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A dois anos da Copa, obras geram contradições e dúvidas

Atualizado em  12 de junho, 2012 - 05:48 (Brasília) 08:48 GMT

Obras da Copa

  • Belo Horizonte
    O Mineirão, em Belo Horizonte, com capacidade para 65 mil pessoas, é um dos quatro estádios que já completaram 50% das obras. Ele deve ser entregue ao final de 2012. Crédito: Ministério dos Esportes
  • Brasilia
    O Mané Garrincha, em Brasília, deve sediar a abertura da Copa das Confederações em 2013, antes da Copa do Mundo, em 2014. Crédito: Ministério dos Esportes
  • Fortaleza
    O Castelão, em Fortaleza, tem cerca de 62% de suas obras finalizadas, a melhor marca entre os estádios do Mundial. Crédito: Ministério dos Esportes
  • Rio de Janeiro
    O Maracanã, no Rio de Janeiro, deve ser palco das finais tanto da Copa das Confederações em 2013 quanto do Mundial de 2014. Crédito: Ministério dos Esportes
  • Recife
    O Arena Pernambuco, em Recife, tem cerca de 40% de suas obras finalizadas. O estádio deve sediar cinco jogos da Copa de 2014. Crédito: Ministério dos Esportes
  • Salvador
    As obras da Fonte Nova, em Salvador, já estão 50% concluídas. O estádio deve ser entregue até o final deste ano. Crédito: Ministério dos Esportes
  • Cuiabá
    A Arena Pantanal em Cuiabá terá capacidade para 43 mil pessoas, incluindo arquibancadas removíveis para 18 mil pessoas. Crédito: Ministério dos Esportes
  • Curitiba
    A Arena da Baixada em Curitiba tem apenas 10% de suas obras concluídas, o menor índice entre os estádios da Copa de 2014. Crédito: Ministério dos Esportes
  • Manaus
    A Arena Amazônica, em Manaus, terá capacidade para 44 mil pessoas e será palco de quatro jogos da Copa de 2014. Crédito: Ministério dos Esportes
  • Natal
    A Arena das Dunas, em Natal, foi erguida do zero para substituir o velho Machadão. Terá capacidade para 43 mil pessoas, incluindo 10 mil assentos removíveis. Crédito: Ministério dos Esportes
  • Porto Alegre
    A Arena Beira Rio, em Porto Alegre, deverá ser entregue até o final de 2013. Crédito: Ministério dos Esportes
  • São Paulo
    O Itaquerão sediará o jogo de abertura da Copa do Mundo, além de outras quatro partidas. Crédito: Ministério dos Esportes

A exatos dois anos do início da Copa do Mundo, o Brasil ainda enfrenta forte desconfiança sobre se conseguirá realizar a tempo todas as obras prometidas para o evento.

Apesar das garantias dos organizadores do Mundial de que os estádios ficarão prontos até 2014, o atraso no cronograma de algumas obras tem causado contradições no discurso do governo federal.

Em entrevista à BBC Brasil, o ministro dos Esportes, Aldo Rebelo, afirmou que, por enquanto, o governo considera que todas as obras previstas serão entregues dentro dos prazos estabelecidos.

"Caso isso não seja possível, encontraremos uma solução", disse o ministro. "Algumas das obras não foram projetadas especificamente para a Copa do Mundo; elas fazem parte do plano de investimento em infraestrutura do país."

"Mas não trabalhamos, por ora, com a hipótese de não entregar essas obras a tempo", acrescentou.

Já o ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro, admitiu há duas semanas que o governo trabalha com a possibilidade de retirar da matriz de responsabilidade da Copa algumas das obras que não teriam condições de ser entregues a tempo do início do Mundial.

De acordo com Ribeiro, pelo menos 15 das 22 obras de mobilidade urbana em cinco das seis cidades-sede da Copa das Confederações de 2013 não ficarão prontas para o evento. A outra cidade, Salvador, não tem obras de mobilidade urbana previstas na matriz de responsabilidade.

"O maior desafio continua sendo os aeroportos e a infraestrutura de transporte urbano, uma vez que muito pouco foi feito até agora", afirmou à BBC Brasil Paulo Resende, coordenador do Núcleo de Infraestrutura e Logística da Fundação Dom Cabral.

Pronto para decolar?

Um levantamento recente feito pelo Tribunal de Contas da União (TCU) indica que, até março deste ano, apenas 4% dos 7,6 bilhões do financiamento da Caixa Econômica Federal para obras de infraestrutura de transporte haviam sido usados. Uma das principais preocupações é com a situação dos aeroportos.

Em 2011, mais de 179 milhões de passageiros viajaram pelos 67 aeroportos controlados pela Infraero, 108 milhões a mais do que em 2003.

Aeroporto de Guarulhos | Foto: Wiki Commons

Para especialistas, obras no aeroporto de Guarulhos não devem ficar prontas até 2014.

Com o aumento da demanda, longas filas e atrasos têm se tornado cada vez mais frequentes. No aeroporto internacional de São Paulo, uma fila de imigração pode durar até duas horas.

Para Carlos Campos, economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), muitas das benfeitorias anunciadas para os aeroportos não estarão prontas a tempo do Mundial.

"Dos 11 aeroportos das cidades-sede com obras previstas nos terminais de passageiros, oito ainda estão na fase inicial de projetos, ou seja, apresentam condições reduzidas de conclusão", disse Campos à BBC Brasil.

"Isso significa que o governo terá de construir módulos temporários, mais conhecidos como 'puxadinhos' para atender à demanda extra", acrescentou o economista.

Balanço

Segundo o último balanço divulgado pelo governo federal, apenas 5% de todas as obras dos estádios, aeroportos, portos e infraestrutura urbana já foram "concluídas", enquanto 55% estão "em andamento". O restante (40%) ainda permanece em fase de "licitação" ou "elaboração de projetos".

Apesar dos ritmo lento das obras, o governo assegura que concluirá pelo menos 85% dos 101 empreendimentos, que, juntos, somam R$ 27 bilhões em investimentos, até o fim de 2013, a tempo da Copa das Confederações.

Para Paulo Resende, da Fundação Dom Cabral, os recentes escândalos de corrupção também têm sua parcela de culpa no atraso do cronograma de obras para a Copa. A Delta Construções, uma das principais empresas do setor no Brasil e corresponsável pela reforma do Maracanã, entrou com pedido de recuperação judicial após se ver envolvida em uma operação da Polícia Federal.

"Nós acabaremos pagando um preço maior pela Copa do Mundo, uma vez que o governo deverá gastar mais e de maneira pouco eficiente para cumprir com os prazos determinados no documento oficial", afirmou Resende. "Mas ainda tenho dúvidas se esse custo astronômico valerá a pena no fim das contas."

Atritos com a Fifa

"Nós acabaremos pagando um preço maior pela Copa do Mundo, uma vez que o governo deverá gastar mais e de maneira pouco eficiente para cumprir com os prazos determinados no documento oficial."

Paulo Resende, coordenador do Núcleo de Infraestrutura e Logística da Fundação Dom Cabral.

Além das dúvidas sobre importantes obras de infraestrutura, o governo federal também tem tido dificuldades para aparar as arestas de seu relacionamento com a Fifa.

Em sua última visita ao Brasil, o secretário-geral da Fifa, Jerôme Valcke, evitou repetir as críticas que fez ao país por causa dos atrasos nos preparativos para a Copa e sinalizou que a prioridade são os estádios.

"O que realmente precisamos são os estádios", afirmou Valcke, na ocasião. "Não podemos achar que um país vai mudar completamente em cinco, seis anos", acrescentou.

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