossível, acho que estava todo mundo aí, apesar de o Lazslo não ter ido para a final, mas ele teve a chance dele e acabou ficando de fora."

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