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Conheça os dois líderes que dominam o cenário político na Grécia

Atualizado em  17 de junho, 2012 - 09:23 (Brasília) 12:23 GMT

As pesquisas oficiais de opinião foram proibidas há duas semanas na Grécia, mas nos últimos meses dois políticos têm dominado as atenções do eleitorado grego.

Alexis Tsipras, líder do partido de esquerda Syriza, e Antonis Samaras, da sigla de centro-direita Nova Democracia, representam as duas principais correntes políticas nas eleições que estão sendo disputadas neste domingo.

Ambos fracassaram na tarefa de formar um governo de coalizão após eleições realizadas no mês passado, o que provocou a convocação do novo pleito neste domingo.

Confira abaixo o perfil dos dois líderes gregos.

Alexis Tsipras, líder do Syriza

Alexis Tsipras

Alexis Tsipras é o mais jovem político a liderar um partido grego

Aos 37 anos, Alexis Tsipras é o mais jovem líder político da Grécia – e um representante de todos aqueles, jovens ou velhos, que são contra os aumentos de impostos e cortes de gastos públicos.

Sua dura campanha este ano conseguiu alavancar a coalizão do Syriza e de alguns partidos ambientalistas e de esquerda para o segundo lugar na preferência do eleitorado grego.

Tsipras nasceu em Atenas três dias depois da queda do governo militar, em 1974.

Ele ganhou fama aos 17 anos, quando o então governo de direita propôs reformas no sistema de educação do país. Alexis liderou a ocupação de sua escola por estudantes, que passaram a morar e dormir nas salas de aula.

O jovem líder conseguiu sua primeira vitória política, depois que o governo recuou em suas propostas. Foi neste período que Tsipras conheceu Betty Baziana, outra jovem ativista, com quem vive até hoje.

Após o colégio, ele começou a estudar engenharia civil na Universidade Nacional Técnica de Atenas, onde se manteve no cenário da política estudantil. Em pouco tempo, ele articulou uma coalizão de esquerdistas radicais e grupos ambientais.

Da política universitária, ele passou para a política municipal. Em 2006, Tsipras encabeçou a coalizão liderada pelo Syriza nas eleições para a Prefeitura de Atenas. O resultado impressionou muita gente: contra políticos muito mais tradicionais e estabelecidos, o jovem líder conseguiu chegar em terceiro lugar.

Juventude

Quatro anos depois, ele foi escolhido para liderar o partido em nível nacional. Aos 34 anos, ele se tornou o mais jovem líder de um partido político na Grécia.

Ao longo dos últimos dois anos, ele condenou veementemente o acordo firmado pelo governo grego com a "troika" – a União Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Ele acredita que cortar empregos e serviços públicos é uma política fracassada e sugere que os credores internacionais pretendem "abolir a democracia" na Grécia.

Sua atitude mais informal também chama a atenção dos eleitores. Ele prefere cruzar as ruas de Atenas de moto, em vez de limousines – como fazem muitos outros líderes políticos gregos. Ele também não costuma usar terno e gravata.

Antonis Samaras, líder da Nova Democracia

Antonis Samaras

Antonis Samaras ficou famoso por sua campanha envolvendo a criação da Macedônia

O economista Antonis Samaras lidera a principal sigla conservadora grega, a Nova Democracia.

Ele ficou conhecido no começo dos anos 1990 quando, à frente do ministério das Relações Exteriores, liderou uma campanha contra o uso do nome "Macedônia" pelo país que havia recém sido formado após a dissolução da Iugoslávia. Macedônia é também uma região dentro da Grécia.

A campanha foi considerada contundente demais, e Samaras acabou demitido do ministério. Em seguida, ele abandonou a Nova Democracia.

Em 2010, já de volta ao partido e liderando a oposição, ele se recusou a apoiar o primeiro pacote de ajuda financeira, acordado pelo primeiro-ministro George Papandreou. Mas no ano passado, diante da perspectiva de um colapso financeiro nacional, ele resolveu apoiar o segundo pacote, de 130 bilhões de euros.

Sua postura ambígua diante dos pacotes foi alvo de críticas, já que a Nova Democracia é considerada por muitos como parcialmente culpada pela crise, pois a sigla aumentou muito o endividamento grego quando esteve no poder.

Samaras nasceu em 1951 em Atenas. Ele vem de uma família de comerciantes ricos de Alexandria, e estudou nas melhores escolas de Atenas.

Após uma curta carreira como jogador de tênis, ele estudou economia e negócios em Harvard, nos Estados Unidos. Lá, ele conheceu George Papandreou. Os dois ganharam notoriedade ao deixar suas barbas crescerem em protesto contra o regime militar, que os baniu de voltar ao país.

A proximidade entre os dois líderes gregos de correntes políticas tão distintas foi um dos fatores que levou muitos eleitores gregos a votar contra siglas tradicionais, em maio de 2012, e em favor de partidos radicais de esquerda e direita.

Aos 26 anos, Samaras foi eleito para o parlamento grego e chegou a ocupar o ministério das Finanças e das Relações Exteriores. Mas em 1992, diante do episódio envolvendo a Macedônia, ele abandonou o governo e a Nova Democracia.

Criação de empregos

Ele fundou um novo partido – a Primavera Política – que causou grandes prejuízos eleitores ao ex-aliado, o então premiê Konstantinos Mitsotakis. Em 2004, Samaras fechou um acordo com seus desafetos e voltou à Nova Democracia.

Em 2009, ele derrotou a filha de Mitsotakis na disputa pela liderança da sigla.

Na eleição de maio de 2012, a Nova Democracia foi o partido mais votado, mas fracassou na tentativa de formar um governo.

Samaras despreza as políticas esquerdistas do Syriza, mas algumas de suas promessas também são contra austeridade fiscal. Ele promete ajudar os empresários com cortes de impostos e mobilizar recursos europeus para construção civil, em uma tentativa de reanimar a economia grega.

Ele também quer reverter alguns cortes nas aposentadorias, proteger salários no setor privado e estender os prazos das medidas de austeridade. Sua principal plataforma é a geração e proteção de empregos.

Ele se diz capaz de renegociar com os credores da dívida grega sem a necessidade de confrontá-los. Ele também acredita que "a volta do dracma [a moeda grega] seria a morte imediata".

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