BBC navigation

Cerca reciclada protege 'novos jardins' da Rocinha

Atualizado em  22 de junho, 2012 - 11:49 (Brasília) 14:49 GMT

Rocinha

  • Eric Camara/BBC Brasil
    Imagem aérea mostra a Rocinha, maior favela do Brasil, atualmente pacificada. Descontentamento de moradores com as autoridades influenciou práticas sustentáveis na comunidade. (Foto: Eric Camara/BBC Brasil)
  • Eric Camara/BBC Brasil
    Um morador local, Zenílton Marinho, mais conhecido como Zé Fininho, criou canteiros bem cuidados e bem guardados, cercados com materiais encontrados no lixão, como garrafinhas de plástico, fios elétricos e arames. As cercas foram criadas para proteger as mudas que foram plantadas, já que, segundo Zé Fininho, o trabalhou foi deixado "pela metade" pelo governo, cujas instalações não previam as cercas. (Foto: Eric Camara/BBC Brasil)
  • Eric Camara/BBC Brasil
    Casas coloridas instaladas na Rocinha foram inspiradas por construções semelhantes em Barcelona. Moradores aprovaram mudanças promovidas por parcerias entre lideranças locais e o governo. (Foto: Eric Camara/BBC Brasil)
  • Eric Camara/BBC Brasil
    Recentemente inaugurada, a Biblioteca-Parque da Rocinha tem 1.600 metros quadrados e poderá atender cerca de 215 mil pessoas por ano, entre moradores da região e de bairros próximos, tendo capacidade inicial para 15 mil livros e dois mil DVDs. Governo estadual diz que Complexo do Alemão deve ser próxima comunidade a receber instalações do tipo. (Foto: Eric Camara/BBC Brasil)
  • Eric Camara/BBC Brasil
    Casas coloridas se tornaram símbolo de nova fase da comunidade após o processo de pacificação iniciado em novembro do ano passado, quando centenas de policiais subiram as ruas da Rocinha, auxiliados por helicópteros do Exército. (Foto: Eric Camara/BBC Brasil)
  • Eric Camara/BBC Brasil
    Carlos Costa, escritor que trabalhou como líder comunitário da favela durante anos, diz que para muitos moradores da Rocinha a Rio+20 pode ser vista como perda de tempo. "Quando você percebe que as autoridades não sabem como vão fazer para consolidar os planos que apresentam, você vê que não vai dar em nada", indica. (Foto: Eric Camara/BBC Brasil)
  • Eric Camara/BBC Brasil
    Subindo as vielas da comunidade, um novo universo é revelado na Rocinha. Projetos de reciclagem e sustentabilidade ganharam mais atenção após o processo de pacificação. (Foto: Eric Camara/BBC Brasil)
  • Eric Camara/BBC Brasil
    Embora o governo tenha contribuído com alguns projetos, como a "Fábrica Verde", para a maioria dos moradores as ações públicas não são suficientes. Para o ex-líder comunitário Carlos Costa, o Carlinhos, as mais expressivas transformações na Rocinha deverão se dar pelas mãos da sociedade civl e não do poder público. (Foto: Eric Camara/BBC Brasil)
  • Eric Camara/BBC Brasil
    Morador de um pequeno quarto à margem do valão por onde ainda passa o esgoto a céu aberto da Rocinha, o jovem Rodrigo Macedo recicla cerca de duas toneladas de garrafas plásticas por semana, além de 800 quilos de latas. (Foto: Eric Camara/BBC Brasil)

'Fábrica Verde'

Se entre os participantes da Rio+20 o tom ao fim do encontro é marcado fortemente por decepção, a alguns quilômetros de lá, na favela da Rocinha, falava mais alto a indiferença sobre o encontro de líderes e chefes de Estado.

O escritor Carlos Costa, que atuou como líder comunitário da favela durante anos, afirmou à BBC Brasil que para, ambiente muitos moradores da Rocinha, a Rio+20 pode ser vista como perda de tempo.

"Quando você percebe que as autoridades não sabem como vão fazer para consolidar os planos que apresentam, você vê que não vai dar em nada", disse Costa, acrescentando que acredita muito mais nas mudanças promovidas pela sociedade civil.

E de fato, nas ruas pacificadas da comunidade, não é difícil encontrar iniciativas sustentáveis de moradores.

De um pequeno quarto à margem do valão por onde ainda escorre o esgoto da favela a céu aberto, o jovem Rodrigo Macedo recicla cerca de duas toneladas de garrafas plásticas por semana, além de 800 quilos de latas.

No recinto apertado em que funciona a firma, cabem apenas duas pessoas entre enormes sacos repletos de garrafas, latas e outros materiais recicláveis. A sucata, toda recolhida das ruas da favela, é vendida à Prefeitura do Rio de Janeiro.

Barcelona

Subindo uma das vielas que levam favela acima, chega-se à Rua 4, uma das vitrines do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), pós-ocupação.

Com suas casas coloridas, inspiradas em Barcelona, poucos olham para baixo. Mas quem o faz logo percebe canteiros bem cuidados e cercados.

A iniciativa é também de um morador, Zenílton Marinho - mais conhecido como Zé Fininho.

Fininho alega que as autoridades deixaram o trabalho "pela metade", sem instalar cercas para proteger as mudas plantadas. Semanas depois, o resultado, segundo ele era desanimador.

"Isso aqui fico tudo chão batido. As crianças corriam por cima, cachorros. Tinha gente querendo fazer garagem", contou à BBC Brasil.

Foi aí que o autônomo decidiu construir uma cerca para proteger os canteiros. O material usado foi todo encontrado no lixão: fios elétricos, arames e muitas garrafas plásticas.

Meses depois, Zé Fininho já está retirando as cercas de alguns pontos.

"Agora, as plantas já cresceram".

O governo também colaborou recentemente para reforçar as credenciais sustentáveis da Rocinha com a abertura da chamada "Fábrica Verde".

O projeto de reciclagem de material eletrônico visa a capacitar jovens para realizar manutenção e reparos de computadores e, ao mesmo tempo, reaproveitar micros "aposentados".

BBC © 2014 A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo de sites externos.

Esta página é melhor visualizada em um navegador atualizado e que permita o uso de linguagens de estilo (CSS). Com seu navegador atual, embora você seja capaz de ver o conteúdo da página, não poderá enxergar todos os recursos que ela apresenta. Sugerimos que você instale um navegados mais atualizado, compatível com a tecnologia.