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À revelia do Paraguai, Mercosul anuncia adesão da Venezuela ao bloco

Atualizado em  29 de junho, 2012 - 17:02 (Brasília) 20:02 GMT
Cristina e Dilma. AFP

Encontro em Mendoza discutiu sobretudo o polêmico impeachment relâmpago de Lugo

Os líderes de Argentina, Brasil e Uruguai anunciaram nesta sexta-feira, em Mendoza, a adesão da Venezuela como membro pleno do bloco. A decisão se deu à revelia do Paraguai, suspenso do grupo após o polêmico impeachment do ex-presidente Fernando Lugo. O país era o único integrante do bloco que ainda não havia ratificado a adesão venezuelana.

"Anunciamos a adesão da República da Venezuela como membro pleno do Mercosul em uma reunião (extraordinária) no dia 31 de julho no Rio de Janeiro", disse a presidente Cristina Kirchner, da Argentina.

Ao discursar, a presidente Dilma Rousseff disse esperar "que a Venezuela formalize a adesão buscada com esforço". Em menção indireta ao Paraguai, Dilma disse que o Mercosul tem "o compromisso democrático" e rejeita "ritos sumários", em uma referencia ao rápido impeachment de Lugo.

Segundo Dilma, o Mercosul está aberto para a adesão de novos sócios plenos do bloco.

Em Caracas, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, comemorou a decisão e afirmou que o ingresso do país no Mercosul, após sete anos de espera, representa "uma derrota para o imperialismo americano e as burguesias lacaias da região".

Segundo Chávez, a burguesia venezuelana junto da do Paraguai "fez o impossível para evitar a inclusão da Venezuela no bloco regional".

A Venezuela fez seu pedido formal de adesão ao bloco em 2005. O pedido foi analisado pelos Congressos dos quatro países membros. Apenas o Senado paraguaio ainda não havia aprovado a adesão, sob o argumento, de alguns senadores, de que a Venezuela não respeita os valores democráticos exigidos pelo bloco.

Ironicamente, esse foi o mesmo argumento usado pelos sócios do bloco para suspender o Paraguai após o impeachment de Lugo.

TLC com os EUA

Mais cedo, em Assunção, o novo presidente do Paraguai, Federico Franco, lamentou a suspensão temporária de seu país do Mercosul e não descartou que o país firme um Tratado de Livre Comércio (TLC) com os Estados Unidos.

“Ao ser suspenso, o Paraguai está liberado para tomar decisões e vamos fazer o que for melhor para os interesses paraguaios”, disse Franco, segundo a imprensa paraguaia.

Quando perguntado sobre a possibilidade de “negociar acordos comerciais com Estados Unidos, China ou outros países”, o presidente paraguaio respondeu: “é uma possibilidade”.

'Golpe brando'

Ao abrir o encontro, a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, qualificou de “golpe brando” o impeachment relâmpago de Fernando Lugo, no Paraguai.

“Essa vai ser uma reunião histórica porque apesar das diferentes visões que temos (no Mercosul e na Unasul) temos em comum a defesa da legalidade. E que não se instalem na região os golpes brandos. Movimentos que sob a marca de certa institucionalidade significam a quebra da ordem institucional”, afirmou a presidente argentina.

Cristina questionou a falta de prazo para que Lugo se defendesse durante o processo de impeachment, na semana passada. “Meu país acredita que houve ruptura da ordem democrática do Paraguai. Não há no mundo processo político que dure duas horas e que não tenha espaço para a defesa”, afirmou.

Sanções

No discurso, Cristina disse que a decisão do Mercosul é a de não aplicar sanções econômicas ao Paraguai porque “elas nunca são pagas pelos governos, mas pelos povos”. A única sanção será a suspensão do país nas reuniões do blogo, o que significa o isolamento paraguaio na região.

Em Assunção, o novo ministro das Relações Exteriores do governo Franco, José Félix Fernández Estigarribia, questionou a legalidade do impedimento de o Paraguai participar das reuniões do Mercosul e da Unasul.

"Não quero sanções políticas e nem econômicas porque não são justas e nem legais”, disse.

A Unasul está sob a presidência paraguaia mas, segundo ele, o destino da participação do país no grupo também será definida com a ausência paraguaia.

Entre os presidentes que participam das reuniões estão, além de Dilma e de Cristina, José Mujica, do Uruguai, Ollanta Humala, do Peru, Evo Morales, da Bolívia, Rafael Correa, do Equador, e Sebastián Piñera, do Chile. Ao contrário do esperado, Hugo Chávez, da Venezuela, não compareceu e está sendo representado por seu ministro das Relações Exteriores, Nicolas Maduro.

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