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Contra crise, Brics concordam com troca de moeda e estudam fundo comum de reservas

Atualizado em  18 de junho, 2012 - 19:54 (Brasília) 22:54 GMT
A presidente Dilma Rousseff e os outros líderes dos Brics em reunião no México (Foto: AFP/Getty Images)

Os líderes dos Brics participaram de reunião informal antes da abertura da cúpula do G20, em Los Cabos, no México

Os cinco países do grupo de emergentes Brics – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – concordaram formar uma espécie de fundo virtual de reservas para ajudar seus membros em um eventual momento de crise.

O fundo, inspirado na chamada iniciativa Chiang Mai, entre dez países asiáticos, seria uma forma de combater problemas de liquidez em qualquer um dos cinco países por conta da crise, enviando ao mercado uma mensagem de "fortalecimento", disse a jornalistas no México o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Junto com a ideia do fundo, disse Mantega, os Brics concordaram em permitir desde já operações de troca de moeda como as realizadas pelo Fed, o Banco Central americano, e 13 autoridades monetárias internacionais em 2009, que ajudaram a reduzir a escassez de dólares na economia global e gerar estabilidade para o sistema financeiro.

Segundo ele, a proposta do fundo será elaborada até a próxima reunião de primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI), em abril de 2013.

"Os cinco Brics possuem hoje US$ 4,5 trilhões em reservas internacionais e nossa solidez financeira pode contribuir para melhorar o quadro financeiro internacional", afirmou.

Crise no horizonte

A ideia foi acordada na reunião informal dos Brics horas antes da abertura oficial do G20, o grupo dos mais importantes países emergentes e avançados, que tem lugar em Los Cabos, no México.

Nele, disse o ministro, o diagnóstico foi de que a crise mundial, que voltou a piorar neste ano, "vai além dos problemas financeiros que foram identificados na Grécia, na Espanha e outros países".

"É uma crise que afeta o crescimento da economia mundial, o comércio mundial, e portanto o antídoto para a crise vai além do que está sendo tomado pelos países europeus."

Nesse contexto, disse Mantega, o fundo seria um mecanismo para "fortalecer a confiança" nos emergentes. Mas o ministro negou que, por trás da ideia, esteja o pressuposto de que a crise ainda vai perdurar por muitos anos, que afetará os balanços financeiros.

"Não significa que os Brics estão antevendo crise. Isso é um fortalecimento da sua estrutura financeira. É importante para a confiança, porque algo que se deteriorou nessa crise que estamos vivendo foi a confiança: dos mercados, dos cidadãos na capacidade de gestão dos governos e nas soluções que estão sendo dadas, principalmente pelos governos europeus", alfinetou.

"Esse é um passo que vai no sentido de aumentar a confiança. É importante que haja uma região do mundo que esteja em maior dinamismo e que possa ajudar a outra região. Achamos que esse mecanismo fortalece a economia mundial."

Aporte ao FMI

Além desse tema, Mantega confirmou que os cinco países Brics discutiram aportes prometidos em abril para dobrar a muralha anticrise do Fundo Monetário Internacional (FMI). A diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, havia dito que o órgão queria elevar em mais de US$ 430 bilhões seus recursos para combater a crise, e que US$ 360 bilhões já haviam sido prometidos na sua reunião de primavera deste ano, deixando o restante para os Brics.

Ainda fazendo mistério sobre a quantia que os emergentes vão aportar, em grupo ou em separado, Mantega disse que o valor será revelado pela presidente Dilma Rousseff durante as reuniões do G20, nos próximos dois dias.

Mantega precisou que os recursos seriam aportados apenas com a condição de que o Fundo complete até outubro a sua reforma das cotas aprovada em 2010 – que ainda precisa ser ratificada pelos parlamentos de um quinto dos países – e que os recursos sejam utilizados apenas depois de esgotadas outras fontes de recursos do FMI.

"Sabemos das dificuldades dos países (de aprovar a reforma de cotas de 2010) e vamos pressionar por ela. Mas o dinheiro que nós vamos colocar no FMI virá depois do dinheiro que já foi colocado lá, então os prazos poderão coincidir", explicou o ministro.

"A gente vai declarar agora que vai fazer um aporte adicional, mas não é um desembolso. O Fundo Monetário ainda tem muitos recursos dos aportes anteriores, então de certa forma acaba coincidindo. Provavelmente vamos aprovar na mesma época em que a reforma de cotas seja levada a cabo."

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