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Gravidez é maior causa de morte entre adolescentes no mundo, diz ONG

Atualizado em  27 de junho, 2012 - 14:28 (Brasília) 17:28 GMT
Menina refugiada

Países com taxas altas de mortalidade infantil também possuem índices altos de fertilidade

Uma organização de defesa dos direitos da infância afirmou nesta quarta-feira que a gravidez é a principal causa de morte entre adolescentes em todo o mundo.

A Save the Children, com sede na Grã-Bretanha, diz que pode parecer paradoxal que o processo de nascimento acabe se tornando a principal causa de morte de adolescentes no mundo.

Gestações e partos causam anualmente o falecimento ou sérias lesões em um milhão de adolescentes, a maior parte das jovens com poucos recursos, pequeno acesso à educação e moradoras de países em desenvolvimento.

Segundo um relatório da Save the Children, a raiz do problema está na falta de acesso a métodos anticoncepcionais e ao pouco planejamento familiar em muitos países.

Riscos

Muitas jovens entre 15 e 18 anos se casam e engravidam logo após o casamento, quando seus corpos ainda não estão nem preparados para dar à luz.

Permitir o acesso ao planejamento familiar de maneira que possam adiar outra concepção por menos três anos depois de ter dado a luz reduz o risco de complicações para a mãe e para o filho, e pode salvar até 1,8 milhões de vida por ano.

Cerca de 222 milhões de mulheres em todo o mundo que não querem engravidar não possuem acesso a métodos anticoncepcionais.

Este ano, se calcula que haverá cerca de 80 milhões de gravidezes sem nenhum tipo de planejamento familiar nos países em desenvolvimento.

Gravidez entre adolescentes

  • Globalmente, um em cada cinco meninas foi mãe antes dos 18 anos.
  • Complicações na gravidez são a maior causa de morte entre jovens de 15 a 19 anos no mundo.
  • A cada ano, 50 mil adolescentes e jovens morrem durante a gravidez ou o parto.
  • O risco de uma mulher de morrer por causa relacionada à maternidade é de 1 entre 3,8 mil em países desenvolvidos, mas apenas 1 entre 150 em países em desenvolvimento.
  • Uma pesquisa nacional na Nigéria em 2005 constatou que quase um terço das mulheres acreditava que certos métodos anticoncepcionais poderiam provocar infertilidade.
  • Segundo ONGs, cada US$ 1 investido em planejamento familiar poupa ao menos US$ 4 gastos em lidar com complicações de gravidez.
  • O risco de morte para recém nascidos aumenta em 60% se a mãe tem menos de 18 anos.
  • 10 milhões é o número estimado de meninas menores de 18 anos que se casam por ano, o equivalente a 25 mil por dia.

A correspondente da BBC Emily Buchanan explica que em uma clínica de uma região pobre no norte da Libéria, um terço de todos os bebês que nascem tem mães entre 15 e 19 anos de idade. Algumas sequer passaram dos 13.

Um dos diretores do projeto Save the Children na região, George Kijana, disse à BBC que estas mães tão jovens estão expostas a complicações médicas.

"O corpo destas jovens não está preparado, pode desenvolver fístulas em um parto prolongado", diz.

Os bebês também correm riscos. Kijana explica que os riscos de morte aumentam se as meninas têm menos de 18 anos.

Durante anos, os programas de planejamento familiar lutaram para encontrar financiamento e apoio, por vezes sofrendo resistência de grupos religiosos.

Líderes internacionais se encontram em Londres no próximo mês para uma conferência sobre planejamento familiar promovido pelo governo britânico e pela Fundação Bill e Melinda Gates.

A agência americana de desenvolvimento USAID, em cooperação com os governos de Índia e Etiópia, fez um apelo mundial para ações que ponham fim, em apenas uma geração, às mortes consideradas evitáveis. A Save the Children defende este projeto promovendo o planejamento familiar.

Segundo a entidade, satisfazer a demanda global por anticoncepcionais pode prevenir em 30% as mortes maternas e em 20% as mortes de recém nascidos nos países em desenvolvimento, além de salvar potencialmente 649 mil vidas por ano.

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