'Cultura atual não é tão lixo quanto parece', diz criador do iPad

Atualizado em  24 de maio, 2012 - 13:45 (Brasília) 16:45 GMT
Jonathan Ive | Foto: AFP

Sir Jonathan Ive, vice-presidente sênior de design industrial da Apple, recebe título real britânico

Criador do iMac, iPod, iPhone e iPad, o designer industrial Jonathan Ive acredita que produtos elegantes e eficientes, que despertem nas pessoas uma admiração pela estética e não só pela utilidade, acabam vencendo a cultura efêmera e descartável.

"Acho que a missão do designer está se tornando cada vez mais complexa e os desafios estão mais intensos agora do que no passado. As consequências de um erro também são mais graves hoje em dia", disse o britânico pouco após receber o título de cavalheiro das mãos da princesa Anne, no Palácio de Buckingham, nesta quarta-feira.

Após a cerimônia, o designer pode associar o título "sir" ao seu nome.

Chefe da equipe de design da Apple há 15 anos, Ive disse que sua paixão sempre foi associar arte e engenharia.

"Me considero uma pessoa de muita sorte por duas coisas: uma, ter descoberto o que eu realmente amo fazer, desenhar e criar coisas, e outra, poder ganhar dinheiro com isso. Me dei conta de que era fascinado com objetos, o que eles podem fazer e como são fabricados, quando tinha mais ou menos sete anos".

"Percebi que minha fascinação não era apenas com desenho, mas sim desenhar para criar algo, para tentar explorar ideias, desenvolver ideias e então construir algo a partir disso", acrescenta.

Ao comentar detalhes da indústria de tecnologia, na qual exerce um papel crucial, Ive diz que tenta manter os aspectos mercadológicos e criativos integrados, mantendo um objetivo claro.

"Não pensamos de forma separada, com um foco comercial e outro na criação do produto. Nosso objetivo é muito simples: criar os melhores produtos possíveis e temos muito foco, clareza e disciplina em toda a companhia de que esta é a nossa meta (...) e entre as consequências disso estão o fato de as pessoas gostarem do produto, comprarem e aí faremos algum dinheiro", diz.

Chineses usam iPads | Foto: Reuters

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Beleza e reconhecimento

Questionado sobre o conceito de beleza e como se aplica ao seu cotidiano, o britânico expôs um pouco da visão com a qual trabalha: "há uma beleza incrível em um produto fabricado de forma elegante e eficiente que funciona de forma intuitiva, que não requer que você leia um manual para aprender a operá-lo".

"Às vezes não conseguimos definir exatamente por que achamos algo bonito. Mas de fato há diferentes níveis de apreciação por um produto".

Ele não esconde o orgulho que sente pelos seus produtos, que se transformaram em objeto de desejo e alvo de imitações ao redor do mundo, e diz que perceber a apreciação do público por suas criações é muito gratificante.

"Não criamos (produtos) para nós mesmos, mas para as outras pessoas. Quando você vê outras pessoas usando seus produtos, é algo realmente empolgante".

Carreira meteórica

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Nascido em Londres, Ive mora há quase 20 anos em San Francisco, na Califórnia, e atualmente é casado e tem dois filhos gêmeos.

Após se formar na Newcastle Polytechnic, atualmente Universidade de Northumbria, Jonathan montou a agência de design Tangerine, ao lado de três amigos.

Um dos seus clientes, a Apple, ficou tão impressionada com sua performance que o convidou para se juntar à equipe, nos Estados Unidos, em 1992.

Quatro anos depois ele passou a ocupar o cargo de chefe da equipe de criação e design, posição que mantém até hoje, sob o título de vice-presidente sênior de design industrial.

Uma de suas primeiras grandes criações foi o iMac G3, em 1998. Três anos depois, em 2001, lançou o iPod e posteriormente diferentes versões dos computadores da Apple, além do iPhone e do iPad.

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