Análise: Eleição francesa dá mandato poderoso a presidente Hollande

Atualizado em  18 de junho, 2012 - 15:04 (Brasília) 18:04 GMT
François Hollande

Hollande está conseguindo mudar balança de poder mais rápido do que se esperava

As eleições francesas realizadas no final de semana são um endosso importante do eleitorado às políticas voltadas para o crescimento econômico propostas pelo presidente francês François Hollande.

No domingo, o Partido Socialista, de Hollande, conquistou mais de 300 vagas – a maioria absoluta na Assembleia Nacional, a câmara baixa do Parlamento. Esta é a primeira vez que isso acontece em 30 anos, desde os dias de François Mitterrand.

A votação é mais um sinal de que o povo na Europa está se levantando contra a austeridade fiscal.

"Isso nos dá muita responsabilidade na França e na Europa."

Até agora, o tema sensível dos cortes públicos tem sido evitado, pelo menos até que as eleições estejam fora da agenda francesa.

Mas com o endividamento público beirando os 90% e com o déficit do país ficando 10 bilhões de euros acima da meta de 4,5% do PIB, o governo terá de tomar decisões difíceis pela frente.

O governo afirma que pode recorrer a um aumento de impostos para preencher o buraco neste ano, mas olhando para o orçamento de 2013 é inevitável que algum tipo de corte de gastos será necessário.

Espaço para manobra

A boa notícia para Hollande é que com este resultado eleitoral ele poderá tomar decisões duras, sem recorrer ao Partido Verde ou à extrema esquerda. Mas sua credibilidade será medida na Europa pela sua habilidade de equilibrar as demandas de seus próprios aliados.

Domingo foi mais uma noite ruim para o UMP, o partido conservador do ex-presidente Nicolas Sarkozy. A sigla terá 220 vagas no novo Parlamento.

Houve rupturas durante a campanha eleitoral. Alguns queriam uma aliança com a Frente Nacional, de extrema-direita.

O partido que pagou o maior preço foi o Direita Popular, que era aliado do UMP. Apenas 19 de seus 39 parlamentares se reelegeram. Aqueles que perderam podem se sentir tentados a formar uma aliança com a extrema-direita de Marine Le Pen.

A Frente Nacional conquistou duas vagas. Esta é a primeira vez que isso acontece desde os anos 1980, o que mostra que muitos eleitores apoiam medidas contra a imigração e contra a maior integração europeia.

Marine Le Pen está protestando contra sua apertada derrota na cidade de Henin Beaumont, por menos de cem votos. Mas em Carpentras, sua sobrinha, Marion Marechal-Le Pen, de 22 anos, tornou-se a parlamentar mais jovem da história da França.

O caso mais curioso neste pleito aconteceu na cidade de La Rochelle, onde a ex-mulher de Hollande e ex-candidata socialista à Presidência em 2007, Ségolène Royal, foi derrotada. Sua campanha foi atacada pela atual primeira-dama, Valerie Trierweiler, que usou o Twitter para apoiar o rival de Ségolène, Olivier Falorni. Em seu discurso de derrota, a ex-mulher de Hollande falou em "traição política".

Segolene Royal

Ex de Hollande, Ségolène Royal reclamou que foi vítima da atual primeira-dama no Twitter

O caso extremo de La Rochelle, onde Ségolène Royal liderava durante quase toda a campanha, foi um vexame para a hierarquia do Partido Socialista. Mas também foi a única mancha em uma noite impecável para Hollande.

Alemanha

Com este resultado impressionante, Hollande viajou para o México, onde participa desde esta segunda-feira das discussões dos G20 – as maiores nações industrializadas e emergentes do planeta.

Hollande está conseguindo mudar a balança de poder na Europa com mais rapidez do que se imaginava, tirando muito do poder de Berlim.

Líderes na Itália e na Espanha estão se aproximando do francês. Na próxima semana, ele apresentará uma "Aliança pelo Crescimento", um documento de 11 páginas que prevê 120 bilhões de euros em investimentos na economia da zona do euro.

O premiê francês, Jean-Marc Ayrault, disse que a França tem a tarefa "imensa" de "reorientar a Europa em direção ao crescimento, protegendo-a da especulação".

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