Estudo conclui que limitar o tempo que passamos sentados nos ajuda a viver mais

Atualizado em  10 de julho, 2012 - 15:35 (Brasília) 18:35 GMT
Computador escritorio | Foto: Reuters

Limitar o tempo que passamos sentados a apenas três horas por dia poderia adicionar dois anos à nossa expectativa de vida, revelam cientistas americanos.

Seguindo esse princípio, restringir o tempo que passamos em frente à TV a duas horas por dia poderia acrescentar 1,4 anos à nossa expectativa de vida, afirmam os especialistas do Pennington Biomedical Research Center em Baton Rouge, Louisiana, em um artigo publicado na revista online BMJ Open.

Comentando o estudo, no entanto, outros cientistas dizem que as estimativas americanas, baseadas em cinco estudos populacionais diferentes, não são confiáveis o suficiente para predizer os riscos pessoais.

Além disso, tal meta não é realista, argumentam os críticos.

Vida Sedentária

A recomendação médica para exercícios entre adultos é de pelo menos duas horas e meia de atividade aeróbica de intensidade moderada (como andar de bicicleta ou caminhar rápido) por semana, além de duas sessões semanais de exercícios para fortalecer os músculos.

Mas mesmo se você segue as recomendações, pode continuar a ter um estilo de vida sedentário. Por exemplo, se você trabalha em um escritório, pode passar a maior parte do seu dia de trabalho sentado.

Há cada vez mais evidências de que quanto mais tempo passamos sentados, menos saudáveis nós somos.

Vários estudos vincularam sentar e assistir TV a enfermidades como diabetes e doenças cardíacas, bem como um risco maior de morte.

Identificar uma relação entre o tempo que passamos sentados e longevidade, no entanto, não significa provar que uma coisa de fato causa a outra.

Os próprios pesquisadores, aliás, admitem que o estudo tem pontos fracos, o que torna as revelações menos confiáveis.

Alerta de Saúde

O estudo americano analisou uma grande amostra populacional -quase 167 mil pessoas no total- mas não investigou os diferentes estilos de vida dos indivíduos envolvidos.

Não se sabe ao certo quantos dos participantes já tinham problemas de saúde no início do estudo e, portanto, passavam mais tempo sentados em consequência disso.

Além disso, o estudo pressupunha que os participantes se lembrassem e relatassem com precisão o tempo que passaram sentados.

Os especialistas responsáveis, Peter Katzmarzyk e I-Min Lee, enfatizam que suas estimativas são teóricas.

Mas uma vez que os adultos pesquisados relataram ter passado, em média, a metade de seus dias sentados "fazendo atividades sedentárias", as conclusões do estudo podem representar um importante alerta de saúde pública.

Repercussão

O especialista em cálculos de risco David Spiegelhalter, da Universidade de Cambridge, na Grã-Bretanha, disse: "Este é um estudo de populações e não diz a você pessoalmente qual poderia ser o efeito de sair do sofá".

"Parece plausível que se gerações futuras se mexerem um pouco mais, talvez vivam mais".

"Mas poucos de nós passam menos de três horas sentados diariamente, então essa parece ser uma meta otimista".

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