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Eleições sinalizam poder inédito para esquerda francesa

Atualizado em  11 de junho, 2012 - 17:16 (Brasília) 20:16 GMT
O presidente da França, François Hollande, após votar no primeiro turno das eleições legislativas (Foto: AP)

Socialistas e aliados devem controlar, pela primeira vez, todas as principais instâncias políticas do país

Com fortes chances de obter a maioria absoluta na câmara dos deputados no próximo domingo, como indicam os resultados do primeiro turno das eleições legislativas na França, a esquerda francesa deve concentrar poderes inéditos e controlará, pela primeira vez, ao mesmo tempo, todas as principais instâncias políticas do país.

Antes da eleição à presidência do socialista François Hollande, em maio, a esquerda francesa já tinha passado a controlar de maneira inédita o Senado, além da quase totalidade das regiões do país e dos chamados departamentos administrativos e também a maioria das prefeituras das grandes cidades.

Analistas apontam que o Partido Socialista e seus aliados deverão obter com folga a maioria absoluta na Assembleia Nacional (a câmara dos deputados), que é de 289 cadeiras.

Tradicionalmente na França, as eleições para a câmara dos deputados, que ocorrem no mês seguinte à votação presidencial, são vencidas pelo partido do presidente.

Isso facilita ao novo governo implementar as propostas anunciadas pelo presidente em sua campanha.

Controle

Se isso ocorrer, esta será a primeira vez na história da 5ª República, iniciada em 1958 com o general Charles de Gaulle, que a esquerda francesa acumulará, ao mesmo tempo, a presidência do país e controlará as duas câmaras do Parlamento.

No ano passado, a esquerda já havia obtido pela primeira vez na 5ª República o controle do Senado francês.

Após a eleição do ex-presidente Nicolas Sarkozy, em 2007, a esquerda veio conquistando progressivamente todas as eleições intermediárias realizadas antes da nova disputa presidencial deste ano.

Nas eleições regionais de 2010, a esquerda havia conquistado 23 das 26 regiões francesas. O partido UMP, de Sarkozy, só havia conseguido obter a região da Alsácia, no leste da França, e dois territórios ultramarinos, a ilha da Reunião e a Guiana.

A esquerda também controla 61 dos 100 departamentos administrativos (eleições cantonais de 2011) e a prefeitura de grandes cidades, como Paris, Lyon, Lille, Nantes e Toulouse.

Das dez principais cidades francesas, sete são controladas pela esquerda. Apenas um ano após a eleição de Sarkozy, em 2007, o Partido Socialista e seus aliados haviam obtido o controle de mais de 80 das 152 cidades francesas com mais de 30 mil habitantes.

Sarkozy

Segundo analistas, a baixa popularidade do ex-presidente Sarkozy, que registrou o menor índice de aprovação de todos os presidentes da 5ª República e foi severamente criticado logo no início de seu mandato por seu estilo exuberante, permitiu que a esquerda ganhasse progressivamente terreno.

As eleições regionais, cantonais e municipais teriam sido marcadas por votos de protesto do eleitorado contra a política e o estilo e o governo de Sarkozy.

O primeiro turno das eleições regionais, no domingo, foi marcado por uma taxa recorde de abstenção, de 42,8%.

Segundo cálculos da imprensa francesa, os socialistas e pequenos partidos associados devem obter entre 288 e 324 cadeiras. O Partido Verde, também aliado, deve eleger entre 10 e 15 deputados, e a Frente de Esquerda, entre 12 e 17. A maioria absoluta é obtida com 289 deputados.

O UMP, de Sarozy, com o Novo Centro e o Partido Radical, deve ficar com entre 224 e 261 cadeiras.

Não se sabe ainda se o Front National, da extrema direita, da líder Marine Le Pen, elegerá deputados. Segundo cálculos da imprensa francesa, o Front National ainda teria possibilidades de conquistar até quadro cadeiras.

Desde os anos 80, esse partido não tem nenhum deputado na Assembleia Nacional francesa.

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