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Saiba por que poucos recordes mundiais devem ser batidos em Londres 2012

Atualizado em  27 de julho, 2012 - 07:04 (Brasília) 10:04 GMT
Cesar Cielo

Recorde de Cesar Cielo nos 50m, alcançado em 2009, dificilmente será batido em Londres

Quantos recordes mundiais devem ser quebrados em Londres 2012?

A resposta é: infelizmente, poucos. Se você gosta de acompanhar os esportes pela TV de olho naquela sigla "WR" ("recorde mundial") que aparece no canto da tela, os Jogos de Londres serão bem menos interessantes do que os de Pequim 2008.

Recordes mundiais estão presentes em apenas algumas modalidades olímpicas: na maioria eles são raras exceções, sem consequências ou sequer existem.

Os grandes esportes em termos de recordes mundiais são atletismo, ciclismo de pista e natação.

Doping tecnológico na natação

Nos Jogos de Pequim, recordes mundiais foram quebrados em 33 modalidades diferentes: um no tiro com arco feminino, quadro no levantamento de peso (alguns dos recordes foram batidos diversas vezes na mesma modalidade), cinco em atletismo (dos quais três são de Usain Bolt), dois em ciclismo de pista e o resto todos na natação.

Mas em Londres 2012, poucos recordes mundiais serão batidos na natação.

Nos meses das Olimpíadas de Pequim, a natação sucumbiu a uma guerra tecnológica entre fabricantes de maiôs. Diferentes empresas brigavam para desenvolver maiôs ultra-aerodinâmicos colados junto ao corpo dos atletas.

No final de 2009, a Federação Internacional de Natação (FINA) baniu os maiôs e pôs fim ao chamado "doping tecnológico" – quando equipamentos e roupas esportivas são usados para melhorar de forma significativa o desempenho dos atletas.

Mas quando a decisão foi tomada, o dano ao quadro de recordes mundiais já havia sido feito.

A maioria esmagadora dos recordes mundiais atuais da natação foram estabelecidos em 2009. Dos 40 recordes mundiais da atualidade, 33 foram alcançados naquele ano.

Até agora, nenhum dos recordes foi marcado com um asterisco – para identificar que houve doping tecnológico. Desde então, com maiôs muito menos aerodinâmicos, apenas dois atletas conseguiram bater novos recordes: o americano Ryan Lochte, dos 200m medley e o chinês Sun Yang, nos 1.500m nado livre – ambos no Mundial do ano passado.

Os recordes mais antigos

Stephanie Rice
  • Natação: 400m medley individual feminino - 4:29.45 de Stephanie Rice (foto), da Austrália, 10 de agosto de 2008
  • Atletismo: 800m feminino - 1:53.28 de Jarmila Kratochvilova, da Rep. Checa, 26 de julho de 1983

No feminino, nenhuma mulher bateu recordes mundiais desde a proibição dos maiôs tecnológicos em 2009.

Isso significa que alguns dos mesmos nadadores que bateram mais de 20 recordes mundiais em Pequim 2008 precisarão de um desempenho no mínimo fenomenal para conseguir quebrar um ou dois recordes mundiais em Londres 2012.

Apesar de os fabricantes estarem se esforçando para atingir os limites das novas regras de natação, os tempos alcançados pelos nadadores até agora indicam que os recordes de 2009 não serão batidos.

Suspeitas no atletismo

No atletismo, dos cinco recordes mundiais estabelecidos em Pequim há quatro anos, apenas os 3.000m com obstáculos – da russa Gulnara Samitlova-Galkina – ainda está de pé.

Desde Pequim, Usain Bolt baixou o tempo de seus recordes nos 100m e 200m rasos, e ajudou a Jamaica a quebrar a marca no revezamento 4x100m.

O atletismo teve um episódio semelhante ao que aconteceu com a natação em 2009. Nos anos 1980, muitos atletas do bloco soviético estabeleceram uma leva de recordes. Mas nos anos seguintes, descobriu-se que houve doping em alguns casos, e muitos recordes ficaram sob suspeita.

O jornalista Matthew Syed, que cobre atletismo, afirma que "todos que fizeram qualquer coisa impressionante" naquela época acabaram "contaminados pela suspeita" de doping.

Ele se refereia à americana Flo Jo – Florence Griffith-Joyner – cujos recordes nos 100m e 200m duraram quase 24 anos. A atleta morreu em 1998 após um ataque epilético. Segundo o britânico David Moorcroft – ex-recordista mundial dos 5.000m – esse tipo de problema é muito comum entre atletas que se doparam nos anos 80.

"Nós nunca saberemos a verdade. O que nós sabemos é que ambos os recordes mundiais de Flo Jo e o recorde dos 400m da alemã oriental Marita Koch, mantido desde 1985, estão muito abaixo do que as mulheres da década atual conseguem correr", afirma Moorcroft.

"Certamente existe algo aí: hoje o esporte é mais limpo, e estamos vendo desempenhos mais condizentes com a capacidade das mulheres. Nós nunca saberemos com Flo Jo. Ela nunca foi pega em um antidoping, e se você acredita nisso, ela fez algo maravilhoso."

Mas nem todos os recordes inquebráveis estão sob suspeita. O recorde dos 400m do americano Michael Johnson, estabelecido em 1999, é ainda mais de um segundo abaixo do melhor tempo atingido pelo caribenho Kirani James, o atual campeão.

Usain Bolt

Marcas de Usain Bolt parecem estar fora do alcance dos demais velocistas

Os três recordes de Bolt – nos 100m e 200m e no revezamento 4x100m – só parece estar sob ameaça de ser quebrado pelo próprio Bolt.

Nos demais eventos de salto, ninguém parece estar perto de pular mais alto do que os 6,14m do russo Serguei Bubka, no salto com vara em 1994, ou mais longe do que os 18,29m do britânico Jonathan Edwards, de 1995.

O atual campeão, o americano Christian Taylor, teria que saltar 34 centímetros a mais do que sua melhor marca para bater o recorde.

Esperança no ciclismo

O esporte com maior possibilidade de novos recordes é o ciclismo de pista, que tem sido dominado por britânicos e australianos nos últimos anos. Nesta modalidade, tanto a tecnologia quanto os atletas estão atingindo novos limites.

O teste olímpico da pista de Londres, realizado em fevereiro, mostrou que o local permite velocidades ainda maiores do que o normal, o que pode levar a uma série de novos recordes mundiais.

Ainda assim, o esporte também tem sido marcado nos últimos anos por escândalos de doping, o que põe em dúvida a lisura de algumas marcas já obtidas.

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