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Estudo vincula nascimentos prematuros a maior risco de doenças mentais

Atualizado em  5 de junho, 2012 - 05:26 (Brasília) 08:26 GMT
Bebê prematuro em incubadora

Especialistas dizem que apesar de maior em prematuros, risco geral ainda é baixo

Bebês nascidos prematuramente correm maiores riscos de desenvolver doenças mentais mais tarde em suas vidas, dizem pesquisadores da Suécia e Grã-Bretanha.

Segundo um estudo publicado na revista científica The Archives of General Psychiatry, há mais chances de que esses bebês sofram de doenças como distúrbio bipolar, depressão e psicose.

Os especialistas enfatizam, no entanto, que os riscos são baixos, ainda que sejam maiores em bebês prematuros.

Eles lembram também que houve muitos avanços nos cuidados oferecidos a bebês prematuros nas últimas décadas e, portanto, os riscos devem ser menores para os nascidos hoje.

Números

Uma gravidez normal dura cerca de 40 semanas. Um em cada 13 bebês, no entanto, nasce prematuro - antes de completar 36 semanas.

Os especialistas do Instituto de Psiquiatria do King's College London, na Grã-Bretanha, e do Karolinska Institute, na Suécia, analisaram dados de 1,3 milhão de pessoas nascidas na Suécia entre 1973 e 1985.

Eles verificaram que 10.523 pessoas do grupo foram admitidas em hospitais com doenças psiquiátricas e que 580 destas tinham nascido prematuramente.

As análises estatísticas revelaram que duas em cada mil crianças nascidas após a gestação padrão desenvolveram doenças mentais.

A incidência subiu para quatro em cada mil entre bebês nascidos antes de completar 36 semanas e seis em cada mil para bebês nascidos com menos de 32 semanas.

Entre bebês muito prematuros, a probabilidade de sofrerem de distúrbio bipolar foi sete vezes maior – em comparação a bebês nascidos após gestação normal. E a probabilidade de sofrerem de depressão foi quase três vezes maior.

Segundo uma das pesquisadoras envolvidas no estudo, Chiara Nosarti, os índices podem ser maiores, já que casos menos graves de doenças mentais muitas vezes não chegam ao hospital.

Mas ela disse à BBC que, de maneira geral, os riscos são relativamente baixos e que a vasta maioria de bebês prematuros é saudável.

“Não acho que os pais devam se preocupar, mas sabemos que nascimentos antes do tempo implicam em uma maior vulnerabilidade a várias doenças psiquiátricas”, disse. "Talvez os pais devam estar conscientes disso e monitorar sinais, logo cedo, de problemas mais sérios no futuro”.

Sobre as possíveis causas desses problemas, a especialista especula que “perturbações no desenvolvimento” possam, talvez, afetar os cérebros dos bebês.

Repercussão

A presidente da entidade beneficente britânica de saúde mental SANE, Marjorie Wallace, disse: “Já sabíamos que partos prematuros podem estar associados à esquizofrenia, mas obter evidências vinculando isso a uma gama de doenças psiquiátricas que resultaram em hospitalização é impressionante”.

Uma ONG britânica que aconselha pais sobre cuidados com bebês, a entidade beneficente Bliss, disse que já foi estabelecido que o nascimento prematuro afeta o desenvolvimento do cérebro.

Entretanto, o presidente da entidade, Andy Cole, ressaltou o fato de que algumas das pessoas incluídas no estudo nasceram 40 anos atrás.

“Práticas clínicas para limitar danos neurológicos a recém nascidos sofreram transformações nas últimas quatro décadas, com resultados melhores observados hoje”, disse.

“Houve desenvolvimentos em (técnicas de) resfriamento do cérebro para evitar danos, assim como melhorias na ventilação para assegurar que chegue oxigênio suficiente ao cérebro”, explicou.

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