Momentos Olimpícos: 'Apagão' fez Brasil desperdiçar chance de ouro em 1996, diz Ronaldo

Atualizado em  17 de julho, 2012 - 06:55 (Brasília) 09:55 GMT
Roberto Carlos disputa bola com Kanu durante semifinal olímpica de 1996

Kanu (em disputa de bola com Roberto Carlos) foi o grande destaque da seleção nigeriana em 1996

O ouro olímpico é a única grande conquista que falta ao futebol masculino brasileiro.

Por duas vezes, a seleção brasileira foi vice-campeã - em 1984 e 1988 -, mas o maior trauma do futebol olímpico brasileiro é provavelmente a participação nos Jogos de Atlanta, em 1996, quando perdeu da Nigéria na semifinal depois de estar vencendo por 3 a 1 a dez minutos para o fim da partida.

O ex-atacante Ronaldo, uma das estrelas daquela seleção, lamenta a oportunidade perdida e disse à BBC que a equipe sofreu um inexplicável "apagão" no fim da partida.

"É incrível, tivemos tantas oportunidades", comentou Ronaldo em uma entrevista recente ao ex-jogador britânico Gary Lineker, atualmente comentarista de futebol na BBC.

"Estávamos na frente na semifinal contra a Nigéria, por 3 a 1. Faltando dez minutos para o final do jogo, sofremos um apagão. E acabamos perdendo por 4 a 3", disse.

A seleção brasileira chegou àquela semifinal, disputada na cidade de Athens, no Estado da Geórgia, como franca favorita contra a Nigéria, à qual já tinha derrotado na primeira fase da competição.

Além de Ronaldo, a equipe treinada por Zagallo tinha ainda grandes nomes como Roberto Carlos, Dida, Rivaldo, Aldair e Bebeto.

Fácil

Ronaldo durante entrevista à BBC

Ronaldo era um dos principais destaques da seleção olímpica do Brasil nos Jogos de 1996

O Brasil começou a semifinal com pinta de que ganharia com facilidade, abrindo o placar logo no primeiro minuto da partida, com um gol de falta de Flávio Conceição. A Nigéria empatou com um gol contra de Roberto Carlos, mas o Brasil voltou à frente e ampliou ainda no primeiro tempo, com gols de Bebeto e novamente Flávio Conceição.

A vitória parecia garantida quando o goleiro Dida defendeu um pênalti cobrado por Okocha, já no segundo tempo. Mas aos 35 minutos, Rivaldo perdeu uma bola e permitiu um contra-ataque da Nigéria, que acabou nos pés de Ikpeba, que descontou para os africanos. Já nos descontos, Kanu empatou aproveitando uma falha de Dida.

A prorrogação durou apenas 4 minutos e terminou com mais um gol do atacante Kanu, já que naquela Olimpíada estava vigente a regra da "morte súbita", segundo a qual vencia a partida a primeira equipe a marcar um gol.

A derrota deixou marcas também em outros integrantes daquela seleção. Em uma entrevista há alguns anos, o treinador Zagallo afirmou que o jogo contra a Nigéria nos Jogos de 1996 foi a maior decepção de sua carreira, ainda mais do que a derrota na final da Copa do Mundo de 1998 para a França.

A Nigéria acabou derrotando a Argentina na final para se tornar a primeira nação africana a conquistar a medalha de ouro olímpica no futebol.

Quatro anos depois, nos Jogos de Sydney, foi a vez de Camarões chegar ao ouro – após desclassificar o Brasil nas quartas-de-final.

'Honra'

Ronaldo e Lineker durante entrevista

Em entrevista a Lineker, comentarista da BBC, Ronaldo disse que foi uma 'honra' estar nos Jogos

Para Ronaldo, o público brasileiro "ama" o torneio de futebol olímpico. "Principalmente porque nunca ganhamos a medalha de ouro", disse.

O ex-atacante se diz confiante com o sucesso desta vez. "Temos a base dos jogadores que ganharam o último Mundial sub-20. Então há muita esperança de que neste ano possamos ganhar", disse.

Para ele, a experiência de jogar na Olimpíada de 1996 foi importante para sua carreira, apesar da derrota.

"Fui à Copa do Mundo em 1994 e não pude jogar nem um único minuto. Dois anos depois, fui à Olimpíada de Atlanta e foi uma experiência fantástica", disse. "Para qualquer atleta, é uma honra participar de uma Olimpíada."

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