Protecionismo e entrada da Venezuela minaram Mercosul, diz 'Economist'

Atualizado em  13 de julho, 2012 - 04:21 (Brasília) 07:21 GMT
Dilma Rousseff (esq.) e Cristina Kirchner | Foto: AFP

Lado a lado, Dilma Rousseff (esq.) e Cristina Kirchner, são as duas principais líderes do Mercosul

A suspensão do Paraguai, a polêmica adesão da Venezuela e a crescente tendência ao protecionismo na região minaram o sucesso do Mercosul, que cada vez mais se distancia de seus objetivos comerciais e caminha rumo a uma união meramente sociopolítica, avalia a revista britânica The Economist em artigo publicado em sua edição desta semana.

Citando a crise em Assunção e a polêmica em torno da entrada de Caracas no bloco - que ocorreu sem a aprovação paraguaia e sob críticas do Uruguai - a publicação diz que há motivos para ver a integração sul-americana como ameaçada.

Além disso, a Economist alerta que a união de países criada em 1991 vem trilhando uma preocupante rota protecionista.

"Sob governos de esquerda, o Brasil e – especialmente - a Argentina tornaram-se mais protecionistas. Eles passaram a ver o Mercosul como uma fortaleza, ao invés de uma ponte: fora da América do Sul, os únicos acordos comerciais concluídos pelo bloco na última década foram com Israel e a Autoridade Palestina. Negociações com a União Europeia começaram em 1999, mas se dissiparam", argumenta o artigo.

Classificando o bloco como uma "boa ideia" que enfrenta agora "muitas dificuldades", a revista diz que os parceiros têm sido complacentes com o governo argentino, cujas medidas restritivas já afetam o comércio entre o próprio bloco.

No ano passado, as exportações brasileiras para a Argentina diminuíram em 15% e as uruguaias 10%, diz o artigo.

Venezuela

Mas na visão da revista é a presença da Venezuela e a aproximação com a ideologia de Hugo Chávez que apresentam o maior obstáculo ao sucesso do bloco.

"O Mercosul enfrenta agora um problema novo, criado por ele mesmo, que poderia potencialmente destruí-lo".

Na visão da revista, a união sul-americana foi criada por um grupo de democracias liberais para avançar o livre comércio na região, algo que o líder venezuelano também defende, mas sob uma interpretação peculiar.

"Chávez é um entusiasta dessas causas. Ele tem repetidamente feito um chamado por um 'novo Mercosul', com uma dose de 'Viagra político' para 'descontaminar o neoliberalismo' do bloco e 'priorizar áreas sociais'", diz a Economist.

O artigo diz ainda que, 21 anos após sua criação, o bloco adota estratégias que o afasta de dois de seus principais objetivos: aumentar o livre comércio entre seus membros e apresentar uma alternativa aos avanços dos Estados Unidos com tratados bilaterais com países da região, como Chile, Colômbia e Peru.

"O Brasil escolheu como seus principais aliados as protecionistas Argentina e Venezuela, que pratica uma forma arcaica de socialismo. Para reativar seu crescimento econômico, o Brasil precisa colocar mais ênfase em competitividade e uma diplomacia comercial para abrir mercados, precisamente o que o Mercosul um dia já aspirou fazer."

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