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Empresa permite que funcionários levem filhos ao trabalho

Atualizado em  17 de julho, 2012 - 09:21 (Brasília) 12:21 GMT
Funcionários da Addison Lee com os filhos (Foto divulgação)

Funcionários da Addison Lee com os filhos: iniciativa teria melhorado o clima na empresa

Onde deixar o filho na hora do trabalho? A maior empresa de táxis da Grã-Bretanha abriu uma polêmica ao tentar ajudar seus funcionários a resolver esse problema permitindo que eles levem seus filhos para o escritório.

O esquema da companhia Adison Lee, que já vinha sendo adotado por empresas americanas, é pioneiro na Grã-Bretanha.

Na primeira semana, alguns pais tiveram dificuldade para cumprir suas tarefas e o trabalho foi por vezes interrompido por gritos histéricos de crianças.

O gerente Liam Griffin, porém, diz que ainda assim a experiência tem sido positiva para a empresa.

"O clima está mais positivo. Essa iniciativa fomenta a lealdade e o entusiasmo do resto dos empregados e ajuda a melhorar a atmosfera de trabalho", explica Griffin.

O setor da empresa menos receptivo ao projeto foi o departamento comercial, que passou a conviver com a pequena Tanisha, de 15 meses.

O chefe do setor, porém, diz que, apesar de alguns ataques de choro iniciais, aos poucos a bebê "entrou na rotina". "Algumas pessoas dizem que ela deixa a atmosfera de trabalho mais suave", diz ele.

Estados Unidos

O esquema em que empregados são autorizados a levar os filhos para o trabalho já é adotado por mais de 170 empresas nos EUA.

"Ganhamos em produtividade no longo prazo e reforçamos nosso compromisso com nossos empregados, o que tem nos ajudado a convencê-los a ficar conosco quando eles recebem outra oferta de trabalho", acredita Will Humble porta-voz de uma dessas empresas, o Departamento de Saúde do Arizona.

Na Grã-Bretanha, 25% das mulheres que saem de licença maternidade não retornam a seus cargos. Isso traz prejuízos para as empresas, que precisam gastar mais para recrutar e treinar substitutas.

Calcula-se que cada bebê custe aos pais mais de 10 mil libras (R$ 32 mil) nos primeiros dois anos de vida e este valor vem subindo numa velocidade maior do que a média de renda das famílias britânicas.

Funcionária da Addison Lee (Foto Divulgação)

Funcionária da Addison Lee, Shellon Beckford, agora leva ao trabalho sua bebê, Mahdka

Por causa dos altos custos das creches, algumas mulheres preferem parar de trabalhar a pagar para deixar seus bebês em um desses estabelecimentos.

Críticas

Para o especialista em educação infantil do Instituto de Educação da Universidade de Londres, Paul Moss, simplesmente permitir que os funcionários levem seus filhos para o trabalho não é a resposta mais adequada para o problema.

"Existe uma solução que já é implementada nos países nórdicos há 40 anos", explica Moss. "Eles dão aos pais licenças remuneradas de 12 a 15 meses e ainda concedem subsídios para creches."

Os custos desses benefícios são cobertos por impostos mais altos.

Na Grã-Bretanha, o número de creches públicas é insuficiente e a maior parte dos pais tem de colocar seus filhos em creches privadas.

Como em muitos outros países, muitas vezes é difícil encontrar uma creche que seja confiável, cobre um valor razoável e tenha vagas disponíveis.

Alguns especialistas defendem a criação de um sistema público gratuito de creches, mas outros apontam restrições orçamentárias como uma barreira para tal projeto – ainda mais em tempos de crise.

Creches no trabalho

Durante a 2ª Guerra Mundial, o estaleiro americano Kaiser foi pioneiro em criar imensas creches que estavam abertas 24 horas por dia em seus centros de montagem de navios, conforme descrito no livro Beginnings and Beyond pelas autoras Ann Miles Gordon e Kathryn Williams Browne.

Esses centros permitiram que as funcionárias do estaleiro continuassem a trabalhar no esforço de guerra. Mas eles foram fechados com o fim do conflito.

Na Grã-Bretanha, nos EUA e mesmo no Brasil, algumas empresas também têm creches disponíveis para seus funcionários.

Mas em geral só grandes empregadores têm capacidade de oferecer esses serviços. Além disso, com a crise, não são poucos os que terminaram cortando esse benefício para reduzir custos.

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